Pular para o conteúdo principal

VSR: vacina para principal causa de bronquiolite em crianças deve estar disponível em breve

 

Criança internada. Foto: Freepik
Criança internada. Foto: Freepik Freepik

O vírus sincicial respiratório ou simplesmente, VSR, é uma das causas mais comuns de problemas respiratórios, em especial do trato inferior, que afeta brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. Na maioria dos casos, o patógeno causa apenas sintomas leves, semelhantes aos de um resfriado. Entretanto, para determinados grupos, como bebês e idosos, o vírus pode representar uma grave ameaça.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o VSR está associado a até 75% dos casos de bronquiolite, inflamação que dificulta a chegada do oxigênio aos pulmões, e a até 40% dos registros de pneumonia em crianças menores de dois anos.

— A doença se manifesta de forma grave em crianças muito pequenas, principalmente com menos de 6 meses de idade. Também há um risco alto para crianças com determinados fatores de risco, como prematuridade, cardiopatia, imunodepressão e doença pulmonar — diz o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, gerente médico do Sabará Hospital Infantil.

Os sintomas mais comuns do VSR são coriza, espirros, tosse seca, dor de garganta e dor de cabeça. Entretanto, quando o quadro evolui para condições mais graves, como bronquiolite e pneumonia, também pode haver febre, cansaço, dificuldade para respirar (a respiração da criança torna-se mais rápida e difícil), chiado no peito e até mesmo lábios azulados, um indicativo de que a respiração não está entregando oxigênio suficiente para a corrente sanguínea.

Segundo Oliveira Junior, a maioria dos casos não necessidade de internação. Mas, ao menor sinal de desconforto respiratório, como respirar com uma frequência maior que o habitual, maior abertura das narinas ao inspirar e retração da musculatura ao lado do pescoço e entre as costelas, a criança deve ser levada ao médico para avaliação.

Não há tratamento específico para o VSR. Em geral, os sintomas persistem por uma semana. Mas, é possível ameniza-los com analgésicos e muita hidratação. Além disso, em casos graves, o tratamento de suporte, que pode incluir suplementação de oxigênio, inalação e fisioterapia respiratória são fundamentais.

— Se tiver tratamento adequado, o risco de óbito é baixo. Mas pode acontecer, em especial entre recém-nascidos prematuros — diz o infectologista.

No entanto, o VSR é a segunda principal causa de morte durante o primeiro ano de vida, em todo o mundo, perdendo apenas para a malária. Um estudo publicado na revista científica The Lancet concluiu que o VSR foi responsável pela morte de 100 mil crianças menores de cinco anos em todo o mundo em 2019. A imensa maioria destes óbitos - 97% - foram registrados em países de baixa e média rendas.

Tampouco existem vacinas contra esse vírus. A prevenção é a mesma de outras infecções respiratórias: lavar bem as mãos, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar. Medidas adicionais incluem reduzir o número de pessoas que tem contato com a criança, em especial recém-nascidos e aquelas com fatores de risco, higienizar as mãos antes do contato com a criança e evitar levá-la desnecessariamente a locais com aglomeração.

Embora não exista vacina, o Ministério da Saúde oferece gratuitamente, para grupos de risco, um anticorpo monoclonal capaz de prevenir a infecção. Trata-se do palivizumabe, aplicado em forma de injeção mensal, durante o período de circulação do vírus. A indicação é para crianças prematuras de até 29 semanas e com idade inferior a 1 ano, além de crianças de até 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade, doença cardíaca congênita ou repercussão hemodinâmica demonstrada. Desde 2018, os planos de saúde também são obrigados a cobrir os custos do medicamento nestas mesmas circunstâncias.

— Para esses bebês de risco, utilizamos um imunizante passivo. Diferente da vacina, que induz o corpo a produzir o anticorpo, esse medicamento já oferece o imunizante pronto para protegê-la durante o período de circulação do vírus — explica o pediatra e infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP.


Sazonalidade

Tradicionalmente, o período de maior circulação do VSR no Brasil é entre fevereiro e junho e antecede a circulação do influenza, que é mais comum no inverno. Entretanto, desde o início da pandemia de Covid-19, a sazonalidade desse vírus está um pouco bagunçada.

— No primeiro ano da pandemia, o VSR praticamente desapareceu e desde 2021, ele tem aparecido sem respeitar muito essa sazonalidade. Em 2022, por exemplo, tivemos muitos casos de infecção no final do ano, o que não era comum. Este ano, aparentemente, o vírus vai aparecer no período esperado — explica o infectologista.


Atualmente, no Sabará, o rinovírus é responsável pela maior parte dos casos atendidos no hospital. Mas o VSR já aparece em segundo lugar e a expectativa é que sua prevalência aumente nas próximas semanas. Dados do boletim Infogripe, da Fiocruz, mostraram aumento da prevalência do VSR entre dezembro de 2022 e janeiro deste ano, com predomínio de casos em crianças de até quatro anos em diversos estados. Atualmente, o vírus é a segunda causa mais comum de internações por síndrome respiratória aguda grave SRAG), atrás apenas do coronavírus, com 26,8% dos casos.

Para o futuro

Já se passaram mais de 60 anos desde que o vírus sincicial respiratório foi identificado pela primeira vez e, até hoje, ainda não foi possível desenvolver uma vacina para preveni-lo. Mas não faltaram tentativas.

— É uma necessidade não atendida, que os pediatras desejam muito. Há muito tempo buscamos uma vacina, mas as do passado não funcionaram bem e tinham efeitos colaterais grandes — avalia Kfouri.

