Pular para o conteúdo principal

Pneumonia: Brasil tem aumento de casos da doença, incluindo do tipo silencioso; entenda

 




O número de casos de pneumonia aumentou no Brasil esse ano. Embora sejam poucos os hospitais que têm dados sobre o tipo da doença, dados dos que têm e relatos de profissionais de saúde indicam que a alta está ligada à forma silenciosa ou atípica da doença. Ela causa sintomas mais brandos que os quadros tradicionais de pneumonia, o que pode levar à demora em procurar atendimento.

O Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, é um dos serviços que registrou aumento do número de casos de pneumonia esse ano. A pesquisa de agentes etiológicos, que mostra o micróbio causador da doença, mostrou aumento significativo da bactéria Mycoplasma pneumoniae, que está associada aos casos de pneumonia atípica.

Em Curitiba, o Hospital Pequeno Príncipe, maior hospital pediátrico do país, já registrou 537 atendimentos na emergência de casos de pneumonia atípica este ano. No mesmo período de 2023 foram 249 casos, o que representa um aumento de 116%. Nas internações, o aumento foi de 47%.

Em Porto Alegre, dados do Hospital Moinhos de Vento mostram que entre janeiro e junho foram registradas 349 internações por pneumonia. No mesmo período do ano passado, foram 245. De acordo com o hospital, houve aumento dos casos de Mycoplasma pneumoniae, em especial entre crianças e adolescentes.

No Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, foram atendidos 244 pacientes com pneumonia causada por Mycoplasma este ano. No mesmo período do ano passado, foram apenas 4. No hospital, a faixa etária mais atingida é de pessoas com idade a partir de 16 anos.

No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde não registra dados detalhados sobre cada tipo de pneumonia. No entanto, houve aumento de 69% nos atendimentos de urgência e emergência por pneumonia na rede municipal, em relação ao mesmo período do ano passado. A maior parte dos pacientes são crianças menores de 10 anos.

Cenário semelhante foi apontado pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. De janeiro a junho deste ano, foram realizados 675 atendimentos por pneumonia no pronto atendimento da pediatria do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus. O número representa um aumento de 36,3% em comparação com os 495 atendimentos realizados no mesmo período de 2023.

No Estado de São Paulo, também houve aumento, mas menos expressivo. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, de janeiro até abril deste ano, foram registrados 25.981 procedimentos ambulatoriais, contra 24.796 no mesmo período do ano passado.

De acordo com o infectologista David Uip, diretor nacional de Infectologia da Rede D’Or, que conta com 69 hospitais, localizados em 13 unidades da federação, houve aumento expressivo no número de casos de pneumonia em todos os hospitais da rede, incluindo dos casos atípicos.

Para Uip, diversos fatores ajudam a explicar esse crescimento nos casos de pneumonia no país.

— Temos vários vírus circulando e muitas vezes um processo bacteriano sucede um processo viral. O clima também contribui. Estamos com um clima seco e temperaturas totalmente fora de esquadro, diferente do que estávamos acostumados. Além disso, processos imunoalérgicos, como rinite e sinusite, também podem virar um processo bacteriano — avalia o infectologista.

Em relação ao aumento das infecções por Mycoplasma pneumoniae, especificamente, especialistas especulam que ele pode estar associado à pandemia. As medidas restritivas impostas para controlar a transmissão do coronavírus fizeram com que muitos patógenos parassem de circular. Agora, eles voltaram a circular e encontram muitos suscetíveis, em especial crianças.

Outro fator apontado é a própria sazonalidade da doença. Surtos de infecções por essa bactéria tendem a acontecer a cada três a sete anos, embora as razões disso ainda não sejam bem compreendidas. Como não havia surtos relatados desde antes da pandemia, esse aumento nos casos já era esperado em muitos países.

Pneumonia atípica

O médico Alexandre Zavascki, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento, lembra que o aumento de casos de pneumonia silenciosa já foi relatado em outros países pós-Covid, que também começou na China. No fim do ano passado, o país asiático relatou um surto de pneumonia em crianças associado a essa bactéria. Pouco tempo depois, pelo menos outros nove países também registraram um número maior de infecções pelo micro-organismo e já era esperado que esse quadro chegasse ao Brasil.

Apesar de ser popularmente conhecida como “pneumonia silenciosa”, a doença causada pela bactéria Mycoplasma pneumoniae tem sintomas. Mas eles são diferentes do quadro tradicional.

— Na verdade, as crianças apresentam muita tosse. Esse é o principal sintoma. No entanto, elas não aparentam estar doentes. A febre costuma ser baixa, não tem muitos sintomas de prostração e falta de ar — explica a médica Maria Helena de Carvalho Bussamra, pneumologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil.

Por isso, ela recomenda chamar de “pneumonia atípica”, em vez de “silenciosa”. Ainda segundo Bussamra, essas infecções costumam ser menos graves do que a pneumonia clássica por pneumococo. Por isso o aumento do número de casos é mais evidente na emergência do que na internação.

— A criança vem ao hospital, tem o diagnóstico de pneumonia e trata em casa com medicação via oral — pontua Bussamra.

