sexta-feira, 26 de maio de 2017

Doação de Leite Materno - 2017




Fonte: Portal da Saúde

Brasil lança campanha de incentivo à doação de leite materno

Para conscientizar a sociedade em favor da doação de leite humano, o Ministério da Saúde e a Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH) lançaram, esta semana, a campanha Um pouquinho do que você doa, é tudo para quem precisa. A iniciativa faz parte das comemorações do Dia Mundial de Doação de Leite Humano, comemorado em 19/5. A ação simboliza a união de esforços para a salvaguarda da vida de milhões de crianças em todo o mundo.
"O nosso trabalho é voltado para um segmento muito específico: crianças que demandam cuidados especiais em unidades de terapia semi-intensiva e intensiva, ou seja, bebês que nasceram prematuros, com baixo peso, crianças que pelas mais variadas razões precisam de uma atenção especializada. Se o leite humano já é fundamental para as crianças que nascem no tempo certo, sem nenhuma complicação, para essas crianças representa um fator de sobrevivência”, destacou o coordenador da rBLH, João Aprigio Guerra de Almeida, durante o lançamento.
Além do coordenador da Rede, a cerimônia contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o ministro de Saúde do Brasil, Ricardo Barros, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, a primeira-dama do Distrito Federal, Márcia Rollemberg,  o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Joaquim Molina, o diretor do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Carlos Maciel, e a embaixadora da Rede, a atriz Maria Paula Fidalgo. Por meio de transmissão ao vivo, foi possível que o ministro de Saúde e Segurança Social de Cabo Verde, um dos países com acordo de cooperação técnica para o qual o Brasil transfere os princípios utilizados na implantação de bancos de leite, Arlindo do Rosário, também participasse.
Apesar das mobilizações já realizadas, o número de doações de leite humano ainda é insuficiente. Atualmente, a Rede consegue suprir aproximadamente 60% da demanda para os recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados no Brasil. Isso significa que cerca de 40% dos bebês que precisam não podem contar com o leite humano na sua alimentação. É neste contexto que as campanhas de incentivo à doação ganham ainda mais importância. No slogan deste ano, a intenção é mostrar para as nutrizes que qualquer quantidade doada faz a diferença. Um frasco de leite, por exemplo, pode alimentar até 10 prematuros.
Doadora e militante da causa desde o nascimento de sua primogênita, a atriz Maria Paula reforçou a importância da doação. “Minha vida deu uma guinada há 13 anos atrás. Com a maternidade, eu comecei a doar o meu leite que sobrava e, de artista, me transformei em ativista deste projeto tão maravilhoso que salva vidas. Para você que doa é apenas um pouquinho de leite. Mas para quem recebe é tudo! Quando você está amamentando seu filho e ainda alimenta outros bebês que estão precisando, o prazer é dobrado, triplicado, multiplicado por mil”, ressaltou a embaixadora da Rede.
No Brasil, nascem aproximadamente três milhões de bebês por ano, dos quais cerca de 14% demandam cuidados especiais em unidades de terapia intensiva (UTIs Neonatais). Foi o que aconteceu com a pequena Helena. Sua mãe, Gisele Bortolini, emocionou os presentes na cerimônia ao compartilhar sua experiência: “Toda mãe sente uma dor enorme quando um filho adoece e nós vivemos muitos altos e baixos dentro de uma UTI.  Uma gota de leite materno vale ouro para uma mãe e um bebê prematuro. Eu devo meus sinceros agradecimentos a todas as doadoras. Doar leite materno é um gesto muito nobre. Mesmo sem saber, essas doadoras se tornam anjos na vida dos bebês prematuros”.
O leite doado aos BLHs e postos de coleta passa por um rigoroso processo de seleção, classificação e pasteurização até que esteja pronto para ser distribuído com qualidade certificada aos bebês. Nas últimas décadas, a experiência brasileira também se tornou um modelo de referência mundial, unindo tecnologia moderada e de baixo custo, mas sensíveis o suficiente para assegurar um padrão de qualidade reconhecido internacionalmente. Até o momento, o esforço de cooperação técnica já resultou em projetos de implantação de BLHs em nações da América Latina, Caribe, Península Ibérica e África, agora mobilizadas para a comemoração do Dia Mundial de Doação de Leite Humano.
Embrião da iniciativa que tornou o Brasil exemplo mundial em tecnologia para redução da mortalidade infantil e erradicação da desnutrição neonatal, o BLH do IFF/Fiocruz, o primeiro do país, sedia o Centro de Referência da rBLH. Entre 2009 e 2016, em todo o mundo, mais de 17,8 milhões de mulheres foram assistidas nos BLHs. No Brasil, apenas em 2016, a Rede beneficiou mais de 165 mil recém-nascidos internados em UTIs e realizou mais de dois milhões de atendimentos relacionados a dificuldades sobre aleitamento materno e doação de leite.
Todas as mulheres em fase de amamentação e que produzam um volume de leite que excede a necessidade de seu filho podem doar. As lactantes também devem ser saudáveis e não podem fazer uso de medicamentos que impeçam a doação. Diferente da doação de sangue que necessita de coleta presencial, a doação de leite humano pode ser feita em casa e aos poucos, conforme orientações de higienização e armazenamento adequados. O Brasil conta atualmente com 221 BLHs espalhados por todas as regiões do país. Para localizar o BLH mais próximo, acesse www.rblh.fiocruz.br.
