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Cigarro dos pais intoxica filhos

O vício dos adultos prejudica a saúde das crianças que têm contato com tabagistas: 51% delas sofrem com o fumo passivo. É o que mostra levantamento feito com pequenos de até 5 anos, atendidos no Hospital das Clínicas de São Paulo. Especialistas alertam que o grupo é mais suscetível a doenças respiratórias.

Foi analisada a urina de 75 crianças que chegaram à emergência do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com João Paulo Lotufo, pneumopediatra da unidade e responsável pelo estudo, entre este pacientes, 24% apresentaram altos níveis de nicotina no organismo. “São casos em que pais e avós fumam perto da criança”, cita.

O especialista alerta que não é suficiente ir para a janela ou para a calçada, para acender o cigarro longe dos pequenos: o cheiro que fica impregnado nas roupas, cabelos e mãos do fumante também irrita a mucosa do sistema respiratório dos pequenos. Entre as crianças tabagistas passivas são comuns otites, bronquites e asma. Há ainda duas vezes mais chance de morte súbita. “A fumaça pode tanto piorar o quadro de doenças respiratórias como provocar o surgimento delas”, disse.

O prejuízo do fumo passivo também foi comprovado por outra pesquisa da USP. Experimentos com camundongos na Faculdade de Ciências Farmacêuticas mostraram que a fumaça prejudica memória e aprendizado. Animais recém-nascidos foram expostos à fumaça duas horas por dia, e avaliados também na adolescência e vida adulta.

De acordo com a farmacêutica Larissa Helena Torres, o fumo pode interferir na liberação dos neurotransmissores no cérebro, responsáveis pela comunicação entre as células. Ela conta que foram utilizados labirintos para verificar o aprendizado e a memória dos camundongos. Aqueles submetidos ao fumo passivo tiveram mais dificuldade em terminar o teste. O estudo durou quatro anos.

“Os danos não foram revertidos na adolescência e na fase adulta. Outras pesquisas demonstraram que crianças expostas ao fumo passivo apresentam deficiência de aprendizado”, lembra.

Tabaco e álcool antes dos 18 anos

Outra pesquisa, feita com 3 mil adolescentes de dez escolas públicas de São Paulo, mostra um dado preocupante: entre os estudantes do 3º ano do Ensino Médio, 60% consumiam álcool, 20% fumavam e 15% já tinham experimentado a maconha. 

“Fiquei assustado com o resultado. Beber e fumar antes dos 18 anos aumenta o risco de dependência no futuro”, disse João Paulo Lotufo.
 
O levantamento foi feito, com questionários, em fevereiro. A pesquisa faz parte de um programa de educação nas escolas. O médico quer saber se os dados coletados em novembro mostram mudança de comportamento entre os jovens. 

“Sabemos que entre os que têm espiritualidade, o consumo de drogas é menor”, disse.

Criança pode ter as mesmas doenças que os tabagistas

Crianças fumantes passivas são expostas aos mesmos riscos que os adultos tabagistas. Pneumologista da Uerj, Arnaldo Noronha afirma que, nos pequenos, também há chances de falta de ar, enfisema, bronquite crônica e câncer de pulmão. O médico lembra que, no caso do fumo passivo, a aspiração da fumaça e das substâncias tóxicas do tabaco ocorre sem o filtro que compõe o cigarro, o que agrava os danos. “É uma fumaça mais venenosa”, alerta.

Outro problema, segundo Arnaldo, é a maior chance de a criança se tornar fumante no futuro. “Fumar perto de crianças pode desenvolver no organismo delas receptores que são ávidos pela nicotina”, explica o especialista.


Fonte: O Dia

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