Mas novas tecnologias estão prestes a mudar esse cenário. Atualmente, três farmacêuticas - GSK, Moderna e Pfizer – realizam estudos em humanos de potenciais imunizantes contra o vírus. A expectativa é que em breve, pelo menos um deles seja aprovado.

A farmacêutica Moderna disse no início do ano que sua vacina experimental de RNA mensageiro (mRNA) para o vírus sincicial respiratório (VSR), mesma tecnologia utilizada no imunizante contra o novo coronavírus, foi 83,7% eficaz na prevenção de pelo menos dois sintomas, como tosse e febre, em idosos.

Já a Pfizer afirmou que sua vacina contra o VSR demonstrou eficácia e segurança na fase 3 de testes clínicos. No estudo, a vacina não foi administrada nos bebês, mas na gestante, durante o final do segundo ao terceiro trimestre da gravidez. Os resultados mostraram que o imunizante foi 81,8% eficaz em prevenir infecções graves do trato respiratório inferior nos primeiros três meses de vida e 69,4% nos primeiros seis meses. A vacina foi considerada bem tolerada, sem preocupações de segurança para as mães e seus recém-nascidos.

— A expectativa é que antes de chegarem aos bebês especificamente, essas vacinas sejam inicialmente aprovadas para idosos e para gestantes. No caso da vacinação da grávida, o objetivo é conferir uma imunização rápida ao bebê no início da vida, quando ele está mais vulnerável — afirma Kfouri.

Fonte: Jornal Extra 

Comentários

Populares

Outubro Rosa

  Outubro chegou! Durante este mês, o Ministério da Saúde traz conteúdos educativos e histórias inspiradoras relacionadas à detecção e ao tratamento do câncer de mama, com o objetivo de levar informações confiáveis à população. Incentive outras mulheres a adotarem práticas saudáveis e buscarem assistência médica em caso de alterações suspeitas. Informar para proteger. Cuidar para viver. Fonte: Ministério da Saúde

Irritação, euforia, agressividade e depressão podem ser sinais do distúrbio. Doença, que atinge 4% da população brasileira, não tem cura, mas tratamento pode controlá-la

Sintomas como euforia, fala rápida, irritação, agitação, insônia, agressividade, hostilidade e depressão podem ser sinais de vários transtornos que acometem o humor, seja para o polo depressivo, seja para o da euforia. Porém, quando os sintomas vêm alternados em uma mesma pessoa, pode ser um alerta para o transtorno bipolar, uma doença sem cura, mas com tratamento e controle. De acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), o distúrbio atinge 4% da população. O censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, informa que o Brasil tem uma população de 190.732.694 pessoas. A doença se manifesta em fases que alternam a hiperexcitabilidade e a agitação com profunda tristeza e depressão. A duração de cada fase varia de pessoa para pessoa, podendo durar horas, dias, meses e até anos. Um complicador para a pessoa portadora do transtorno surge quando as duas fases se misturam, o chamado estado misto.  “A pessoa pode...

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras Com a recomendação do uso de álcool 70% para limpar superfícies e higienizar as mãos em razão da pandemia de coronavírus, acende-se um novo alerta: o risco de acidentes com queimaduras. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) tem buscado conscientizar a população sobre os cuidados no manuseio e estoque deste produto.“É extremamente necessário redobrar o cuidado com a presença do álcool em casa, especialmente com crianças. Guardar em local que elas não acessem e não utilizar o álcool perto de chamas, como fogão e velas”, frisa o presidente da SBQ, José Adorno.Diante da baixa nos estoques de álcool em gel, a Câmara dos Deputados aprovou a liberação da venda do álcool líquido 70% para o consumidor individual. A proposta segue para votação no Senado. Porém, há uma previsão de que a Anvisa publique uma nova portaria, estabelecendo a venda em embalagens de até 50...

Prefeitura de Niterói prepara plano de transição gradual para uma nova normalidadePrefeitura de Niterói prepara plano de transição gradual para uma nova normalidade

Prefeitura de Niterói prepara plano de transição gradual para uma nova normalidade Fonte: Site da Prefeitura de Niterói                                                                                                                                                18/5/2020 A Prefeitura de Niterói inicia na próxima quinta-feira (21) uma transição gradual para uma nova normalidade. O anúncio foi feito neste domingo (17) pelo prefeito Rodrigo Neves, em pronunciamento nas redes sociais. O plano, que está sendo desenvolvido por técnicos da prefeitura, especialistas da Fiocruz, UFF, UFRJ e representantes de entidades empresariais ser...

Hérnia inguinal pode levar à morte se não for operada logo

As inovações no tratamento da hérnia inguinal estão entre os temas a serem abordados na quarta edição do Congresso Brasileiro de Hérnia e da Convenção Latinoamericana de Hérnia, que serão realizados entre amanhã e sábado, em Búzios, na Região dos Lagos. Embora muitas pessoas que sofrem do problema adiem a solução, todos os casos necessitam de intervenção cirúrgica, cujo índice de cura alcança 98%. Se não cuidado, o problema pode desencadear complicações que trazem risco de morte ao paciente. Segundo o cirurgião geral Júlio César Beitler, presidente da Sociedade Brasileira de Hérnia, cerca de 5% da população mundial já teve, tem ou terá hérnia inguinal. Os primeiros sintomas costumam ser inchaço abdominal e desconforto local. Ao surgimento desses sinais, é preciso procurar um médico para investigar o caso. O diagnóstico é clínico, na maioria das vezes. Mesmo nas pessoas em que o problema desaparece devem buscar auxílio, já que a hérnia inguinal não é curada sozinha. — Não p...