Para conscientizar a sociedade em favor da doação de leite humano, o Ministério da Saúde e a Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH) lançaram, esta semana, a campanha Um pouquinho do que você doa, é tudo para quem precisa. A, comemorado em 19/5. A ação simboliza a união de esforços para a salvaguarda da vida de milhões de crianças em todo o mundo.
"O nosso trabalho é voltado para um segmento muito específico: crianças que demandam cuidados especiais em unidades de terapia semi-intensiva e intensiva, ou seja, bebês que nasceram prematuros, com baixo peso, crianças que pelas mais variadas razões precisam de uma atenção especializada. Se o leite humano já é fundamental para as crianças que nascem no tempo certo, sem nenhuma complicação, para essas crianças representa um fator de sobrevivência”, destacou o coordenador da rBLH, João Aprigio Guerra de Almeida, durante o lançamento.
Além do coordenador da Rede, a cerimônia contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o ministro de Saúde do Brasil, Ricardo Barros, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, a primeira-dama do Distrito Federal, Márcia Rollemberg,  o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Joaquim Molina, o diretor do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Carlos Maciel, e a embaixadora da Rede, a atriz Maria Paula Fidalgo. Por meio de transmissão ao vivo, foi possível que o ministro de Saúde e Segurança Social de Cabo Verde, um dos países com acordo de cooperação técnica para o qual o Brasil transfere os princípios utilizados na implantação de bancos de leite, Arlindo do Rosário, também participasse.
Apesar das mobilizações já realizadas, o número de doações de leite humano ainda é insuficiente. Atualmente, a Rede consegue suprir aproximadamente 60% da demanda para os recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados no Brasil. Isso significa que cerca de 40% dos bebês que precisam não podem contar com o leite humano na sua alimentação. É neste contexto que as campanhas de incentivo à doação ganham ainda mais importância. No slogan deste ano, a intenção é mostrar para as nutrizes que qualquer quantidade doada faz a diferença. Um frasco de leite, por exemplo, pode alimentar até 10 prematuros.
Doadora e militante da causa desde o nascimento de sua primogênita, a atriz Maria Paula reforçou a importância da doação. “Minha vida deu uma guinada há 13 anos atrás. Com a maternidade, eu comecei a doar o meu leite que sobrava e, de artista, me transformei em ativista deste projeto tão maravilhoso que salva vidas. Para você que doa é apenas um pouquinho de leite. Mas para quem recebe é tudo! Quando você está amamentando seu filho e ainda alimenta outros bebês que estão precisando, o prazer é dobrado, triplicado, multiplicado por mil”, ressaltou a embaixadora da Rede.
No Brasil, nascem aproximadamente três milhões de bebês por ano, dos quais cerca de 14% demandam cuidados especiais em unidades de terapia intensiva (UTIs Neonatais). Foi o que aconteceu com a pequena Helena. Sua mãe, Gisele Bortolini, emocionou os presentes na cerimônia ao compartilhar sua experiência: “Toda mãe sente uma dor enorme quando um filho adoece e nós vivemos muitos altos e baixos dentro de uma UTI.  Uma gota de leite materno vale ouro para uma mãe e um bebê prematuro. Eu devo meus sinceros agradecimentos a todas as doadoras. Doar leite materno é um gesto muito nobre. Mesmo sem saber, essas doadoras se tornam anjos na vida dos bebês prematuros”.
O leite doado aos BLHs e postos de coleta passa por um rigoroso processo de seleção, classificação e pasteurização até que esteja pronto para ser distribuído com qualidade certificada aos bebês. Nas últimas décadas, a experiência brasileira também se tornou um modelo de referência mundial, unindo tecnologia moderada e de baixo custo, mas sensíveis o suficiente para assegurar um padrão de qualidade reconhecido internacionalmente. Até o momento, o esforço de cooperação técnica já resultou em projetos de implantação de BLHs em nações da América Latina, Caribe, Península Ibérica e África, agora mobilizadas para a comemoração do Dia Mundial de Doação de Leite Humano.
Embrião da iniciativa que tornou o Brasil exemplo mundial em tecnologia para redução da mortalidade infantil e erradicação da desnutrição neonatal, o BLH do IFF/Fiocruz, o primeiro do país, sedia o Centro de Referência da rBLH. Entre 2009 e 2016, em todo o mundo, mais de 17,8 milhões de mulheres foram assistidas nos BLHs. No Brasil, apenas em 2016, a Rede beneficiou mais de 165 mil recém-nascidos internados em UTIs e realizou mais de dois milhões de atendimentos relacionados a dificuldades sobre aleitamento materno e doação de leite.
Todas as mulheres em fase de amamentação e que produzam um volume de leite que excede a necessidade de seu filho podem doar. As lactantes também devem ser saudáveis e não podem fazer uso de medicamentos que impeçam a doação. Diferente da doação de sangue que necessita de coleta presencial, a doação de leite humano pode ser feita em casa e aos poucos, conforme orientações de higienização e armazenamento adequados. O Brasil conta atualmente com 221 BLHs espalhados por todas as regiões do país. Para localizar o BLH mais próximo, acesse o site da Rede BLH.
Fonte: Fiocruz

