Pular para o conteúdo principal

Sobe 29% total de pessoas que usam antirretrovirais contra HIV no país

O número de pessoas em tratamento com antirretrovirais no Brasil cresceu 29% em um ano, segundo balanço do Ministério da Saúde. Os dados foram divulgados no início da tarde desta quarta-feira (1º) pelo gestor da pasta, Arthur Chioro, durante evento em comemoração ao Dia Mundial de Luta contra a Aids.

De acordo com o levantamento, 47.506 pessoas começaram a usar a medicação no período entre janeiro e outubro do ano passado, contra 61.221 na mesma época deste ano. No total, há quase 400 mil pessoas no país em tratamento com esses remédios.
O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que esse crescimento está relacionado à mudança no protocolo clínico a doença, que completou um ano. Agora, todas as pessoas que apresentam resultado positivo para o HIV passam a fazer uso dos antirretrovirais, mesmo as que não têm comprometimento do sistema imunológico.
"Se a gente não tivesse mudado o protocolo, a gente provavelmente teria o mesmo número, porque ele tem se mantido estável. Qual é a vantagem de fazer essa mudança? [...] Ela retarda problemas associados ao HIV, retarda o aparecimento de doenças oportunistas", explica.
Além disso, desde 2012, todas as pessoas que se expuseram ao risco de contrair o vírus podem tomar, em até 72 horas, o "coquetel do dia seguinte". A medida dura 28 dias e tem o objetivo de evitar a multiplicação do vírus.
O novo boletim epidemiológico apontou que 734 mil pessoas vivem com HIV e Aids hoje no Brasil. Deste total, 89% foram diagnosticadas. O avanço da doença é considerado estabilizado no Brasil, que tem taxa de detecção em torno de 20,4 casos a cada 100 mil habitantes. São 39 mil ocorrências ao ano.
A região com maior número de novos casos é a Sudeste – 38,6%. O estudo mostra ainda que houve queda de 35,7% na taxa de detecção em menores de 5 anos. Segundo o Ministério da Saúde, 0,4% da população brasileira tem HIV.

Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita afirmou que 11 unidades da federação apresentam taxa de detecção superior à nacional. "A gente destaca aí quatro estados, particularmente o Rio Grande do Sul, que tem o dobro da taxa de detecção nacional, o Amazonas, Santa Catarina e Rio de Janeiro", disse.

O vírus HIV é transmitido pelo sangue, sêmen e leite materno. A infecção não tem cura, mas pode ser controlada por anos com o uso de coquetéis de drogas antivirais. A estimativa é que a pandemia de Aids, que começou há mais de 30 anos, já tenha matado até 40 milhões de pessoas em todo o mundo.
O SUS oferece um teste rápido, gratuito e sigiloso para interessados em descobrir se estão ou não infectados pelo vírus. O resultado sai em menos de 20 minutos, e não é necessário agendar o procedimento.
Também na ocasião, o governo federal lançou uma nova campanha publicitária de conscientização sobre a doença. O alvo são os jovens, e o slogan é #partiuteste, em alusão à linguagem típica desta faixa etária.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, 35 milhões de pessoas viviam com o vírus, outras 2,1 milhões foram infectadas com e 1,5 milhão morreram de Aids em 2013. O principal foco de está na África subsaariana.
A agência da ONU para o assunto, a Unaids, diz que, até junho de 2014, 13,6 milhões de pessoas no mundo tinham acesso a drogas contra a Aids. Em 2010, o número era de 5 milhões.
Controle da transmissão
Entre as medidas adotadas pelo governo federal para evitar o avanço da Aids estão a ampliação da testagem de HIV em populações chaves -- gays, transexuais, travestis, usuários de drogas e prostitutas, a facilitação do acesso a medicamentos e a incorporação de novas formulações.

Com isso, o objetivo é que em 2020 o Brasil alcance a meta estabelecida pela ONU, conhecida como 90-90-90: testar 90% da população brasileira, tratar 90% dos comprovadamente infectados e conseguir que 90% dos pacientes apresentem carga viral indetectável.
Segundo o ministério, o coeficiente de mortalidade caiu 67,3% nos últimos dez anos, passando de 6,1 caso de mortes por 100 mil habitantes em 2004 para 5,7 casos em 2013. Do total de óbitos por Aids no ano passado, 71,3% (198.534) ocorreram entre homens.
O governo federal afirma ter gastado R$ 780 milhões em medicação antirretroviral em 2014. Dos 22 remédios usados no tratamento, 11 são produzidos no Brasil.
O ministro Arthur Chioro afirmou que a extensão do território brasileiro torna o combate ao avanço à doença "um desafio". "Temos um quadro nacional de estabilização da epidemia de Aids, mas que não nos permite trabalhar com segurança, tranquilidade, de achar que por termos um quadro de estabilização as coisas estão resolvidas."
Fundo Posithivo
A pasta também anunciou o lançamento do Fundo Nacional de Sustentabilidade às Organizações da Sociedade Civil que trabalham com doenças sexualmente transmissíveis e hepatites virais. A ideia é arrecadar recursos da iniciativa privada para financiar projetos sociais.

