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Ministério e prefeitura apoiam partos sem médico

Rio -  As mulheres que desejam ter filhos com parteiras, doulas — acompanhantes de gestantes — ou em casa ganharam apoio de peso na causa. O Ministério da Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde afirmaram que reconhecem o trabalho dessas profissionais.
Conforme O DIA publicou nesta segunda-feira, duas resoluções do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), inéditas no País, proibiram essa atuação durante e após o parto. A prefeitura afirmou ainda que vai manter casa em Realengo, onde nascimentos são feitos com ajuda dessas profissionais.

O Cremerj também decidiu que o médico que participar do parto domiciliar será processado disciplinarmente e pode até perder o direito de exercer a profissão.

O Ministério da Saúde afirmou que as resoluções que passaram a valer no Rio de Janeiro não vão afetar as políticas desenvolvidas pelo governo federal.
A filha da apresentadora Ana Maria Braga, Mariana Maffei, 29 anos, deu à luz Joana em casa. Hoje ela tem um ano e meio. Para a jovem, a decisão do Cremerj é política e vai na contramão da história, já que países que são referência em obstetrícia defendem o parto domiciliar.
“As maternidades têm um ambiente hostil muito grande. Existe uma pressão para a parturiente acabar logo com o trabalho de parto e o médico ir embora. Tive a ajuda de duas parteiras e uma doula. Foi a melhor experiência da minha vida. Tenho certeza de que decisão do Cremerj vai cair”, opinou Mariana.

Atualmente, no Brasil, 98% dos partos são hospitalares. Apesar deste índice alto, ainda existem em atuação 60 mil parteiras. O Ministério da Saúde reconhece a categoria e oferece capacitação, desenvolvendo ações para valorizá-las, apoiá-las, qualificá-las e integrá-las ao trabalho ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Em nota, o órgão elogiou o trabalho das acompanhantes de gestantes: “A participação da doula é mais um instrumento humanizador do parto, pois ela acolhe e acompanha as mulheres, dando apoio emocional e incentivo não só às gestantes, mas também a seus familiares.”

Enfermeiros criticam falta de dados para embasar decisão

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren-RJ) vai ao Ministério Público nesta terça-feira para que seja instaurada ação civil pública contra o Cremerj. “Eles não têm número para dizer que a maternidade é mais segura. A iniciativa fere o princípio de liberdade da mulher”, critica o presidente do Coren, Pedro de Jesus.

A Secrearia Municipal de Saúde não vai alterar a estrutura da Casa de Parto David Capistrano Filho, em Realengo, onde os nascimento são feitos com o auxílio de enfermeiras obstétricas, doulas e parteiras, mesmo após as proibições.

Antes mesmo das duas resoluções, o Cremerj já não reconhecia esse modelo de unidade de saúde, porque acredita que elas não têm estrutura adequada para enfrentar parto com complicações.

No mês passado, o Cremerj solicitou ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) a punição do obstetra Jorge Francisco Kuhn, que defendeu, em programa de televisão, o direito de mulheres saudáveis optarem pelo parto domiciliar.

Fonte : O Dia

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