Pular para o conteúdo principal

Fiocruz inicia liberação do Aedes aegypti contra a dengue nesta terça no Rio



A Fundação Oswaldo Cruz dá início a uma nova fase de combate à dengue, zika e chikungunya, no Rio nesta terça-feira (29). Com o projeto Eliminar a Dengue, serão soltos em dez bairros da Ilha do Governador 1,6 milhão de mosquitos de Aedes aegypti modificados, contendo a bactéria Wolbachia, que reduz significativamente a propagação do vírus que transmite as doenças. Neste projeto, que termina no final de 2018, também serão soltos mosquitos modificados no Centro e nas zonas Norte e Sul da cidade. Como planejado com a prefeitura, somente a Zona Oeste Ficará de fora, neste primeiro momento.

A liberação em larga escala começa na Ilha do Governador, nos bairros de Ribeira, Zumbi, Cacuia, Pitangueiras, Praia da Bandeira, Cocotá, Bancários, Freguesia, Tauá e Moneró.

Moreira diz que os resultados desta nova fase, ou seja, quando serão percebidos os impactos dos mosquitos com a Wolbachia soltos no ambiente deve levar de três a cinco anos para aparecer, já que o trabalho depende de vários fatores, como a sazonalidade - no calor o mosquito se reproduz com mais rapidez - morte dos insetos pelo fumacê, por exemplo. Por isso, destaca que o método australiano é altamente eficaz, mas não anula as necessidades de toda a população continuar a acabar com os focos do Aedes aegypti.

"O mosquito com a Wolbachia reduz muito a capacidade de transmissão do vírus das doenças, mas não é só isso. Toda a população tem de continuar a fazer o seu trabalho de evitar que a água se acumule em poças ou recepientes, como os pratinhos dos vasos de plantas, os terrenos devem estar limpos, os ralos e calhas secos. Todo mundo tem de continuar a combater o mosquito", observou o pesquisador da Fiocruz.

A partir desta terça, além dos mosquitos adultos com a Wolbachia, também estão sendo colacadas nas residências e em locais público dispositivos para a liberação de ovos dos mosquitos. Agentes de saúde, como Gracileide da Cruz, já estão há uma semana distribuindo folhetos e fazendo um trabalho de conscientização com os moradores da Ilha do Governador.

De acordo com a Fiocruz, a capacidade de produção semanal de ovos do mosquito é de 10 milhões por semana. A liberação acaba em 2018 e espera beneficiar 2,5 milhões de habitantes.

Segundo o pesquisador Luciano Moreira, o mosquito modificado tem capacidade para, a partir de sua reprodução, reduzir em 30% a incidência de epidemias nos locais onde foram soltos. Em 2015, mosquitos modificados foram soltos em Tubiacanga, uma comunidade da Ilha do Governador, e em Jurujuba, em Niterói, na Região Metropolitana. A redução de mosquitos com o vírus da dengue foi de 100% e de 96,5%, respectivamente, nesses locais.

"Trata-se de um projeto australiano, já realizado em 40 localidades no mundo e com resultados muito positivos, com a redução de ausência de epidemias dessas doenças. Na primeira fase do projeto liberamos mosquitos com a bactéria em de agosto de 2015 a janeiro de 2016 e houve uma redução muito grande dos mosquitos com o vírus. O bloqueio desses mosquitos com o vírus varia de 60% a 100%, o que leva a uma ausência de 30 anos de epidemias", explicou Moreira.

"A gente explica o projeto, como funciona, qual o objetivo e os moradores vão construindo a ideia do que é o "Eliminar a dengue". A primeira reação, quando a gente diz que vai soltar mais mosquitos no ambiente é negativo. Mas depois que eles compreendem o processo aceitam bem a ideia e querem colaborar", disse a agente de saúde.

Quanto ao fato de a Zona Oeste ter ficado de fora desta fase do "Elimina a dengue", a subsecretária municipal de Saúde, Beatriz Busch explica que, como não teria verba para atingir toda a cidade, a Prefeitura do Rio - que apoia o projeto - optou-se por áreas com características e capacidade de monitoramento das pesquisas. Depois de soltar os mosquitos são feitas pesquisas de campo - coleta de mosquitos - semanalmente para se verificar o nível de proliferação dos insetos modificados.

"Foi uma opção científica. Optamos junto com a Fiocruz pelas regiões onde há maior infraestrutura de Clínicas de Família e um conglomerado para o acompanhamento dos trabalhos de campo. Mas isso não quer dizer que a Zona Oeste foi esquecida. O trabalho pega toda a Zona Norte até Deodoro, uma cobertura de uma grande área onde vivem 2,5 milhões de pessoas", disse a subsecretária.


Como funciona o 'Aedes do Bem'?

