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Macacos imunizados com vacina anti-HIV brasileira passam por testes

Novos testes da vacina anti-HIV desenvolvida por pesquisadores brasileiros devem ter seus resultados concluídos no mês que vem, segundo o pesquisador Edecio Cunha Neto, do Instituto do Coração (Incor). O desenvolvimento da vacina foi tema da conferência de encerramento da XXIX Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimetnal (FeSBE), neste sábado (30).
A vacina, que está sendo desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, do Incor e do Instituto Butantan, é composta de 18 fragmentos de DNA do vírus HIV, comprovadamente capazes de produzir uma resposta forte no sistema imune.
Em fevereiro, os pesquisadores anunciaram que testes da vacina feitos com quatro macacos tiveram resultados positivos. Os animais tiveram uma resposte imune até 10 vezes maior do que o que tinha sido observado em camundongos.
Agora, os mesmos animais passaram por uma nova vacinação, desta vez composta de uma proteína recombinante do envelope do HIV, que é a proteína da parte externa do vírus, que se encaixa nas células do organismo para invadi-las. “É de interesse fazer uma imunização que gere um anticorpo contra a proteína do envelope porque esses anticorpos podem recobrir o HIV e dificultar muito que ele consiga penetrar e invadir uma célula”, diz Cunha Neto.
O objetivo do teste é saber se os animais imunizados com a vacina com proteína do envelope seguida da vacina de DNA terão uma resposta contra a proteína do envelope melhor do que os animais que só receberam a vacina com a proteína. “Isso é o que a gente está testando exatamente agora e daqui mais ou menos um mês vamos ter os resultados.”
Próxima etapa
Na próxima etapa de testes, os fragmentos de DNA que compõem a vacina serão inseridos dentro de vírus atenuados de varíola e de adenovírus de chimpanzé. “A resposta é muito mais forte quando o antígeno está dentro de um vírus. A gente quer mudar de uma vacina de DNA para uma vacina usando vetor viral, que vai dar uma resposta muito mais forte em primatas e humanos”, diz o pesquisador.

A nova estratégia deve ser testada em quatro grupos de seis macacos no Instituto Butantan. No entanto, ainda não há uma previsão de data para a realização dos testes. Isso porque para trabalhar com vetor viral, que tem possibilidade de ser patogênico para o ser humano, são necessárias instalações especiais para hospedagem dos animais e realização dos procedimentos.
“Estamos esperando chegar um módulo pronto, que tem tudo preparado para receber os cerca de 30 animais, para que eles fiquem sem contato com o meio externo e de modo que todo material que sai de lá é incinerado.” Os testes só poderão prosseguir a partir da chegada dessas instalações, segundo o pesquisador.
Fonte: G1

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