Zika: circulação do vírus começou meses antes da detecção de casos

Após decodificar 110 genomas do vírus zika a partir de amostras de pacientes e mosquitos de dez países e territórios das Américas, pesquisadores apontam que o microrganismo circulou por meses sem ser detectado em diversos locais do continente. Divulgado na revista Nature o estudo apresenta o maior banco de sequências genéticas do patógeno já publicado. A análise desse conjunto, juntamente com outros 64 genomas disponíveis na literatura científica, indica que o zika desembarcou no Brasil entre agosto de 2013 e julho de 2014, sendo o período mais provável em fevereiro. Ou seja, cerca de um ano antes de os primeiros casos serem identificados, em abril de 2015. A partir do país, o vírus se espalhou pelas Américas, e o padrão se repetiu: mesmo com a chegada do agravo ao continente confirmada no Brasil, o zika passou despercebido por 4,5 a 9 meses em países como Porto Rico, Colômbia, Honduras e na região do Caribe, incluindo República Dominicana, Jamaica e Haiti.
O estudo foi coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Instituto Broad, ligado ao Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) e à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais. No Brasil, a colaboração envolveu o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz (CDTS), Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). O trabalho contou com apoio Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
A publicação na revista Nature ocorre simultaneamente com outros dois trabalhos que investigam a genética do zika. Juntas, as três pesquisas apresentam cerca de 200 genomas em circulação nas Américas, ampliando significativamente o conhecimento sobre como o surto da doença se espalhou. “Até agora, tínhamos pouca informação sobre a diversidade genética do vírus que circulou durante a emergência de saúde pública. Os novos dados permitem compreender o padrão temporal e geográfico de disseminação do zika e apontam questões importantes para o monitoramento da doença no futuro”, afirma Thiago Moreno L. Souza, pesquisador do CDTS e um dos autores do estudo. “A percepção de que o zika circulou durante meses em diversos países sem ser identificado traz questões importantes sobre a capacidade de detecção precoce de doenças emergentes. Esse resultado reforça a importância da vigilância epidemiológica ativa acoplada a técnicas moleculares de diagnóstico e sequenciamento genético, de forma que situações como essa sejam percebidas antes de levarem a epidemias”, completa Fernando Bozza, pesquisador do INI/Fiocruz e do ID’Or, também autor do trabalho.
Os autores ressaltam ainda que a colaboração científica foi fundamental para os resultados alcançados. “Esse trabalho confirma a capacidade de cooperação nacional e internacional da ciência brasileira e mostra que as redes colaborativas de pesquisa têm a capacidade de trazer uma visão mais abrangente para os estudos científicos”, ressalta Patrícia Bozza, chefe do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC/Fiocruz, também autora da pesquisa.
Barreira superada
A dificuldade para realizar o sequenciamento genético do zika a partir de amostras de sangue ou urina de pacientes é um dos principais motivos para o baixo volume de genomas decodificados anteriormente. Diferentemente de outros vírus, como o ebola ou o dengue, o zika circula em baixos níveis no organismo e por um curto período de tempo. Diante da pequena quantidade de partículas virais presentes nas amostras, os pesquisadores utilizaram técnicas recentes que permitem amplificar o material genético mesmo nas condições adversas para a análise apresentadas no caso do zika. Dessa forma, foi possível realizar o sequenciamento dos genomas em 110 das 229 amostras analisadas. A abordagem permitiu ainda dispensar a etapa de isolamento viral, feita por meio da incubação em culturas de células – procedimento que consiste em colocar as amostras contendo o vírus em contato com células, para que estas sejam infectadas e o microrganismo se replique. “Quando o vírus se replica em cultura de células, ele pode sofrer mutações. Por isso, o sequenciamento do genoma diretamente a partir de amostras clínicas é um fator importante, que traz resultados mais fidedignos”, ressalta o pesquisador Wim Degrave, do Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática do IOC, que participou do estudo.
