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Pesquisa polêmica diz que fórmula na primeira semana pode beneficiar amamentação a longo prazo

Não custa reforçar que o aleitamento materno exclusivo para bebês de até 6 meses é a recomendação taxativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma nova pesquisa publicada esta semana na revista científica Pediatrics, porém, mostrou que os bebês que perdem mais de 5% do peso nas primeiras 48 horas de vida podem se beneficiar com a introdução precoce de fórmula em pequenas quantidades até que o leite da mãe "amadureça" (o que pode acontecer em até uma semana após o parto).
Para você entender melhor, ocorre que o colostro - a primeira secreção da mama que desce nos primeiros dias após o parto - é rico em proteínas, sais minerais e anticorpos que protegem o bebê contra infecções, por isso a importância de amamentar o recém-nascido neste período. Mas o chamado leite maduro, que contém mais gordura, pode descer só entre o terceiro e o quinto dia depois o parto. Daí a preocupação de alguns bebês perderem peso nos primeiros dias de vida, enquanto o alimento ainda não adquiriu suas novas características. De qualquer forma, vale reforçar que, segundo o critério dos especialistas brasileiros, apenas os bebês que perdem mais de 10% do peso inicial nos primeiros dias são motivo de alarme.
Para desfazer o impasse entre apostar na fórmula ou insistir no aleitamento exclusivo nessa fase inicial, enquanto os ponteiros da balança estão em curva descendente, os cientistas acompanharam 40 recém-nascidos durante os primeiros meses de vida. Metade deles ingeriu 10 ml de fórmula dada com a ajuda de uma seringa após cada mamada durante a primeira semana. A outra metade continuou com a amamentação exclusiva, apesar da perda de peso.

Os resultados mostraram que no grupo que tomou fórmula precocemente, apenas 2 bebês de 20 continuaram precisando dela após uma semana. Entre os que tiveram amamentação exclusiva, 9 de 19 tiveram que usar fórmula após a primeira semana de vida. Com 3 meses, 15 bebês do primeiro grupo estavam sob amamentação exclusiva, comparado com 8 do segundo grupo. A conclusão dos pesquisadores foi de que introduzir a fórmula precocemente pode reduzir a necessidade de seu uso a longo prazo e ainda contribuir para a amamentação exclusiva mais tarde.

A pesquisa é uma das primeiras a avaliar esse procedimento. Isso porque serão necessários novos levantamentos para confirmar esses benefícios da fórmula introduzida precocemente. Por enquanto, a conduta dos médicos continua a mesma:amamentação exclusiva até os 6 meses.

O uso de fórmula só é recomendado em casos muito específicos. Segundo Graziela Lopes del Ben, neonatologista do Hospital e Maternidade Rede D’Or São Luiz (SP), na maioria dos hospitais é considerado tolerável para o recém-nascido perder até 10% de seu peso inicial nos primeiros dias de vida. Alguns demoram até 10 dias para recuperar o peso do nascimento com aleitamento materno exclusivo, e isso não é um problema.

“Para o pediatra recomendar a fórmula, geralmente o bebê está em um grupo de risco. Ou seja, crianças prematuras, que nascem com baixo peso, filhos de mães diabéticas ou aqueles bebês que mesmo mamando perdem mais do que 10% do peso inicial ”, explica Graziela. E quem vai dizer se a complementação é mesmo necessária será o pediatra.

Segundo a neonatologista, a amamentação, apesar de ser um processo natural, nem sempre é tão fácil, mas as mães não devem desistir. “Para a mãe é difícil mesmo. Nem todos os bebês saem mamando. A descida do leite fica melhor do 3º ao 5º dia após o parto. Quando vai para casa, se a mãe estiver tranquila e tiver recebido um bom preparo na maternidade, provavelmente será bem-sucedida na amamentação. Mas se esse não for o caso, deve procurar ajuda dos médicos ou enfermeiros.”

A maior preocupação das mães em relação à fórmula é que o bebê desista de pegar o peito. E isso pode realmente acontecer, uma vez que o gosto do leite é diferente e o bico da mamadeira é muito mais fácil de pegar. Por conta disso, no caso daqueles que necessitam de complemento, a solução geralmente utilizada para evitar esse problema é dar a fórmula em copinho ou, como feito pelos pesquisadores, na seringa.

Fonte: G1

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