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Menopausa causa confusão mental? Entenda o que é nevoeiro cerebral, sintoma relatado por Claudia Ohana

 


Claudia Ohana relata confusão mental na menopausa e diz que achava estar deprimida — Foto: Reprodução Instagram


O "nevoeiro cerebral" é um sintoma comum na menopausa que pode afetar diretamente a concentração, o bem-estar e até a autoestima das mulheres. Junto a outros sinais típicos dessa fase, como alterações de humor, irritabilidade e angústia, ele pode ser confundido com um quadro depressivo, o que leva muitas mulheres a procurarem ajuda sem saber exatamente o que estão enfrentando.

Em entrevista recente, a atriz Claudia Ohana contou ter vivido essa experiência ao entrar na menopausa. "Comecei a ficar angustiada porque sentia o que as pessoas chamam de névoa, que é uma confusão. Eu saía para a rua e esquecia o que tinha ido fazer. Ficava fora de foco", relatou. Esse sintoma neurológico, conhecido como "nevoeiro cerebral", é caracterizado por lapsos de memória, dificuldade de concentração e lentidão no raciocínio.

— O nevoeiro cerebral é uma sensação de confusão mental, dificuldade de concentração, lapsos de memória e lentidão de raciocínio. Além disso, também se manifesta através de dificuldade em encontrar palavras, esquecimentos de compromissos e uma sensação de estar sobrecarregada mentalmente, com prejuízos na tomada de decisões e na capacidade de resolver problemas — explica o ginecologista Igor Padovesi, autor do livro Menopausa Sem Medo e especialista certificado pela North American Menopause Society (NAMS).

A ginecologista Patricia Magier complementa: — A falta de concentração é um sintoma muito frequente, quando faltam as palavras ao falar. Isso deixa a mulher muito insegura, porque ela fica achando que não vai dar conta de uma apresentação, por exemplo. Depressão, ansiedade, mudanças de humor repentinas e choro fácil também estão entre os sintomas da mulher na menopausa.

Claudia também comentou que chegou a confundir os sinais da menopausa com depressão. "Me dava uma irritação profunda também, como uma TPM master que, graças a Deus, não tenho mais. Você acha que está deprimida, que tem que ir ao psiquiatra, sendo que, na verdade, tudo faz parte dos hormônios", disse.

De acordo com o Dr. Igor, essa confusão é comum: — É extremamente frequente no consultório, principalmente entre mulheres que não sabem o que esperar desse período. Sintomas como desânimo, fadiga, falta de energia, tristeza e desesperança podem estar presentes tanto em quadros depressivos quanto no climatério. Mas em mulheres na faixa dos 40 a 55 anos, que nunca tiveram histórico de depressão, é provável que estejam relacionados às oscilações hormonais.

A explicação está na atuação do estrogênio, hormônio que começa a oscilar e depois diminuir significativamente na perimenopausa e menopausa. Ele possui receptores no cérebro, especialmente no hipocampo, área responsável pela memória e pela regulação emocional.

— A queda do estrogênio e da progesterona influencia neurotransmissores como serotonina e dopamina, podendo gerar sintomas de irritabilidade, ansiedade e tristeza ou depressão. E as ondas de calor, insônia e fadiga intensificam ainda mais essas alterações — afirma Ana Paula Fabricio, ginecologista com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).

Além das questões hormonais, fatores emocionais e sociais também influenciam. Muitas mulheres vivem momentos de transição nessa fase da vida, como mudanças na carreira, no casamento, na rotina familiar com a saída dos filhos de casa. — Toda essa desordem psicológica também é danosa à memória e acaba contribuindo para a sensação de nevoeiro mental — observa o Dr. Padovesi.

— Esse sintoma pode interferir diretamente na capacidade de desempenhar tarefas, tanto no trabalho quanto em casa, impactando a produtividade, gerando frustração e diminuindo a autoestima. A mulher pode começar a duvidar de sua competência, o que aumenta a ansiedade.

Para as mulheres mais afetadas pelos sintomas neurológicos e emocionais, a terapia de reposição hormonal (TRH) pode ser uma aliada importante.

— Ao repor os hormônios, você melhora a saúde mental, diminui o cansaço e conquista mais energia, foco e bem-estar”, explica a Dra. Patricia Magier. Mesmo mulheres que não sentem os efeitos mais intensos do nevoeiro cerebral podem se beneficiar do tratamento. “Há redução na mortalidade, menor risco de Alzheimer, preservação da sexualidade e da função urogenital, além de uma melhora significativa da qualidade de vida — acrescenta o Dr. Padovesi.

A Dra. Patricia esclarece que a TRH pode ser iniciada já na perimenopausa, com estratégias específicas para cada fase. — Na perimenopausa, o foco é suavizar flutuações hormonais. Na menopausa, compensar a queda hormonal abrupta. E na pós-menopausa, o objetivo é prevenir doenças crônicas e manter a qualidade de vida. Tudo com protocolos individualizados — destaca.

O Dr. Igor reforça que não existe uma abordagem única: — Tem que ser feita uma avaliação minuciosa. O tratamento é necessariamente personalizado. Existe um espectro grande de sintomas, e não há receita de bolo.

Além dos cuidados médicos, o estilo de vida também tem papel essencial. — Cultivar uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, realizar atividades que desafiem o cérebro, como leitura, jogos de lógica ou aprender algo novo, além de garantir noites de sono adequadas: esses são os principais aliados no envelhecimento saudável e na preservação da memória durante a menopausa — finaliza o Dr. Padovesi.

Fonte: O Globo

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