Comparando os genomas dos microrganismos, os pesquisadores identificaram mutações sofridas pelo Zika no percurso durante a disseminação nas Américas, o que permitiu reconstruir o histórico do surto. Com base nas semelhanças e diferenças entre as sequências genéticas, os cientistas montaram a árvore filogenética dos microrganismos – similar a uma árvore genealógica. Nessa estrutura, os vírus do Brasil aparecem mais próximos da raiz da árvore, indicando que o país é a origem do surto no continente. Segundo a análise filogenética, Colômbia, Honduras e Caribe foram rotas de espalhamento do vírus. Nos Estados Unidos, o Zika aparece a partir de múltiplas entradas oriundas do Caribe.
Alerta para o futuro
Além de mapear o passado, a análise da variação genética do zika traz informações importantes para o monitoramento futuro da doença. Ao todo, os pesquisadores identificaram cerca de mil variações, sendo aproximadamente 200 chamadas de mutações não sinônimas, ou seja, que causam mudanças nas proteínas do vírus. Embora o possível impacto dessas alterações sobre as funções virais ainda tenha que ser investigado, o estudo alerta sobre a necessidade do monitoramento contínuo para preservar a eficácia dos métodos moleculares de diagnóstico da doença. Para o diagnóstico molecular, baseado na detecção do material genético do vírus em uma amostra, são utilizadas pequenas sequências de nucleotídeos – conhecidas como iniciadores ou sondas – que se ligam a segmentos específicos do genoma do zika. É esse ‘encaixe’ bem-sucedido que permite identificar a presença do patógeno. “Na pesquisa, observamos que alguns desses segmentos já acumulam mutações. Esse processo ainda não prejudica completamente o desempenho dos métodos de diagnóstico, mas é fundamental que isso seja acompanhado para que adaptações sejam feitas quando necessário”, comentou o virologista Edson Delatorre, pós-doutorando do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC, que também participou do trabalho.
Considerando os resultados da pesquisa, os autores destacam ainda o potencial das ferramentas de análise genética para melhorar a resposta dos países diante de doenças emergentes. “A genômica nos permitiu reconstruir como o vírus viajou e mudou através da epidemia – o que também significa que poderia ter ajudado a detectá-lo muito mais cedo. Estávamos muito atrasados em relação ao zika.
Precisamos estar bem à frente da próxima ameaça viral emergente, e a genômica pode ter um papel nisso”, comentou a pesquisadora Bronwyn MacInnis, do Programa de Doenças Infecciosas e Microbioma do Instituto Broad. Em um texto de análise publicado na seção News and Views da revista Nature, o pesquisador Michael Worobey, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, avalia que os três trabalhos recém-publicados estabelecem um novo padrão para o que pode ser alcançado através do estudo de surtos de doenças a partir de sequências genéticas rapidamente obtidas e analisadas em um poderoso quadro computacional. No comentário sobre os estudos, o cientista – que não esteve envolvido nas pesquisas – prevê que a próxima etapa será levar esse tipo de abordagem às ações de rotina para a identificação precoce de novas ameaças. “Essa abordagem pode ser construída a partir das técnicas aplicadas nos estudos recém-publicados. Qualquer ilusão de que isso seria proibitivamente caro deve ser dissipada pela certeza de futuros surtos terão preços de bilhões ou trilhões de dólares e causarão um sofrimento humano inaceitável”, afirmou.
Fonte: Fiocruz