Representante da organização, Harley Henrique Nascimento disse que a medida é importante porque as entidades enfrentam dificuldades financeiras para manter o trabalho.
Aumento entre jovens
Uma reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo mostrou que o número de casos de Aids em pessoas entre 15 e 24 anos aumentou mais de 50% desde 2006 no Brasil. O crescimento ocorreu contrariando a tendência no restante do mundo, onde a quantidade de infecções ao longo de uma década caiu 32% na mesma faixa etária.

De acordo com o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, a taxa de detecção passou de 9,6 para 12,7, em 100 mil habitantes, nos últimos dez anos. "A epidemia basicamente cresceu em jovens e tem um crescimento mais expressivo em homens do que em mulheres."
Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal apontam que os jovens representam 37% dos novos pacientes com HIV. A capital do país registra uma média de 508 ocorrências por ano.
Fonte: G1

Comentários

Populares

Campanha Hanseníase 2018

Fonte: Portal da Saúde

UFF Responde: Menopausa

  A data 18 de outubro é marcada pelo Dia Mundial da Menopausa, criado na intenção de promover a conscientização e o apoio para a melhora da saúde e bem-estar da mulher diante das mudanças fisiológicas. A menopausa é um processo natural que indica o fim do período reprodutivo, definida respectivamente pela ausência da menstruação por 12 meses consecutivos, sem causas secundárias, como gravidez ou uso de medicamentos. Trata-se de uma transição biológica que costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos, com idade média no Brasil em torno de 48 anos. Durante a menopausa, ocorre a queda progressiva dos níveis de estrogênio e de progesterona, hormônios produzidos pelos ovários. Essa diminuição hormonal provoca alterações físicas, metabólicas e emocionais. Entre os sintomas mais comuns estão os fogachos (ondas de calor), sudorese noturna, alterações do sono e humor, ressecamento vaginal e redução da libido. Além disso, é possível que haja o surgimento de condições mais graves, como impacto na s...

UFF Responde: Tuberculose

  No dia 17 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Combate à Tuberculose, data que reforça a importância da conscientização sobre uma das doenças infecciosas mais antigas e ainda presentes no mundo. Segundo dados do  Ministério da Saúde , o Brasil registrou cerca de 84 mil novos casos em 2025, o maior número das últimas duas décadas. Fatores como a desigualdade social, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e   o abandono do tratamento contribuem para o avanço da doença. O problema também é agravado pela disseminação de desinformação sobre vacinas e doenças infecciosas, o que dificulta o enfrentamento da tuberculose e retarda o diagnóstico precoce — essencial para interromper a cadeia de transmissão. Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a enfermidade afeta principalmente os pulmões e pode ser transmitida pelo ar, por meio da tosse, fala ou espirro de pessoas infectadas. Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tube...

Getulinho reabre a pediatria

Sem emergência há 1 ano e 2 meses e após o fim da UTI pediátrica por determinação da Vigilância Sanitária Estadual em dezembro, o Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, no Fonseca, Niterói, retomou  nesta quinta-feira os atendimentos à população, só que no estacionamento. O hospital de campanha montado, com capacidade para atender 300 crianças por dia, foi alívio para a população e deverá durar o tempo das obras de reforma da unidade. “Esperamos atender 150 por dia na primeira semana”, declarou o coordenador-geral da Força Estadual de Saúde, Manoel Moreira. Foram disponibilizados também ambulância e CTI. Ao assumir, o prefeito Rodrigo Neves decretou situação de emergência no atendimento de urgência pediátrica no município e assinou termo de compromisso para a instalação do hospital de campanha com a Força Estadual. Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia   Nesta quinta-feira, a auxiliar ...

Médicos importados

O governo federal decidiu importar médicos para suprir a falta de profissionais em programas de atenção básica, como o Saúde da Família, e em cidades do interior do País. A medida, que será anunciada pela presidenta Dilma Rousseff, inclui a flexibilização das normas de validação de diplomas obtidos em faculdades estrangeiras. A decisão, que deverá ser anunciada até o fim de fevereiro, prevê a contratação de milhares de médicos . O governo acredita que muitos cubanos serão atraídos pelos novos empregos. Efeito sanfona Por falar em saúde: a pressão arterial de Pezão voltou a subir no fim da manhã de ontem. Pessoas próximas dizem que o problema está relacionado às bruscas variações no peso do governador em exercício. Ele acaba de terminar outra temporada em um SPA.  Fonte : O Dia