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Huap é referência estadual no tratamento de doença ocular infantil


 Luiz Cláudio, com membros da equipe médica do HUAP
Ao longo dos últimos 30 anos, o Serviço de Oftalmologia do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) vem realizando um trabalho fundamental de prevenção, diagnóstico e tratamento de diversas disfunções oculares, como glaucoma e catarata, além de transplantes, cirurgias de retina, estrabismo e plásticas oculares. Mensalmente, cerca de 800 pessoas são atendidas através do SUS.
Um dos principais destaques no serviço é o atendimento ao público infantil no tratamento da ambliopia, uma disfunção que impede o desenvolvimento correto de um dos olhos e afeta de 1 a 5% das crianças. A doença ocorre quando áreas do cérebro ligadas à visão favorecem um olho em detrimento de outro, alterando o desenvolvimento neurológico das funções do olho prejudicado.
De acordo com o professor e responsável pela área de Oftalmopediatria e Estrabismo, Luiz Cláudio Santos de Souza Lima, a doença pode ser classificada em três tipos: a estrábica, que ocorre quando o bebê nasce com um grau de estrabismo suficiente para acarretar em baixa de visão, afetando o desenvolvimento do córtex visual; a anisometrópica, ligada a diferença de grau entre os olhos de crianças afetadas por doenças como miopia e hipermetropia; e a de privação, que pode surgir em um recém nascido em casos de catarata congênita ou má formação na pálpebra, impedindo a chegada de luz ao olho.
A equipe responsável pelo atendimento é formada por cinco médicos, oito professores, além de alunos da graduação e residentes e atende não só os moradores do município de Niterói, mas também a população de São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Maricá e Tanguá, além de cidades como Itaperuna, Cabo Frio e Macaé. “A maioria dos pacientes que procuram tratamento são encaminhados ao Huap pela prefeitura de seus municípios. Após uma avaliação, eles passam a fazer um acompanhamento regular. E apesar das limitações orçamentárias dos hospitais públicos, o Huap possui os equipamentos básicos para o atendimento e consegue atingir uma posição de destaque graças à equipe médica e ao bom resultado alcançado pelos residentes no exame nacional de oftalmologia”, explica.

Diagnóstico

Para Luiz Cláudio, o diagnóstico precoce é fundamental, já que a ambliopia ocorre dentro da janela temporal do desenvolvimento neurológico humano, denominada período crítico, que vai aproximadamente até os 5 anos. “Esse é o momento ideal para o tratamento, quando a criança adquire condições de focalizar imagens. Após essa etapa, o processo é muito mais complexo, porque a capacidade de desenvolvimento é afetada. No atendimento de uma criança com 7 anos, já não conseguimos ter o mesmo êxito que teríamos ao tratá-la com 1 ano de vida”, afirma o médico.
Também influenciam na doença fatores hereditários, que alertam ainda mais para a importância de uma descoberta prematura. “Por exemplo, se existe um caso não explicado de problema de vista na família, é preciso fazer uma verificação oftalmológica logo nos primeiros meses de vida do bebê”, ressalta.
No Huap, além do teste do olhinho, que detecta previamente casos de catarata e glaucoma congênito, é feito um exame de fundo de olho para garantir a saúde de todo o globo ocular. Segundo o professor, um complicador é o fato de a doença, muitas vezes, não ser visível. “Um estrabismo que aconteceu nos primeiros meses de vida, por exemplo, pode se reverter naturalmente sem intervenção médica, embora a condição amblíope já tenha se dado. Nesse caso, um exame oftalmológico de rotina não detecta nenhuma anormalidade física no globo ocular, mas o paciente continua enfrentando problemas para enxergar com o olho prejudicado”, esclarece. Por isso, o especialista acredita que o papel do oftalmologista é ir mais fundo no caso e procurar a fonte do problema.

Tratamento

O tratamento da ambliopia consiste em criar condições para o correto desenvolvimento do olho amblíope, variando de acordo com o caso do paciente. Em algumas situações apenas a utilização de óculos é suficiente para o correto desenvolvimento da vista, mas pode ser necessário também o uso de tampões no olho saudável durante algumas horas do dia para estimular o desenvolvimento do órgão prejudicado. “Em casos de glaucoma congênito ou de graves níveis de estrabismo, é necessário que seja feita uma intervenção cirúrgica. O objetivo é que, no fim, o paciente tenha uma diferença mínima de capacidade entre os dois olhos”, explica o professor.

Prevenção

Luiz Cláudio afirma que todo paciente examinado passa por uma rotina completa oftalmológica. Para ele, é importante também realizar exames neurológicos básicos, porque o olho, como órgão diretamente ligado ao cérebro, pode dar muitas informações sobre o estado do sistema nervoso central. “A região chamada de córtex visual recebe e processa informação do meio ambiente captada pelos olhos. Essa ponte olho-cérebro é importantíssima e dá origem à especialidade denominada neuro-oftalmologia”, destaca o professor.
O setor de oftalmologia não trabalha isolado, as ações são integradas às diversas áreas do Huap. “O olho não é desconectado do resto do corpo. Existem várias doenças sistêmicas ligadas, por exemplo, à dermatologia, pediatria, nefrologia e reumatologia, que necessitam de um acompanhamento oftalmológico, já que podem ter início na região ocular. Por isso, quero reforçar que é fundamental que as diversas áreas do hospital atuem conjuntamente. Muita gente não conhece o trabalho que desenvolvemos aqui, portanto, também é nosso dever informar a população”, conclui.

Serviço:

Serviço de Oftalmologia - Hospital Universitário Antônio Pedro
Endereço: Av. Marquês do Paraná, 303 - Prédio Anexo - Centro, Niterói - RJ, 24033-900
Telefone: (21) 2629-9194

Fonte: UFF

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