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Estudantes cariocas ganham prêmio internacional por criarem coletor menstrual para astronautas

Oito estudantes do Rio foram campeões da competição internacional Global Innovation Award (Prêmio de Inovação Global, traduzido do inglês), que terminou na terça-feira (02), em San José, na Califórnia (EUA). A equipe de robótica do Colégio Franco-Brasileiro desenvolveu um projeto de coletor menstrual para ser usado por astronautas em missões espaciais. Além do prêmio dado pelo júri especializado, o grupo também saiu vitorioso na votação popular. Esta foi a primeira vez que uma equipe brasileira chega à final da competição.
Nomeado de CosmoCup, o produto é inspirado nos coletores menstruais que se popularizam no Brasil nos últimos anos. A inovação está na tampa inteligente, que só permite a entrada ou saída de material em seu interior mediante pressão. De acordo com os criadores, as contrações uterinas que naturalmente expelem o fluxo menstrual são capazes de acionar o mecanismo e direcionar o sangue para o interior do coletor, e a pressão das mãos em ambiente controlado possibilita a limpeza do dispositivo.
— Este projeto surgiu de maneira inesperada, quando começamos a pesquisar sobre problemas enfrentados por astronautas, a proposta deste ano da competição. Durante a pesquisa, descobrimos que a menstruação ocorre normalmente no espaço e que as astronautastinham dificuldade para lidar com isto. Pensamos em um produto que a mulher pudesse utilizar sem sujar a aeronave — explica Rosangela Nezi, professora de robótica e técnica da equipe.
A menstruação é uma questão que dificulta a ida de astronautas a missões espaciais. Para cada mulher, são necessárias cerca de 11 mil comprimidos anticoncepcionais ou 3 mil absorventes, por missão. O uso contínuo da pílula evita a menstruação, mas pode trazer efeitos colaterais que prejudiquem a saúde das mulheres.
Protótipo foi confeccionado por uma impressora 3D.
A competição internacional ampliou a possibilidade de aprendizagem da equipe, composta por meninos e meninas de 15 a 17 anos. Além de pensarem juntos sobre como desenvolver esta nova tecnologia, os alunos estudaram também a anatomia do corpo feminino, para entender os diversos tipos de fluxos menstruais e criar um protótipo que se adequasse às necessidades das mulheres.
— É muito gratificante ser reconhecida por um projeto como estes. Estamos em uma época em que as mulheres lutam por igualdade de gênero, mas a quantidade de astronautas mulheres que já foram ao espaço é muito inferior a de homens. Estamos felizes por plantarmos esta semente e ajudar mais mulheres a irem a missões. A menstruação é algo natural e não deveria ser um problema — diz Mariana Lopes, de 15 anos, aluna do 1º ano do Ensino Médio.

Próximo etapa depende de parcerias

O protótipo vencedor foi montado com peças confeccionadas por uma impressora 3D. Para testar o CosmoCup em mulheres é preciso que ele seja fabricado com o silicone hipoalergênico e antibacteriano usado nos coletores tradicionais. O problema é que apenas as indústrias que comercializam este produto possuem autorização para comprar este silicone especial.
— Para alcançarmos a próxima etapa, precisamos da ajuda da empresa que faz os copos coletores. Fizemos apenas o material para teste. Como não podemos comprar material específico, estamos em busca de um paceiro que possa produzir para fazemos o teste (com mulheres). Na competição, estavam presentes algumas empresas que poderiam nos ajudar. Estamos na esperança de fazermos o contato para colocarmos o projeto para frente — conta Rosangela Nezi.
Foram seis meses de teste até desenvolver o coletor menstrual para astronautas premiado na competição. De acordo com a professora, foi preciso refazer várias vezes para acertar o tamanho que comportasse o fluxo e a espessura do copo.
— Este foi um trabalho desenvolvido em grupo e apoiado por toda a escola — finaliza a técnica.
Em junho, o grupo vice-campeão no Campeonato Internacional do Líbano com o mesmo projeto. Na competição libanesa, além dos desafios técnicos, os alunos precisaram enfrentar a questão cultural de abordar uma problemática que envolve menstruação.
Fonte: Jornal Extra

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