Os mosquitos com a bactéria Wolbachia, que não transmitem a doença, promovem uma substituição gradual da população de mosquitos que transmite a doença.

Nos cruzamentos dos mosquitos que têm e dos mosquitos que não têm a bactéria, a Wolbachia é transmitida e impede que os novos mosquitos passem doenças como dengue, Zika e chikungunya.


Fonte: Bem Estar

Comentários

Populares

Outubro Rosa

  Outubro chegou! Durante este mês, o Ministério da Saúde traz conteúdos educativos e histórias inspiradoras relacionadas à detecção e ao tratamento do câncer de mama, com o objetivo de levar informações confiáveis à população. Incentive outras mulheres a adotarem práticas saudáveis e buscarem assistência médica em caso de alterações suspeitas. Informar para proteger. Cuidar para viver. Fonte: Ministério da Saúde

Ataques cardíacos são mais fatais em meses mais frios, aponta estudo

De acordo com um novo estudo realizado por médicos cardiologistas do hospital britânico Leeds General Infirmary, os ataques cardíacos são mais fatais em meses mais frios. O estudo foi apresentado nesta terça-feira, 5, na Conferência da Sociedade Cardiovascular Britânica em Manchester, Inglaterra. O estudo comparou os dados de mais de quatro mil pacientes que receberam tratamento para ataque cardíaco em quatro anos separados, e descobriram que os ataques cardíacos mais graves foram mais fatais nos seis meses mais frios, em comparação com os mais quentes. O número total de ataques cardíacos foi aproximadamente o mesmo na metade mais fria do ano, em comparação com os meses mais quentes, com os mais sérios ataques cardíacos levando à parada cardíaca e choque cardiogênico. Porém, o risco de morrer nos 30 dias depois de ter de um ataque cardíaco grave foi quase 50% maior nos seis meses mais frios, em comparação com os seis meses mais quentes. A parada cardíaca é quando o c...

UFF Responde: Tuberculose

  No dia 17 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Combate à Tuberculose, data que reforça a importância da conscientização sobre uma das doenças infecciosas mais antigas e ainda presentes no mundo. Segundo dados do  Ministério da Saúde , o Brasil registrou cerca de 84 mil novos casos em 2025, o maior número das últimas duas décadas. Fatores como a desigualdade social, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e   o abandono do tratamento contribuem para o avanço da doença. O problema também é agravado pela disseminação de desinformação sobre vacinas e doenças infecciosas, o que dificulta o enfrentamento da tuberculose e retarda o diagnóstico precoce — essencial para interromper a cadeia de transmissão. Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a enfermidade afeta principalmente os pulmões e pode ser transmitida pelo ar, por meio da tosse, fala ou espirro de pessoas infectadas. Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tube...

Quais sinais indicam a perda do bebê na gravidez? Casos de Tati Machado e outras famosas acendem alerta para gestantes

  Nos últimos meses, algumas celebridades enfrentaram a dor de perder um bebê durante a gestação. Nesta semana, a jornalista Tati Machado e a atriz Micheli Machado contaram que passaram por isso para seus seguidores. Ambas estavam na reta final da gravidez. Meses antes, a influenciadora Maíra Cardi e a apresentadora Sabrina Sato também falaram que passaram por abortos espontâneos. Ainda que a gestante faça um bom pré-natal e tome todos os cuidados, estes casos podem acontecer. E nesse momento, o apoio emocional é o mais importante para as mulheres. — Mesmo na ausência de doenças ou fatores de risco, a perda gestacional pode ser inevitável e nem sempre terá uma causa determinada, o que gera ainda mais angústia para quem passa por esse luto. Mesmo com todos os cuidados, algumas perdas simplesmente acontecem, e não devem ser motivo de culpa. O mais importante é que as mulheres que vivenciam esse processo sejam acolhidas com empatia, escuta e apoio profissional — ressalta a obstetra ...

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras Com a recomendação do uso de álcool 70% para limpar superfícies e higienizar as mãos em razão da pandemia de coronavírus, acende-se um novo alerta: o risco de acidentes com queimaduras. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) tem buscado conscientizar a população sobre os cuidados no manuseio e estoque deste produto.“É extremamente necessário redobrar o cuidado com a presença do álcool em casa, especialmente com crianças. Guardar em local que elas não acessem e não utilizar o álcool perto de chamas, como fogão e velas”, frisa o presidente da SBQ, José Adorno.Diante da baixa nos estoques de álcool em gel, a Câmara dos Deputados aprovou a liberação da venda do álcool líquido 70% para o consumidor individual. A proposta segue para votação no Senado. Porém, há uma previsão de que a Anvisa publique uma nova portaria, estabelecendo a venda em embalagens de até 50...