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UFF Responde: PrEP e PEP

 


O carnaval se aproxima, uma das principais festas populares brasileiras, em que a população vive grandes momentos de celebração, e nesse mesmo período é preciso estar atento ao crescimento do índice de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo o HIV. Nesse sentido, a Preparação Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) são medidas essenciais para prevenir a transmissão da doença.

Em 2023, o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids do Ministério da Saúde revelou que cerca de 994 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Um boletim da UNAIDS, divulgado em 2023, aponta que o Brasil apresentou uma leve queda em casos de HIV por conta da ampliação do acesso à PrEP, uma importante estratégia para a redução na transmissão do vírus, com uma eficácia que ultrapassa 90% quando usada regularmente. Neste UFF Responde, o médico do setor de doenças sexualmente transmissíveis do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), Hugo Boechat, explica como a preparação e a profilaxia funcionam e de que forma minimizam os riscos de infecção.  

O que são PrEP e PEP? Qual a diferença entre os medicamentos?

A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é o uso preventivo de medicamentos antirretrovirais antes da exposição ao vírus HIV, com o objetivo de reduzir o risco de infecção. Para fins de compreensão, é como tomar um comprimido anticoncepcional todo dia para prevenir gravidez.

Enquanto isso, a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é o uso emergencial de medicamentos antirretrovirais após uma possível exposição ao HIV, por via sexual ou acidentes com material biológico contaminado. Para fins de compreensão, é como tomar uma pílula do dia seguinte para prevenir a gravidez, depois de acontecer a relação sexual.

A diferença entre os medicamentos é:

PrEP: Utiliza-se geralmente uma combinação de dois medicamentos antirretrovirais em um único comprimido, diariamente, por tempo indeterminado. 

PEP: Utiliza-se um esquema de três ou mais medicamentos antirretrovirais, geralmente por 28 dias.

Em que situações cada uma delas deve ser utilizada?

A PrEP é indicada para pessoas com risco contínuo de exposição ao HIV, como homens que fazem sexo com homens, pessoas que têm múltiplos parceiros sexuais, pessoas que não usam preservativo consistentemente, pessoas com uso frequente de PEP e pessoas que têm parceiros sexuais com HIV. Enquanto a PEP é indicada para situações de emergência, como relações sexuais desprotegidas (sem uso de preservativo ou com rompimento do preservativo), incluindo violência sexual, compartilhamento de agulhas ou seringas, e exposição ocupacional (acidentes com material biológico em profissionais de saúde).

É possível ter acesso a esses medicamentos gratuitamente? Como o SUS facilita o acesso à PrEP e à PEP no Brasil?

Sim, tanto a PrEP quanto a PEP são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. O acesso à PrEP é realizado através de unidades de saúde especializadas de referência, mediante agendamento e avaliação médica. As pessoas podem se informar nas unidades básicas de saúde próximas de casa, ou no site: https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/prevencao-combinada/prep-profilaxia-pre-exposicao/onde-encontrar-a-prep. O acesso à PEP é feito em serviços de urgência e emergência, como hospitais e UPAs, e o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, preferencialmente em até 72 horas após a exposição de risco.

Onde encontrar o PEP: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiMjIxNmZlMjEtYTRjNi00NDYxLThjYjMtMDQwYmI3MzQ4NWI1IiwidCI6IjZjMzhiMTU4LWI4OGItNGZjNS04NDkxLTFjNWI0NmI3NDJhYyJ9

Em quanto tempo a PrEP começa a fazer efeito?

A PrEP atinge sua proteção máxima contra o HIV em cerca de 7 dias de uso contínuo para relações anais e em 21 dias para relações vaginais.

Qualquer pessoa pode fazer uso da PrEP como forma de prevenção ao HIV?

A PrEP é indicada para pessoas com risco contínuo de exposição ao HIV. A decisão de usar a PrEP deve ser tomada em conjunto com um profissional de saúde, que irá avaliar o risco individual e indicar a profilaxia adequada. 

Qual é a cobertura atual dos serviços de distribuição de PrEP e PEP no Brasil, especialmente em áreas de grande fluxo turístico no Carnaval? 

A cobertura dos serviços de distribuição tem se expandido nos últimos anos, com a implantação de novos serviços e a capacitação de profissionais de saúde. No entanto, ainda há desafios na distribuição em áreas mais remotas e na garantia do acesso para populações mais vulneráveis. Os municípios maiores têm rede e estrutura melhores, obviamente. Nem todo destino turístico se localiza em um local com boa estrutura, por isso recomenda-se que o turista pesquise, antes de ir para o destino planejado, onde e como ser atendido em caso de necessidade. 

Quais estratégias estão sendo adotadas para aumentar a distribuição de PrEP e PEP em regiões remotas ou com menos acesso?

O Ministério da Saúde, através do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/SVSA/MS), publicou uma nota técnica com o objetivo de expandir o acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e à Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para prevenir o HIV. A nota orienta o cadastro de Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM) para oferecer PrEP e PEP, visando aumentar o número de serviços de saúde que disponibilizam esses insumos e, consequentemente, o acesso da população às tecnologias de prevenção.

Como funciona o acompanhamento médico para pessoas que utilizam PrEP e PEP?

O acompanhamento médico para pessoas que utilizam PrEP inclui consultas regulares com um profissional de saúde para dispensação dos medicamentos, exames de sangue para monitorar a saúde geral e contato com alguma outra Infecção Sexualmente Transmissível (IST), e aconselhamento sobre prevenção das mesmas.

O acompanhamento médico para pessoas que utilizam PEP acontece por algumas semanas para acompanhar possíveis efeitos colaterais e excluir e/ou tratar alguma possível IST adquirida com a exposição de risco. Então, recebe alta ou, eventualmente, pode ser encaminhada para PrEP.

Como o uso de preservativos complementa a proteção oferecida pela PrEP e PEP?

A PrEP e a PEP são formas eficazes de prevenção ao HIV, mas não protegem contra outras ISTs, como clamídia, gonorreia e sífilis. O uso de preservativos (camisinha masculina ou feminina) é a forma mais eficaz de prevenir a maioria das ISTs, além de também prevenir a gravidez não planejada.

Existe algum tipo de resistência ou estigma relacionado ao uso de PrEP e PEP? Como lidar com isso?

Sim, infelizmente ainda existe estigma e resistência relacionados ao uso de PrEP e PEP, principalmente por questões de moralidade e desconhecimento sobre a importância da prevenção combinada. É fundamental combater o estigma através da informação, da educação e do diálogo aberto sobre sexualidade e prevenção de ISTs.

Fonte: UFF

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