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Livros digitais ganham espaço tímido entre os impressos

Mesmo em número limitado, livros digitais podem ser a salvação de editoras no País. Os e-books incentivam a disseminação do conheminto e têm a cara da nova geração

Quando a TV foi inventada, em meados da década de 1940, muita gente acreditava que ela enterraria o rádio. Mais de 60 anos se passaram e ambas estão aí, dividindo público e, muitas vezes, trabalhando em conjunto. Quando os e-books estouraram, há cerca de três anos, a indagação foi a mesma usada no século XX. Se a versão digital dos livros vai dominar o impresso, só o tempo dirá.

No Brasil, a tendência em ler livros em dispositivos eletrônicos como smartphones, tablets ou até mesmo PC ou Mac ainda engatinha. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência e intitulada “Retratos da Leitura no Brasil”, a penetração da leitura de e-books no País ultrapassa 9,5 milhões de pessoas, número que representa, apenas, 5% de toda a população brasileira.

Os dados revelam que os leitores de livros digitais, na maioria, são mulheres, com ensino superior, na faixa etária entre 18 e 24 anos.

Com relação à região, é no Centro-Oeste que estão concentrados o maior número de leitores de e-books - 9% - seguido do Sudeste, com 6%, Sul e Norte, com 5% e Nordeste, com 4%. 

Comparando livros impressos e digitais, o estudo aponta que 52% dos entrevistados acreditam que o formato de papel nunca verá o seu fim. Destes, 17% acreditam que os impressos continuarão, mas em pequenas edições. Já 7% afirmam que é uma questão de tempo para que os livros impressos deixem de ser publicados e outros 7% constatam que os digitais serão sempre para poucos interessados.

Os dados conciliam com outro encontrado pelo Ibope Inteligência. 82% dos brasileiros ouvidos afirmaram nunca ter lido um e-book, o que fortalece a opinião do livro de papel continuar predominante durante ainda vários anos no País. Sobre o formato, 45% dizem desconhecê-lo, 25% afirmam que nunca ouviram falar, mas gostariam de conhecer e 30% já escutaram algo sobre os e-books. Dos que tiveram acesso aos livros digitais, 54% “gostaram muito”, 40% “gostaram um pouco” e 6% disseram não ter gostado. Perguntados se poderiam vir a usufruir da tecnologia, 48% responderam que sim.

Falta incentivo para e-books no Brasil, dizem especialistas.

A disseminação do e-book no Brasil ainda é pequena, comparado com outros países, como os Estados Unidos e o Canadá. A falta de segurança em poder ler e-books através dos tablets em transportes urbanos ou ambientes fora de casa e o pouco investimento do mercado editorial, por exemplo, podem ser considerados alguns dos principais motivos dos poucos títulos publicados no Brasil. Contudo, empresas de revistas já começam a ganhar com este mercado, como é o caso da Editora Abril, que já lançou seu conteúdo para os dispositivos móveis.

A Coluna entrevistou dois especialistas para saber a opinião deles sobre o mercado dos livros digitais no País. São eles o diretor Executivo da Bokess, Marcelo Cazado e o engenheiro de Software da Liferay Brasil, Djalma Araújo. Abaixo você acompanha a entrevista.

O e-book ainda não decolou no Brasil. Na sua opinião, por qual motivo?

Djalma Araújo: O fato do e-book não ter uma grande fatia do mercado no Brasil se dá por vários fatores, como parcela da população com acesso à internet; preços abusivos de tablets, netbooks, notebook e outros; e a falta de conteúdo nas livrarias digitais, onde apenas algumas empresas de grande porte já possuem esta tecnologia. 

Marcelo Cazado: O livro digital traz consigo uma gama de oportunidades para o mercado editorial. No entanto, também é uma ameaça para as empresas estabelecidas que não investem em inovação e não estão dispostas a incorporar novos processos de negócio ao modelo editorial tradicional. 

Vemos editoras investindo em revistas digitais gratuitas. Elas realmente chamam a atenção do usuário de tablets?

Araújo: Chamam. Inclusive, há um bom conteúdo exclusivo para estes dispositivos e já existem várias pessoas mudando de assinaturas convencionais para assinaturas digitais de leitura em tablets, smartphones, etc. Uma das vantagens é que como os dispositivos possuem sistemas de notificações, os usuários são avisados de chegada de conteúdo, ou uma edição nova, e sempre sairá na data, não havendo problema com entrega atrasada em casa, etc.

Cazado: É uma novidade. Mas o mercado editorial tem muito a evoluir, ainda estamos aprendendo a lidar com todas as opções que estas novas tecnologias nos oferecem. Há inúmeras combinações para mesclarmos texto com áudio e vídeo. 

Qual estratégias devem ser adotadas para que os e-books possam conquistar de vez o público brasileiro?

Araújo: O grande diferencial seria se houvessem opções de tablets baratos e disponíveis no mercado brasileiro de forma justa. Uma aliança entre editoras e empresas de tecnologias com porte para produção de dispositivos de leitura digital seria algo extremamente benéfico para toda a população, pois além de trazer soluções inovadoras, disseminaria não só o conteúdo digital, mas poderia também incentivar a leitura no sentido geral.

Cazado: Os e-books irão conquistar, é apenas uma questão de tempo. Principalmente porque são mais baratos, contemporâneos, incentivam a disseminação do conhecimento, têm a cara da nova geração. Com a disseminação dos tablets e e-readers, a procura por e-books tende a aumentar.

Fonte : O Fluminense

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