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Biblioteconomia: atuação que vai além das prateleiras


Na era digital, conhecimento também requer organização. Faixa salarial pode variar de R$ 2 mil até R$ 20 mil, o bibliotecário trabalha com informação em diversos campos

Enquanto muitas carreiras estão com excesso de profissionais no mercado de trabalho, fazendo muita gente correr atrás de emprego, há uma profissão com extrema carência de mão de obra. Necessitando preencher mais de 200 mil vagas até 2020, a profissão de bibliotecário conta com apenas 10% deste percentual na ativa. São apenas 20 mil em todo o Brasil dos quais 3.215 deles atuam no Rio de Janeiro. A informação é da presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), Nêmora Arlindo Rodrigues.
“E não estamos considerando que muitos desses profissionais já terão condições de aposentadoria nessa época”, enfatiza.
Com uma faixa salarial podendo variar de R$ 2 mil até R$ 20 mil, o bibliotecário trabalha com informação em diversos campos, desde o mercado tradicional como em bibliotecas escolares, públicas e universitárias até centros de documentação, instituições de pesquisa e desenvolvimento. “Podendo ainda trabalhar com informações para tomada de decisões em áreas estratégicas”, destaca a presidente do CFB. 
No setor público, as oportunidades são em escolas, bibliotecas municipais e estaduais e nas universidades públicas. No âmbito do poder executivo, pode atuar em órgãos das administrações municipais, estaduais e federais, como secretarias e prefeituras, bem como nos órgãos vinculados aos poderes legislativo e judiciário.”
Já no setor privado há empresas de todos os ramos além de escolas e universidades particulares”, completa Nêmora Rodrigues. 
Entre as principais aptidões e interesses deste profissionais para ser bem sucedido na carreira estão a curiosidade e a determinação. “Tendo em vista que o bibliotecário é um mediador, um intermediário, ele precisa ter habilidades para buscar a informação e saber onde encontrá-la. Ele precisa compreender como a informação e o conhecimento é gerado e produzido na sociedade e como ela é distribuída”, explica Simone da Rocha Weitzel, diretora da Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Ela informa que o dia a dia deste profissional depende muito do tipo de instituição que atua.
“No entanto, seja em bibliotecas clássicas, com acervo em papel ou pergaminho entre outros, híbridas (material impresso ou digital) ou totalmente digital, normalmente o trabalho envolve seleção, aquisição, registro e controle do material, inclusão em um sistema dos dados bibliográficos. Por isso é necessário que a Biblioteca conte com uma equipe que desenvolva as diferentes tarefas que requer, em certa medida, dedicação e especialização”, relata.
Estudante do 4º período de Biblioteconomia na Unirio, Vinicius Rodrigues Pereira dos Santos, de 21 anos, conta como decidiu trabalhar na área. “É uma área promissora, pois com os avanços da tecnologia e o aumento na produção de informação, este profissional passou a ser requisitado nos mais diversos ambientes de trabalho, independentemente se seja nas instituições públicas ou privadas”, destaca.
Mercado amplo
Um gestor de informações – assim é classificado esse profissional que tem um mercado vasto de trabalho.

Segundo Armando Leite Ferreira, especializado em Gestão de Informação e professor do curso de Biblioteconomia da Universidade Santa Úrsula (ESU), o bibliotecário pode trabalhar em empresas que fazem qualquer tipo de projeto (empresas de engenharia, consultoria, escritórios de arquitetura, secretarias e órgão de governo), escritórios de advocacia, hospitais entre outros.
“Na verdade é quase impossível pensar hoje em um setor que não necessite de um profissional que cuida da catalogação, armazenagem e recuperação eficiente da informação”, avalia.
João Paulo Borges Paranhos, de 27, aluno do décimo e último período do curso na Unirio, quer trabalhar com Sistemas de Organização do Conhecimento. “Dentro da biblioteconomia, é uma área que estuda as representações dos assuntos por meio de notações”, explica.
Filho de uma bibliotecária, Paranhos cita três motivos que o levaram a optar pela profissão.
“Inicialmente eu queria fazer música, mas vi na biblioteconomia um amplo mercado. O fato também de ter acesso a acervos importantes e a possibilidade de disseminar informação para uma população, que anseia por conhecimento, me motiva muito. Além do mais, minha mãe é bibliotecária, sendo assim, a profissão vem de berço”.
Facilitador na busca por informação
Simone Weitzel, da Unirio, avalia que o bibliotecário precisa compreender como a informação e o conhecimento é gerado e produzido na sociedade e como ela é distribuída.

“A compreensão desse fluxo da informação é fundamental para encontrar o que o usuário busca. Muitas vezes essa informação vale uma vida e o fator tempo pode mudar tudo. É preciso esclarecer que o google não responde todas as perguntas. É preciso ter competência para fazer a pergunta certa e interpretar corretamente as respostas que uma ferramenta de busca pode trazer”, constata a especialista.
Ela destaca ainda que o trabalho do bibliotecário reduz o tempo de busca de um indivíduo por informação.
“Creio ser essa a sua aptidão mais valiosa. Ele também pode ensinar outras pessoas a fazer isso com mais competência e, nesse sentido, é também um professor. Tornar as pessoas competentes em informação é a segunda aptidão mais nobre, pois o bibliotecário pode contribuir para a construção de uma sociedade mais consciente de seus direitos e deveres na medida em que o cidadão saberá onde encontrar e como usar e aplicar a informação”, observa.

Estágio – Aluna do quarto período de Biblioteconomia da Unirio e estagiária de uma biblioteca especializada, Fernanda Vieira Costa, de 25, afirma que é fácil estagiar.

“Conheço aluno que já começa a estagiar no primeiro período do curso. No meu estágio, trabalho com a referência (atendimento ao usuário) e alimentação da base de dados (catalogação de livros, CDs e periódicos)”, conta.
Fernanda Costa diz que ter um outro idioma é importante na profissão. “Faço curso de inglês. Considero necessário estudar outras línguas, já que trabalhamos com documentos de vários idiomas e qualquer tradução errada pode comprometer a busca de um documento”, alerta.

Fonte: O Fluminense

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