Pular para o conteúdo principal

Especialista esclarece dúvidas sobre refluxo de bebês


Cerca de 67% dos bebês prematuros regurgitam entre o quarto e o quinto mês de vida, no entanto, não são só eles que podem sofrer de refluxo, todos os recém-nascidos são suscetíveis. Na maioria das vezes, trata-se do refluxo fisiológico, provocado pela imaturidade do sistema digestivo dos pequenos e não causa maior desconforto. Esse tipo regride espontaneamente conforme a criança cresce e pode ser contornado com soluções paliativas.

A volta do leite não é o único sinal do refluxo, há casos em que o bebê tosse, apresenta chiado no peito e tem dificuldade para respirar. “A mãe também pode desconfiar do problema quando a criança chora demais, fica irritada, inquieta, dorme mal e recusa alimentos. Essas reações são resultado do desconforto causado pela acidez. Não é raro também que o refluxo seja confundido com cólicas”, afirma Cynthia Amaral, coordenadora da área de Atenção Clínica ao Recém-Nascido do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

Abaixo, a profissional esclarece as principais dúvidas sobre o assunto.

O que é o refluxo?
O refluxo é caracterizado pelo retorno do conteúdo do estômago para o esôfago e outras áreas como a boca. É um evento comum nos primeiros meses de vida, que na maioria das vezes não causa sintomas graves e está ligada à regurgitação, também conhecida como golfada. Essas acontecem duas ou mais vezes por dia em quase metade das crianças até os dois meses, e em 1% daquelas com cerca de um ano. A melhora, espontânea, está relacionada ao crescimento e desenvolvimento da criança.

Como identificar o refluxo?
Cabe ao pediatra diferenciar o refluxo fisiológico — ou seja, aquele sem sintomas — do caracterizado como doença do refluxo, que pode provocar complicações. Assim, ele orientará a família adequadamente e definirá um tratamento se julgar necessário. A maioria dos diagnósticos são clínicos, ou seja, feito pela história, exame físico e avaliação do ganho de peso. Os exames complementares geralmente não são necessários

O que pode indicar quadros mais acentuados?
O refluxo torna-se doença quando a frequência, a duração e a quantidade do material refluído são elevadas e associam-se a alguns sintomas. Entre eles estão recusa alimentar, sangramento digestivo, dificuldade respiratória, episódios de bradicardia (redução do ritmo cardíaco), anemia, irritabilidade excessiva, ganho de peso insatisfatório e choro constante.

Qual o tratamento para o refluxo?
A maioria dos bebês precisa apenas de algumas medidas para diminuir o desconforto. São elas: evitar balançá-los, não vestir roupas que apertem a barriga, não deixar chorarem por muito tempo, botar um calço de 10 cm para manter a cabeceira do berço elevada cerca de 30 graus, ter uma boa posição durante as mamadas para prevenir a entrada de ar pela boca e, após terminar, deixá-los no colo, na posição vertical, por mais ou menos 30 minutos.

Os casos graves devem ser acompanhados por pediatra e/ou gastroenterologista, somente eles têm capacitação para interpretar os exames e escolher a terapia correta para cada paciente.

Fonte: Fiocruz

    Comentários

    Populares

    Outubro Rosa

      Outubro chegou! Durante este mês, o Ministério da Saúde traz conteúdos educativos e histórias inspiradoras relacionadas à detecção e ao tratamento do câncer de mama, com o objetivo de levar informações confiáveis à população. Incentive outras mulheres a adotarem práticas saudáveis e buscarem assistência médica em caso de alterações suspeitas. Informar para proteger. Cuidar para viver. Fonte: Ministério da Saúde

    Irritação, euforia, agressividade e depressão podem ser sinais do distúrbio. Doença, que atinge 4% da população brasileira, não tem cura, mas tratamento pode controlá-la

    Sintomas como euforia, fala rápida, irritação, agitação, insônia, agressividade, hostilidade e depressão podem ser sinais de vários transtornos que acometem o humor, seja para o polo depressivo, seja para o da euforia. Porém, quando os sintomas vêm alternados em uma mesma pessoa, pode ser um alerta para o transtorno bipolar, uma doença sem cura, mas com tratamento e controle. De acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), o distúrbio atinge 4% da população. O censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, informa que o Brasil tem uma população de 190.732.694 pessoas. A doença se manifesta em fases que alternam a hiperexcitabilidade e a agitação com profunda tristeza e depressão. A duração de cada fase varia de pessoa para pessoa, podendo durar horas, dias, meses e até anos. Um complicador para a pessoa portadora do transtorno surge quando as duas fases se misturam, o chamado estado misto.  “A pessoa pode...

    SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras

    SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras Com a recomendação do uso de álcool 70% para limpar superfícies e higienizar as mãos em razão da pandemia de coronavírus, acende-se um novo alerta: o risco de acidentes com queimaduras. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) tem buscado conscientizar a população sobre os cuidados no manuseio e estoque deste produto.“É extremamente necessário redobrar o cuidado com a presença do álcool em casa, especialmente com crianças. Guardar em local que elas não acessem e não utilizar o álcool perto de chamas, como fogão e velas”, frisa o presidente da SBQ, José Adorno.Diante da baixa nos estoques de álcool em gel, a Câmara dos Deputados aprovou a liberação da venda do álcool líquido 70% para o consumidor individual. A proposta segue para votação no Senado. Porém, há uma previsão de que a Anvisa publique uma nova portaria, estabelecendo a venda em embalagens de até 50...

    Hérnia inguinal pode levar à morte se não for operada logo

    As inovações no tratamento da hérnia inguinal estão entre os temas a serem abordados na quarta edição do Congresso Brasileiro de Hérnia e da Convenção Latinoamericana de Hérnia, que serão realizados entre amanhã e sábado, em Búzios, na Região dos Lagos. Embora muitas pessoas que sofrem do problema adiem a solução, todos os casos necessitam de intervenção cirúrgica, cujo índice de cura alcança 98%. Se não cuidado, o problema pode desencadear complicações que trazem risco de morte ao paciente. Segundo o cirurgião geral Júlio César Beitler, presidente da Sociedade Brasileira de Hérnia, cerca de 5% da população mundial já teve, tem ou terá hérnia inguinal. Os primeiros sintomas costumam ser inchaço abdominal e desconforto local. Ao surgimento desses sinais, é preciso procurar um médico para investigar o caso. O diagnóstico é clínico, na maioria das vezes. Mesmo nas pessoas em que o problema desaparece devem buscar auxílio, já que a hérnia inguinal não é curada sozinha. — Não p...

    Histerectomia: quando a remoção do útero é necessária e quais problemas ela pode trazer para a saúde física e mental

      As indicações de cirurgia de remoção do útero (histerectomia) estão diminuindo cada vez mais – tanto em casos de doenças benignas quanto malignas - mas o procedimento ainda é um dos mais realizados em mulheres, em todo o mundo. Ele é indicado quando a paciente tem um sangramento uterino anormal, que prejudica muito a qualidade de vida, ou por causa de cânceres. Essa cirurgia em geral ocorre na quarta década de vida da mulher, em casos benignos, mas pode ocorrer em qualquer idade no caso de doenças malignas. Quando é indicada em pacientes mais jovens – o que é bastante raro – é por conta de tumor maligno ou malformação genética ou congênita do útero, que o impede de funcionar adequadamente, segundo a médica Marair Gracio, presidente da Comissão de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). A retirada somente do útero, biologicamente, não afeta em nada a vida sexual da mulher. Mas quando a histerectomia precisa...