Vista embaçada pode ter relação com problemas de graves de saúde



Vista embaçada pode estar relacionada com problemas graves de saúde, como mostrou o Bem Estar desta quarta-feira (24). A vista embaçada pode ter relação com: deslocamento de retina, olho seco, diabetes, catarata, glaucoma, inflamação do olho, crise hipertensa.

O descolamento não tem prevenção e costuma ser uma consequência do descolamento do vítreo, uma espécie de gelatina transparente que preenche o globo ocular e sustenta a retina. No grupo de risco estão altos míopes, pessoas que tem histórico familiar, portadores de degenerações na periferia da retina e pacientes que tenham sofrido algum tipo de trauma ocular. Entre os sinais estão a visão embaçada, sem nitidez, flashes de luz, manchas na visão e a redução do campo de visão.

O olho seco que causa embaçamento transitório costuma ser solucionado com a própria piscada, que lubrifica os olhos. Porém, em algumas situações o olho seco pode permanecer por mais tempo e incomodar muito, sendo necessário uso de colírio lubrificante ou soro fisiológico. O olho seco é comum em mulheres após a menopausa, como explicou o oftalmologista Emerson Castro.

Para aliviar o olho seco, os oftalmologistas dão algumas dicas: usar colírio lubrificante, soro fisiológico várias vezes ao dia, fazer compressa de água fria e fazer uma dieta com bastante peixes ricos em gordura, como salmão e sardinha. Para o tratamento, use umidificador e lembre-se de piscar em frente dos aparelhos de TV. Evite ar condicionado e ventilador diretamente no olho.

O oftalmologista Miguel Padilha falou sobre o glaucoma, que é a segunda causa de cegueira no mundo. Uma situação irreversível, mas que se diagnosticada e tratada a tempo, afasta o fantasma da cegueira. O glaucoma acomete cerca de 4% da população acima dos 40 anos e não costuma dar sinais. É mais comum entre pessoas afrodescendentes, míopes, diabéticas, usuárias de cortisonas, em famílias onde há histórico de glaucoma entre os membros.

Fonte: Bem Estar

Campanha nacional de vacinação contra a gripe é prorrogada



A campanha nacional de vacinação contra a gripe foi prorrogada até o dia 9 de junho, de acordo com o Ministério da Saúde. A meta é alcançar 90% das 54,2 milhões de pessoas incluídas no público-alvo, mas, até esta quinta-feira, apenas 63,6% haviam recebido a sua dose.

Dos grupos que podem tomar a vacina pelo SUS, os idosos têm, até o momento, a maior cobertura: 72,4% desse público já se vacinou. Entre as puérperas, mulheres que tiveram bebê recentemente, o alcance foi de 71,2% e, entre os indígenas, de 68,6%.