A Mycoplasma pneumoniae é transmitida através de gotículas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. As crianças são o principal grupo de risco pela falta de infecção prévia. Em seguida, estão os idosos.

O sintoma mais comum da infecção pela bactéria é a tosse seca. Também pode haver outros sintomas gripais como dor de garganta, cansaço, febre, dor no peito, desconforto e dor de cabeça.

Como os sintomas são os mesmos de infecções causadas por outros patógenos, como vírus, só é possível saber qual vírus ou bactéria está associado a esse sintoma após a realização de testes específicos.

Casos leves não necessariamente precisam de antibiótico, havendo apenas tratamento sintomático. Já os casos mais graves necessitam de antibiótico. Os mais usados para tratar esse tipo de pneumonia são conhecidos como macrolídeos, em especial a azitromicina.

Fonte: O Globo

Comentários

Populares

Governo do Rio divulga resultado de ação contra a poliomielite

Nos primeiros sete dias da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite, 78% das crianças menores de 5 anos já receberam a vacina no Estado do Rio Nos primeiros sete dias da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite, 78% das crianças menores de 5 anos já receberam a vacina no Estado. A meta é imunizar, em todo o País, 95% do total de 14,1 milhões de crianças nesta faixa etária. No Rio de Janeiro, das 1.030.026 crianças que precisam receber a vacina, 810.189 já foram imunizadas. Em 2012, a campanha de prevenção à paralisia infantil será feita em uma única etapa, que vai até dia 6 de julho. Os postos de vacinação permanecerão abertos das 8 às 17 horas. A Secretaria de Estado de Saúde distribuiu aos 92 municípios 1,6 milhão de doses da vacina Sabin (contra a poliomielite), que serão dadas às crianças em 4.200 postos de saúde espalhados por todo o Estado. Em 2011, o Rio de Janeiro superou a cobertura vacinal estipulada pelo Ministério da Saúde. É importante que o...

Outubro Rosa

  Outubro chegou! Durante este mês, o Ministério da Saúde traz conteúdos educativos e histórias inspiradoras relacionadas à detecção e ao tratamento do câncer de mama, com o objetivo de levar informações confiáveis à população. Incentive outras mulheres a adotarem práticas saudáveis e buscarem assistência médica em caso de alterações suspeitas. Informar para proteger. Cuidar para viver. Fonte: Ministério da Saúde

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras Com a recomendação do uso de álcool 70% para limpar superfícies e higienizar as mãos em razão da pandemia de coronavírus, acende-se um novo alerta: o risco de acidentes com queimaduras. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) tem buscado conscientizar a população sobre os cuidados no manuseio e estoque deste produto.“É extremamente necessário redobrar o cuidado com a presença do álcool em casa, especialmente com crianças. Guardar em local que elas não acessem e não utilizar o álcool perto de chamas, como fogão e velas”, frisa o presidente da SBQ, José Adorno.Diante da baixa nos estoques de álcool em gel, a Câmara dos Deputados aprovou a liberação da venda do álcool líquido 70% para o consumidor individual. A proposta segue para votação no Senado. Porém, há uma previsão de que a Anvisa publique uma nova portaria, estabelecendo a venda em embalagens de até 50...

Irritação, euforia, agressividade e depressão podem ser sinais do distúrbio. Doença, que atinge 4% da população brasileira, não tem cura, mas tratamento pode controlá-la

Sintomas como euforia, fala rápida, irritação, agitação, insônia, agressividade, hostilidade e depressão podem ser sinais de vários transtornos que acometem o humor, seja para o polo depressivo, seja para o da euforia. Porém, quando os sintomas vêm alternados em uma mesma pessoa, pode ser um alerta para o transtorno bipolar, uma doença sem cura, mas com tratamento e controle. De acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), o distúrbio atinge 4% da população. O censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, informa que o Brasil tem uma população de 190.732.694 pessoas. A doença se manifesta em fases que alternam a hiperexcitabilidade e a agitação com profunda tristeza e depressão. A duração de cada fase varia de pessoa para pessoa, podendo durar horas, dias, meses e até anos. Um complicador para a pessoa portadora do transtorno surge quando as duas fases se misturam, o chamado estado misto.  “A pessoa pode...

Cristo recebe iluminação vermelha para celebrar Dia Mundial Sem Tabaco

  O Cristo Redentor recebeu iluminação vermelha nesta terça-feira para celebrar o Dia Mundial Sem Tabaco, data instituída pelo OMS (Organização Mundial de Saúde). A ação fez parte da campanha “Sem Tabaco, 100% Fashion”, criada pelos oncologistas do Centro de Câncer de Brasília. No ano passado, foi realizado um desfile-intervenção na Avenida Paulista, em São Paulo. A população foi convidada a participar vestindo vermelho durante o dia. As ações visam diminuir o consumo de cigarro pelo país. De acordo com o oncologista Murilo Buso “o cigarro foi responsável pela morte de mais de cem milhões de pessoas durante o século passado e poderá fazer mais de um bilhão de vítimas durante o século 21”. Buso é um dos idealizadores da campanha antitabagismo que nasceu na capital federal em 2003. Fonte: eBand