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Diagnosticar câncer no início através de exames aumenta chances de cura

Em 2014, devem surgir 576.580 novos casos de câncer no Brasil, segundo estimativa do Inca. A evolução da doença pode ser evitada, mas muitos pacientes evitam fazer exames por medo do diagnóstico - por isso, eles acabam descobrindo o problema em um estágio mais avançado, o que reduz muito as chances de cura.
No Bem Estar desta quarta-feira (5), o oncologista Carlos Barrios e o diretor do Núcleo de Diagnóstico por Imagem do Hospital A. C. Camargo Rubens Chojniak explicaram como evitar, descobrir e tratar um câncer.
Fazer exames é uma das medidas mais importantes no combate à doença já que ela pode não dar sintomas nas fases iniciais. Segundo o diretor Rubens Chokniak, o câncer é um inimigo silencioso e indolor a princípio, que precisa ser percebido a tempo - o diagnóstico precoce, feito através de exames, como uma tomografia, por exemplo, é fundamental para que as chances de cura sejam maiores.
Dieta anticancer (Foto: Arte/G1)
Esses exames foram essenciais para detectar um câncer de pulmão na uruguaia Ana Maria Cancela Risso de Rodriguez, de 72 anos, mostrada na reportagem da Natália Ariede.
Fumante há 45 anos, ela começou a sentir muito cansaço e se inscreveu para participar de um estudo sobre a doença em um hospital de São Paulo, que procurava pessoas consideradas de alto risco para o câncer de pulmão - com mais de 55 anos e fumantes há mais de 30.
Segundo o cirurgião do tórax Ricardo Sales dos Santos, mais de 80% a 90% dos casos no pulmão sao diagnosticados em fases mais avançadas, o que dificulta o tratamento. A ideia desse estudo, no entanto, era detectar os tumores em fases iniciais e, por isso, os médicos fizeram tomografia mesmo nos pacientes sem nenhum sintoma, já que a doença pode ser silenciosa no começo. O raio-X, geralmente usado para examinar o pulmão, nem sempre é capaz de enxergar os tumores menores e, por isso, eles optaram pela tomografia, como uma maneira de diagnosticar precocemente e evitar uma evolução mais grave da doença.
No caso da dona Ana Maria, essa medida foi fundamental - ela descobriu a doença na fase inicial, fez cirurgia para retirar o tumor, parou de fumar e logo voltou à rotina de dançarina. De acordo com os médicos, essa mudança de hábitos após um câncer é muito importante, mas é preciso se preocupar também com a prevenção - o cigarro deve ser evitado, assim como a bebida alcoólica em excesso. Por outro lado, é essencial fazer atividade física e controlar o peso.
Essas medidas ajudam a evitar que o tumor volte, preocupação que teve a supervisora de call center Rute Arantes. Depois de ter se curado de um câncer no pulmão, ela fez uma tomografia e exames de sangue para ver se estava tudo bem e descobriu que estava com suspeita de retorno da doença.
Diante da suspeita, ela passou por outro exame, ainda mais sofisticado, o PET CT, que consegue enxergar detalhes que a tomografia ou ultrassom não conseguem. De acordo com o chefe de medicina nuclear Eduardo Nóbrega Lima, a célula com câncer consome muito mais açúcar para viver, então o exame usa a glicose radioativa para identificá-la. Quanto mais açúcar o tumor consumir, mais ativo ele é, como explicou a reportagem da Natália Ariede.
Esse exame é oferecido pelo Sistema Único de Saúde, em alguns hospitais de alta complexidade e para determinados tipos de câncer.
Junto com a tomografia, ele é um dos exames que ajudam no rastreamento do câncer. Mas existem outros que também são fundamentais, como o de sangue oculto nas fezes, por exemplo - quem tem mais de 50 anos deve fazer esse exame todo ano e, se der positivo, é preciso fazer uma colonoscopia. Já as mulheres precisam fazer mamografia a cada 2 anos, entre os 50 e 69 anos, ou segundo recomendação médica. As mulheres mais novas devem se preocupar ainda com o câncer de colo do útero e fazer o exame de papanicolau todo ano, depois dos 25 anos. Após dois exames com resultados normais, ela pode fazer a cada 3 anos.
Em caso de diagnóstico positivo, o câncer precisa ser tratado e um dos tratamentos mais comuns é a radioterapia - cerca de 60% dos pacientes se tratam dessa maneira, seja com finalidade curativa ou paliativa.
A radioterapia usa a radiação para destruir o tumor, mas há diferentes maneiras de fazer isso - a mais comum é a teleterapia, mas pode ser usada ainda a braquiterapia, indicada para tumores menores, como mostrou a reportagem da Natália Ariede.
Fonte: G1

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