Os grupos que menos se vacinaram foram as crianças, com 49,9% de cobertura, gestantes, com 53,4% e os trabalhadores de saúde, com 64,2%. Este ano, a novidade da campanha foi a inclusão dos professores da rede pública e privada no público alvo. Até o momento, 60,2% deles se vacinaram.

Veja quem recebe a vacina pelo SUS

Crianças de 6 meses a menores que 5 anos (quatro anos, 11 meses e 29 dias)
Gestantes
Puérperas (mulheres que estão no período de até 45 dias após o parto)
Idosos (a partir de 60 anos)
Profissionais da saúde
Povos indígenas
Pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional
Portadores de doenças crônicas e outras doenças que comprometam a imunidade
Professores de escolas públicas ou privadas

Os estados com maior cobertura vacinal são Amapá, com 85,7%, Paraná, com 78,1%, e Santa Catarina, com 77,7%. Já os que estão mais longe da meta são Roraima, com 47,9%, Rio de Janeiro, com 48%, e Pará, com 52,1%.

As doses da vacina estão disponíveis para o público-alvo nos postos de saúde em todo o país. A imunização protege contra os três sorotipos do vírus da gripe determinados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para este ano: H1N1, H3N2 e Influenza B.

Fonte: Bem Estar




Número de casos foi alto em 2016




Em 2016, houve 12.174 casos confirmados de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por influenza no país. A SRAG é uma complicação da gripe. Houve ainda 2.220 mortes, número alto em comparação a anos anteriores. Do total de óbitos, a maioria (1.982) foi por influenza A/H1N1. Este foi o maior número de mortes por H1N1 desde a pandemia de 2009, quando 2.060 pessoas morreram em decorrência do vírus no Brasil.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Rede de Bancos de Leite Humano celebra Dia Mundial de Doação, em 19 de maio

