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Psiquiatra ajuda a desvendar os mistérios do Autismo


O autismo é uma síndrome comportamental que foi descrita pela primeira vez no artigo “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo”, publicado em 1943, pelo psiquiatra Leo Kanner. No trabalho, foram relatados casos de 11 crianças que, segundo o texto, apresentavam “um isolamento extremo desde o início da vida e um desejo obsessivo pela preservação da mesmice”. Hoje, este diagnóstico chama atenção. Em São Paulo, por exemplo, um trabalho da Unifesp apontou que, a cada 98 crianças que nascem, uma está com espectro autista. A dúvida sobre como lidar e o que fazer quando crianças são diagnosticadas autistas ainda é frequente. Especialista no assunto, o psiquiatra Fábio Barbirato - chefe do Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Santa Casa de Misericórdia do Rio e membro da Academia Americana de Psiquiatria Infantil - fala sobre as características e novidades relacionadas à disfunção.
O que é o chamado espectro autista?
Este é um termo novo que está sendo atualizado este ano pela Academia Americana de Psiquiatria Infantil e da Adolescência, e será seguido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2014. De 1980 até 2012, a denominação médica mais corrente para se referir ao autismo era Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID), que tinha três características básicas para o diagnóstico: alterações na linguagem, alterações no comportamento e alterações na vida social. Dentro destas categorias, os casos eram mais ou menos graves. Em 2013, estes três fatores foram condensados em dois, que são a comunicação social – referente à leitura social do ambiente e à linguagem – e a inflexibilidade, relativa a crianças com interesses restritos ou obsessivos. 
Em média, quantas pessoas no Brasil apresentam o autismo?
No país não existem estatísticas oficiais com esse número, mas temos estudos isolados em alguns estados. Em São Paulo, por exemplo, um trabalho da Unifesp apontou que, a cada 98 crianças que nascem, uma está em espectro autista. A tendência é que este número se estabilize, já que hoje em dia é possível diagnosticar e tratar o transtorno de forma precoce.
por que você começou a se interessar e a pesquisar sobre a síndrome?
Eu clinico há mais de 15 anos e, desde então, trato de autismo. O que despertou meu interesse foi poder ajudar as famílias, que normalmente estão muito angustiadas quando descobrem que têm uma criança autista entre elas. O autismo não tem cura, o médico é uma peça-chave para fazer a descoberta precocemente, indicar a melhor terapia, orientar e confortar os pais.
Que outros transtornos psiquiátricos podem ocorrer na infância? O autismo pode ser confundido com algum deles?
O transtorno mais comum de todos na infância é a ansiedade. Em segundo lugar está a depressão e em terceiro viriam o autismo e a hiperatividade. O autismo, especificamente, pode ser confundido com retardo mental, esquizofrenia ou Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) na infância.
A que tipo de comportamento os pais devem estar atentos?
O diagnóstico de autismo pode ser feito em crianças a partir de 1 ano e meio ou 2 anos. Os responsáveis devem ter atenção com os pequenos que nada falam até dois anos, que não demonstram interesse em brincar com outras crianças na creche ou no parquinho, preferindo ficar isolados. Outro fator de observação é o excesso de movimentação das mãos ou tronco quando estão nervosas. O medo recorrente de experiências novas também deve ser acompanhado.
Existem diferentes tipos de autismo? Como eles podem ser diferenciados?
Antes nós tínhamos o autismo clássico de Kanner, a Síndrome de Aspergue e o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem outra especificação. No entanto, pelas novas regras de reconhecimento da patologia não existem mais esses diferentes tipos. Agora, tudo faz parte do espectro autista. O que vai variar são os sintomas e o nível intelectual.
Quais são as principais dificuldades enfrentadas por crianças diagnosticadas com autismo?
A primeira dificuldade é o preconceito dos pais que não procuraram ajuda precoce. A segunda é encontrar profissionais treinados e gabaritados para fazerem o atendimento de forma correta. A terceira é uma tentativa de “normatizar” a criança que não está apta para tal adequação. Isso não significa que a criança seja melhor ou pior, ela é diferente. As maiores dificuldades não estão nos pacientes e sim na sociedade e nos próprios pais.
Quais foram os principais avanços feitos nos últimos anos no que se refere ao tratamento do autismo?
É preciso esclarecer que não existe cura para o autismo. Sua origem é genética. A partir das novas resoluções da Academia Americana de Psiquiatria está claro que o tratamento para crianças de até 5 anos é apenas com terapia ocupacional e fonoterapia. Dos 6 anos em diante, o tratamento deve ser com terapia, mas seguindo uma linha comportamental. Todos os estudos que questionam a ingestão de glúten, ferro, magnésio e ômega 3 não concluíram qualquer relação destas substâncias com a melhora do autismo.
Qual impacto o autismo pode ter na família de uma criança com a disfunção e como os pais devem lidar com seus filhos nesses casos?
O impacto pode ser grande, mas o fundamental é procurar o tratamento correto o mais rápido possível. Escolas especiais, por exemplo, não se aplicam a todos os casos. Não se pode generalizar quando o assunto é autismo.
Quais são os principais mitos acerca da patologia?
São os das dietas restritivas para a “cura” e o da “mãe geladeira”, que culpava uma possível frieza da mãe com a criança como causa do autismo infantil. Isso é um absurdo que perseguiu as mulheres por décadas e que já se provou falacioso.
No dia 27 de dezembro de 2012 foi sancionada a Lei Berenice Piana – nome dado em homenagem à mãe de um garoto autista, que lutou pela sua aprovação. Quais são os principais benefícios que a norma traz para pessoas com autismo?
Ela defende a inclusão das crianças com autismo e exige que os municípios criem centros de atendimento psicossocial com profissionais devidamente treinados para este tipo de atendimento. A lei vem em boa hora e dá direito de atendimento às crianças ajudando a reduzir seu principal inimigo: o preconceito. 

Fonte: O Fluminense

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