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Estudo pode mudar o tratamento do câncer de mama em mulheres jovens

Uma droga que bloqueia o hormônio feminino estrogênio teve melhores resultados do que um medicamento já usado há anos, o tamoxifeno, em evitar o retorno de tumores em mulheres mais jovens com estágio inicial de câncer de mama. A descoberta, apresentada neste domingo, durante o 50º Congresso Americano de Oncologia Clinica (Asco), em Chicago, pode mudar a forma como as pacientes são tratadas, disseram pesquisadores americanos.

Aromasin, um medicamento desenvolvido pela Pfizer e já disponível no Brasil desde 2007, cujo principio ativo se chama exemestano, pertence a uma classe de tratamentos chamados inibidores da aromatase, que são normalmente utilizados em mulheres na pós-menopausa com baixos níveis de estrogênio.

A aromatase é uma enzima que converte o hormônio andrógeno em pequenas quantidades de estrogênio. Ao inibir a ação da enzima aromatase, esses medicamentos impedem a transformação dos hormônios sexuais liberados pela suprarrenal em estrógeno, privando as células malignas desse fator de crescimento.

Esses medicamentos não costumam ser usados em mulheres mais jovens, com ovários produzindo estrogênio. Pare essas pacientes com câncer hormônio-dependente, o padrão para a prevenção da recorrência é um tratamento de cinco anos com uma droga chamada tamoxifeno. Em casos de alto risco, médicos em alguns países recomendam exemestano combinado a alguma terapia que 'desligue' os ovários, cortando do fornecimento de estrogênio.

Pesquisadores internacionais testaram se os inibidores da aromatase, combinados a tratamentos que bloqueiam os ovários, teriam uma açāo mais efetiva do que o tamoxifeno em dois ensaios clínicos envolvendo 4.690 mulheres na pré-menopausa.

Todas as mulheres nos estudos foram submetidas a um tratamento para bloquear a função dos seus ovários, quer por meio de uma droga chamada triptorelina, remoção cirúrgica dos ovários ou o uso de radiação. Além disso, um gripo usou exemestano e o outro, tamoxifeno.

— A análise conjunta dos dois ensaios internacionais conhecidos como Soft e Text mostrou que o exemestano foi mais eficaz em manter o câncer controlado quando a função ovariana da mulher foi suprimida — disse uma das principais pesquisadoras do estudo Olivia Pagani, do Oncology Institute of Southern Switzerland, na Suíça.

Especialista em câncer de mama e presidente do Asco, Clifford Hudis afirma que, com a supressão ovariana, os inibidores da aromatase ofereceram uma opção para reduzir ainda mais o risco de recorrência. No entanto, algumas questões permanecem.

Embora os inibidores de aromatase tenham demostrado um benefício na prevenção da recorrência, os pesquisadores ainda têm de apresentar dados que mostrem se o tratamento também prolonga o tempo de vida da paciente em comparação ao tamoxifeno. Os resultados dessa fase do estudo são esperados para o final deste ano.

Claudine Isaacs, diretora do Programa de Câncer de Mama em Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center, lembra que a supressão da função ovariana "não é desprezível":
— Isso vem acompanhado por todos os efeitos colaterais envolvidos, como ondas de calor, secura vaginal, perda óssea e possível aumento do risco de doença cardíaca.

* A repórter viajou a convite do laboratório farmacêutico Pfizer".

Fonte: Jornal Extra


Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/estudo-pode-mudar-tratamento-do-cancer-de-mama-em-mulheres-jovens-12686839.html#ixzz33U13nXcJ

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