Fruto de uma ação integrada entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) é composta por 221 BLHs e 199 postos de coleta. Nas últimas décadas, a experiência brasileira também se tornou um modelo de referência mundial, servindo como base para a criação da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH). Até o momento, o esforço de cooperação técnica já resultou em projetos de implantação de BLHs e colaboração com nações da América Latina, Caribe, Península Ibérica e África, agora mobilizadas para a comemoração do Dia Mundial de Doação de Leite Humano, a ser celebrado no próximo dia 19 de maio. A iniciativa simboliza a união de esforços para a salvaguarda da vida de milhões de crianças em todo o mundo. O objetivo é conscientizar a sociedade para o ato da doação de leite humano. No Rio de Janeiro, assim como em todos os estados do país, a mobilização se estenderá por toda a semana.
“O Banco de Leite Humano surgiu como uma estratégia de qualificação da assistência neonatal em termos de segurança alimentar e nutricional, com foco em ações que ajudam a reduzir a morbimortalidade infantil em instituições hospitalares. O trabalho é voltado para um segmento muito específico: crianças que demandam cuidados especiais em unidades de terapia semi-intensiva e intensiva, ou seja, bebês que nasceram prematuros, com baixo peso, crianças que pelas mais variadas razões precisam de uma atenção especializada”, destaca o coordenador da rBLH, João Aprígio Guerra de Almeida.
O leite doado aos BLHs e postos de coleta passa por um rigoroso processo de seleção, classificação e pasteurização até que esteja pronto para ser distribuído com qualidade certificada a bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatais. Todas as mulheres em fase de amamentação e que produzam um volume de leite que excede a necessidade de seu filho podem doar. As lactantes também devem ser saudáveis e não podem fazer uso de medicamentos que impeçam a doação. Diferente da doação de sangue que necessita de coleta presencial, a doação de leite humano pode ser feita em casa e aos poucos, conforme orientações de higienização e armazenamento adequados.
Para se tornar doadora, basta entrar em contato com o BLH mais próximo e realizar um cadastro mediante apresentação dos últimos exames de sangue. A equipe irá orientar sobre a forma correta de coletar o leite. O leite humano a ser doado pode permanecer congelado por 15 dias. Antes deste período, a nutriz deve entrar em contato para providenciar a coleta em seu domicílio. Para esclarecer dúvidas, consulte o site da Rede Brasileira de Leite Humano ou ligue gratuitamente para 0800 026 8877.
A experiência brasileira
Embrião da iniciativa que tornou o Brasil exemplo mundial em tecnologia para redução da mortalidade infantil e erradicação da desnutrição neonatal, o BLH do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), o primeiro do país, sedia o Centro de Referência da Rede Global. Apenas em 2016, a rBLH-Br beneficiou mais de 165 mil recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neo) e realizou mais de dois milhões de atendimentos relacionados a dificuldades sobre aleitamento materno. A dimensão do projeto também pode ser avaliada por seus resultados no que se refere à doação. No ano passado, aproximadamente 182 mil litros de leite foram coletados.
Na Fiocruz, desde o início, o trabalho de pesquisa no BLH foi pautado no investimento em tecnologia moderada e de baixo custo, mas sensíveis o suficiente para assegurar um padrão de qualidade reconhecido internacionalmente.  “O exemplo mais emblemático que temos de uma dessas soluções tecnológicas de baixo custo são os frascos para o condicionamento de leite. Em 1985, os frascos utilizados eram feitos de silicone por dentro e tinham que ser importados, o que gerava um custo muito alto. Quando começamos a procurar alternativas para esse uso, descobrimos que frascos recicláveis de maionese ou café solúvel não apresentavam diferenças significativas em termos imunológicos ou microbiológicos. Isso possibilitou uma redução de custos de cerca de 85%”, destaca o coordenador da Rede.
Todo leite coletado passa por etapas de análise imunológicas e microbiológicas. Contudo, o trabalho nos Bancos de Leite Humano não se restringe à pesquisa básica, mas une esforços no que se trata da aplicação clínica ou da vida cotidiana dos pacientes. “No IFF, logo percebemos que não adiantava focar só na questão do leite, era preciso uma intervenção mais direta, observando o aleitamento em um contexto mais ampliado de saúde pública: a saúde da criança começa com a saúde da mulher”, explica a gerente do Banco de Leite Humano do IFF/Fiocruz, Danielle Aparecida da Silva. “É sempre preciso criar uma estrutura de amparo à mãe: quando a criança for para casa, ela precisará mamar no peito e, se é criado um suporte para a mãe antes mesmo disso, na maior parte dos casos, isso se torna possível”, ressalta ela.
De portas abertas para apoiar, proteger e promover a amamentação, apenas o BLH do Fernandes Figueira recebe em média mil mães por mês, que vem tanto da rede privada, quanto da pública, ansiosas por auxílio técnico e emocional. Já no corredor é possível ouvir o chorinho dos pequenos. Muitos chegam a perder peso em função da dificuldade da pega. A conscientização da importância do leite materno exclusivo até os 6 meses de idade e a continuidade como alimento complementar até os 2 anos ou mais começa ainda no pré-natal. Durante os grupos de gestantes é possível tirar as principais dúvidas das futuras mamães, além de desmistificar crenças antigas que possam contribuir para o desmame precoce.
Fonte: Fiocruz

Combate ao aedes aegypti pode ser mais eficiente durante o frio

O fato de o mosquito Aedes aegypti se proliferar com mais intensidade durante as estações mais quentes do ano faz com que boa parte das pessoas só se lembre de eliminar os criadouros nesses períodos. Entretanto, de acordo com o pesquisador da Fiocruz Minas Fabiano Duarte Carvalho, é quando caem as temperaturas que as medidas de controle podem ser mais eficazes, já que o ciclo reprodutivo do mosquito fica mais lento e, dessa forma, as ações voltadas para o combate terão um impacto maior.
“Sabemos que há casos de dengue e outras arboviroses o ano inteiro, o que significa que o mosquito está presente em todos os meses. Entretanto, este é um período em que há menos mosquitos em circulação e, com isso, é muito mais fácil combater os focos neste momento. É preciso aproveitar a fase em que o Aedes está mais fraco”, afirma o pesquisador.
Especialista em hábitos e comportamento do Aedes aegypti, Carvalho é um dos autores do artigo Why is Aedes aegypti Linnaeus so Successful as a Species?  (Por que o Aedes aegypti pode ser considerado uma espécie de sucesso?), publicado recentemente na Neotropical Entomology, uma importante publicação na área de entomologia. Nele, os pesquisadores relacionam uma série de fatores que favorecem a espécie e fazem com que o combate ao inseto seja um desafio para todos os países que sofrem com as doenças por ele transmitidas.
O ciclo de vida do mosquito compreende quatro fases – ovo, larva, pupa e adulto - e, segundo os pesquisadores, é lá no primeiro estágio que reside uma das principais razões de sucesso do inseto. É que o ovo do Aedes aegypti é extremamente resistente, podendo durar por mais de um ano, quando as condições são desfavoráveis.

