Claudia Raia relatou ter passado por cirurgia de retirada de hérnia após gravidez; entenda o quadro e como tratar o problema
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Seis meses após o nascimento de Luca, Claudia Raia, de 56 anos, compartilhou em suas redes sociais que precisou passar por uma cirurgia para a retirada de quatro "grandes'' hérnias decorrentes da gravidez e por conta de uma diástase. A atriz enfatizou ainda para seus seguidores mudanças que podem ocorrer no corpo da mulher após o parto e contou, de forma bem-humorada, sua experiência nessa terceira gestação. Mas como se dá e o que causa uma hérnia? Qual a gravidade? Para esclarecer as principais dúvidas sobre essa questão, o EXTRA conversou com o médico Rodrigo Ferraz Galhego, cirurgião do Aparelho Digestivo com foco em Parede Abdominal e Cirurgia Robótica. Além de tirar várias dúvidas sobre o problema que afetou a atriz, ele destaca que atualmente há uma técnica cirúrgica moderna e pouco invasiva para tratar desses casos. Entenda:
O que é uma hérnia?
Hérnias são orifícios ou fraquezas na musculatura da parede abdominal, e por esse orifício pode haver saída de gordura ou qualquer órgão, mais comumente o intestino. Os sintomas podem ser mais intensos com esforço físico. Entre os mais comuns, estão a presença de um bolinha na região da hérnia.
O que é uma diástase? Existe relação com a gravidez?
A diástase abdominal é a separação dos músculos reto-abdominais que pode ser causada por obesidade. Porém, a principal causa é a gestação, pelo crescimento uterino e consequente aumento da pressão e do volume intra-abdominal. Além da questão estética, a diástase pode causar dor lombar, incontinência urinária, dor abdominal e inchaço.
No caso de Claudia Raia, a gestação é a principal causa da formação da diástase. O quadro reduz a força muscular do abdome, facilita ainda o aparecimento de hérnia umbilical e epigástrica.
Quais são os principais tipos de hérnias e diástases?
As principais são a hérnia Inguinal, a Femoral, a Umbilical, a Epigástrica, a Incisional, a de Hiato e a diástase dos Retos Abdominais.
Homens também podem ter esse diagnóstico?
A hérnia umbilical e a diástase acabam sendo mais comuns nas mulheres, por conta da gravidez, mas também afetam homens, principalmente obesos. A hérnia mais comum do homem é a inguinal, na região da virilha, que também pode afetar mulheres, embora seja mais raro.
É comum o aparecimento de uma hérnia?
O aparecimento de hérnias é considerado comum, já que cerca de 20 a 30% dos homens podem ter alguma hérnia inguinal ao longo da vida. Em paralelo, 8 a 10% das pessoas adultas podem desenvolver uma hérnia umbilical.
Já a hérnia incisional é causada após uma incisão, ou seja, diante de qualquer corte, trauma ou cirurgia que entre na barriga. Elas são as mais difíceis e mais complexas, porque tem uma cirurgia prévia e, às vezes, tem múltiplas cirurgias anteriores e, por isso, são mais difíceis de tratar.
Como se dá o tratamento?
O tratamento é essencialmente cirúrgico. Na clínica, realizo uma cirurgia de forma minimamente invasiva, com apenas 3 furinhos de meio centímetro, que ficam escondidos debaixo do biquíni (podemos usar a cicatriz da cesárea). A cirurgia pode ser feita por videolaparoscopia ou robótica e possibilita um rápido retorno às atividades do dia-a-dia e aos exercícios físicos. Pode ainda ser associada a procedimentos de lipoaspiração e retração de pele, sendo, hoje, a forma mais moderna de reparo, explica o médico Rodrigo Ferraz Galhego.
Qual a grande diferença da cirurgia por videolaparoscopia para outros tipos de cirurgia de hérnia?
A cirurgia por videolaparoscopia deve ser utilizada para tratamento de diástase e hérnias pequenas, como as umbilicais ou epigástricas. Não serve para todos os tipos de hérnias. Por exemplo, as inguinais têm um tratamento diferente e as ventrais ou incisionais grandes, complexas ou recicladas tem outros tratamentos diferentes também mais avançados.
Claudia Raia revelou ter sido surpreendida com a aparição de mais de uma hérnia. Isso é comum?
Isso é comum e costumamos chamar de hérnia em queijo suíço, que é quando nós, médicos, achamos que tem só um "buraquinho" e, quando chega na cirurgia, percebemos outros dois, três ou quatro. Mesmo nesse caso, podemos optar pela técnica da cirurgia por videolaparoscopia.
O pós-operatório é complicado?
Por não sofrer grandes cortes, o paciente que passa por uma cirurgia por videolaparoscopia ou robótica tem alta no mesmo dia, não sente dor pós-operatória, tem um retorno rápido às atividades normais e, até mesmo, aos exercícios físicos.
Essa cirurgia é coberta pelo SUS?
Cirurgias de hérnia ocorrem no SUS, mas infelizmente é muito raro ter a cirurgia minimamente invasiva no sistema, principalmente para hérnia. A maioria das cirurgias de hérnia no SUS é aberta, com técnicas mais antiquadas e com menos tecnologia.
Vale ressaltar que muitas hérnias, a maioria no SUS, são operadas de emergência, o que geralmente é a pior situação.
O cirurgião Rodrigo Galhego atua no Centro Médico São José, no Humaitá, na Zona Sul do Rio, e no Centro Médico Fenix, em Duque de Caxias.
Fonte: Jornal Extra
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