
Um artigo publicado pela revista "Scientific American" em novembro, apresenta uma entrevista com o neurocientista da Universidade de Stanford Andrew Huberman, em que ele aponta que nossos níveis de estresse não têm relação apenas com o conteúdo que lemos ou assistimos, mas também estão estreitamente ligados ao que nossa visão capta e à nossa respiração.
Segundo o neurocientista, quando vemos algo estressante nossa frequência cardíaca e respiração aumentam e as pupilas se dilatam, como se nosso sistema visual entrasse "no equivalente ao modo retrato em um smartphone". "Este é um mecanismo primitivo e antigo pelo qual o estresse controla o campo visual", explica Huberman, na entrevista, e afirma ser possível desligar a resposta ao estresse mudando a maneira como vemos o ambiente.
Da mesma forma, ele afirma que a maneira como respiramos causa um impacto muito forte em nossos níveis de estresse. "Se você quiser aumentar sua frequência cardíaca, inspire mais do que expira. O oposto também é verdade", diz Huberman. Essa compreensão pode nos ajudar a lidar com o estresse, principalmente no momento de inseguranças e crises provocadas pela pandemia da Covid-19.
A neurocientista Ana Carolina Souza, sócia da empresa Nêmesis, explica que o estresse é uma resposta de defesa do nosso corpo, que pode ocorrer quando há uma ameaça concreta, física ou emocional, ou quando a pessoa antecipa algo que tem medo que aconteça.
— É uma resposta natural do nosso organismo para reagir a essas situações. Pode ocorrer quando recebemos uma notícia ruim, somos cobrados de algo que não damos conta, ou temos medo de perder o emprego, por exemplo. Essa resposta pode ser curta, ou se estender, se tornando crônica, o que seria a parte negativa do estresse — afirma, e destaca: — Quando fica muito sobrecarregado, vemos o burnout e doenças ligadas ao estresse como gastrite, úlcera, pressão alta e diabetes.
A psicóloga Adriana Cabana, do Grupo Prontobaby, alerta que o excesso de estresse pode causar diversos prejuízos para a vida social.
— A pessoa fica tão irritada que não consegue se relacionar bem, tem insônia, o que causa um desconforto corporal muito grande e cansaço. Ela não consegue ser tão produtiva no trabalho e é comum ter falta de concentração. A desatenção é tão grande que pode até causar acidentes — afirma, e recomenda: — Se a pessoa perceber que o nível de estresse está causando prejuízo na sua vida social ou familiar, já é o ponto de pedir ajuda profissional.
Souza destaca que estamos em um período adverso, lidando com muitas inseguranças, medos e sobrecargas, o que tem deixado as pessoas com níveis de estresse mais altos. Por isso, ganhar consciência do uso da visão e respiração são ações simples, que podem trazer benefícios.
— Se por um lado a situação que gera uma resposta de alerta do corpo faz com que a visão fique focada, olhar panoramicamente pode fazer com que o alerta diminua, gerando um contraponto a nossa própria emoção — explica a neurocientista, e completa: — A respiração é outro mecanismo parecido. No momento de estresse ela fica mais curta e mais rápida, e o contraponto é a respiração mais profunda, longa.
Dicas rápidas para aliviar o estresse usando a visão e a respiração:
Olhe para o horizonte - Uma recomendação para aliviar os níveis de estresse é direcionar o olhar para uma paisagem mais ampla. Isso pode ser feito em um passeio em uma praia ou campo, em contato com a natureza, mas caso não seja possível devido às restrições da pandemia, outra opção é fazer isso olhando pela janela, até onde a visão alcançar, sem focar em um lugar específico, de forma exploratória.
Respire fundo - Respire de forma profunda e prolongada, usando o dobro do tempo para soltar o ar do que usou para inspirar. Isso permite gerar para o corpo um sinal de relaxamento e de calma, diminuindo o alerta relacionado ao estresse.
Inclua na rotina - Essas práticas podem ser feitas não só no momento de estresse, mas também podem fazer parte da rotina: tirando um tempo para olhar pela janela quando acorda, ou fazendo pausas durante o dia para isso. A respiração profunda pode ser feita três vezes ao dia, de 2 a 5 minutos, ou nos momentos de transição, quando vai começar a trabalhar e no fim do dia, por exemplo.
Evite muito tempo nas telas - Quando usamos o celular ficamos com a visão focada. Após um dia de trabalho, estudos, ou uma reunião difícil, por exemplo, essa atividade não vai trazer benefícios para os níveis de estresse.
Cuidado com o videogame - Os jogos de videogame costumam trazer um excesso de estímulos, não só da visão, com imagens coloridas, mas também de sons. Isso pode aumentar o estresse, e muitas vezes atrapalha também o sono, pela alta descarga de adrenalina durante o jogo.
Fonte: Jornal Extra
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