Imagem: Fabiano Carvalho





“Os ovos podem eclodir em minutos quando imersos em água. A falta dela, entretanto, não representa a quebra desse ciclo de vida, uma vez que os ovos permanecem viáveis durante semanas, meses, podendo chegar a mais de 400 dias. É claro que o número de ovos viáveis diminui ao longo do tempo, mas os que permanecem podem ser suficientes para a manutenção local da espécie”, explica Carvalho.
Outra característica que contribui para a proliferação da espécie é a alta capacidade reprodutiva. Uma única fêmea pode colocar aproximadamente 100 ovos por ciclo. “Além disso, elas têm uma estratégia que chamamos de oviposição em saltos, que é a distribuição dos ovos entre vários locais de reprodução, tornando complicada a tarefa de eliminar completamente os criadouros.  Há estudos que demonstram que uma única fêmea distribui ovos entre quatro e seis criadouros e que, quando há condições, podem usar até 11”, destaca Carvalho.
Oportunista
O comportamento oportunista do Aedes aegypti também é apontado pelos pesquisadores como um dos aspectos que mais o beneficiam. Embora tenha hábitos preferenciais, a espécie possui uma capacidade de adaptação elevada, possibilitando-a aproveitar todas as oportunidades para se proliferar. Um exemplo disso se refere ao ambiente reprodutivo. Sabe-se que o inseto prefere a água limpa, mas, se não houver, ele poderá colocar os ovos em água com um pouco mais de matéria orgânica.
“Um estudo recente realizado em quatro regiões de Salvador demonstrou a presença de larvas do mosquito em esgotos de duas das localidades pesquisadas. A importância dos esgotos para a reprodução do mosquito também já foi descrita em outros países, como Colômbia e México”, revela Carvalho.
Bem adaptado a ambientes urbanos, o Aedes tem preferência por depositar os ovos em contêineres artificiais, encontrados facilmente nos espaços domésticos. Recipientes com coloração escura são os mais utilizados, o que dificulta a tarefa de detectá-lo durante as inspeções domiciliares.
Outra consideração importante, segundo o pesquisador, é que os recipientes pequenos também são potenciais locais de reprodução. Isso é possível porque a espécie se desenvolve rapidamente e, dessa forma, chega à fase adulta antes que a água se evapore, evitando a mortalidade do vetor.
Controle mecânico
A eliminação dos criadouros é uma das principais formas de controle do mosquito. Assim, de acordo com o pesquisador, ao se deparar com potenciais locais de possível reprodução, cada pessoa deve se perguntar se há alguma necessidade deles.
“A resposta para esta pergunta é, muitas vezes, “não”, caso em que o local deve ser eliminado. Se a resposta for “sim”, é preciso então fazer modificações, de forma a evitar que aquele espaço se torne um local de reprodução para o inseto. Um exemplo: eu não posso eliminar minha caixa d´água, mas posso mantê-la bem fechada para que não vire um criadouro”, explica.
Entre as ações propostas, além da vedação dos reservatórios de água, Carvalho lembra da necessidade de limpar as calhas, remover os pratinhos dos vasos de plantas, bem como a manter garrafas, latas e outros recipientes virados para baixo de forma que não acumulem água.
“Cuidados especiais também devem ser tomados com locais de reprodução menos óbvios, como ralos em locais pouco usados, bandejas atrás de refrigeradores e outros espaços do ambiente doméstico pouco utilizados, como, por exemplo, os banheiros da área de churrasqueira”, diz. “Lembrando que essas ações durante as estações mais frias serão ainda mais eficazes”, salienta.
Fonte: Fiocruz