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Acupuntura aumenta as chances de melhora contra o AVC

Um estudo experimental publicado recentemente pelo Journal of Neuroinflammation (Jornal da Neuroinflamação, em tradução livre) apontou que a eletroacupuntura (acupuntura com estimulação elétrica) pode proteger contra lesões cerebrais provocadas por acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, que é o tipo mais comum – em geral, ocorre pela falta de fluxo sanguíneo cerebral decorrente de uma obstrução arterial. A eletroacupuntura exerceria um efeito anti-inflamatório nas primeiras horas após o derrame, capaz de evitar a morte das células cerebrais. 

Tendo em vista que o AVC é uma das principais causas de morte de pessoas em todo o mundo, segundo os órgãos de Saúde, o objetivo do estudo era justamente atender à necessidade crescente de estratégias de intervenção eficazes e práticas contra a doença, além de uma melhor compreensão dos mecanismos neuroprotetores do cérebro. 

Para o acupunturista formado em Ciências Médicas e professor da técnica na Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcio Dias, o estudo aponta para o que empiricamente há muito tempo se sabe: 
“Ao fazer acupuntura em pessoas que tiveram um AVC isquêmico recente, as chances de melhora desse paciente aumentam”, afirma Dias. 

No entanto, segundo o especialista, “não existe um trabalho conclusivo sobre quais mecanismos estão envolvidos nessa história”. O artigo experimental, porém, mostra uma possível explicação, a diferença é que no estudo, a acupuntura foi feita antes, como uma forma de prevenir as lesões decorrentes do AVC. 
“Os cientistas aplicaram a técnica em um grupo de ratos, enquanto outro grupo não passou pelo procedimento. Vinte e quatro horas depois do fim do tratamento prévio, eles provocaram uma isquemia cerebral (por obstrução de artéria cerebral) em todos os animais, e concluíram que naqueles que receberam o tratamento, foi ativada uma enzima (alfa-7 nicotínico de acetilcolina) que reduz a produção da proteína HMGB1, responsável pela inflamação e necrose decorrente da falta de oxigenação”, explica. 

O pré-tratamento de eletroacupuntura foi realizado no acuponto “Baihui (GV 20)”. Resumidamente, os animais foram anestesiados e o acuponto estimulado a uma determinada frequência durante 30 minutos. E, ao final desse período, foram submetidos à isquemia e avaliados nas 72 horas posteriores. 

O especialista reitera que se trata de um estudo experimental, sendo necessário um estudo clínico para que se possa afirmar com propriedade a eficácia do tratamento preventivo em questão nos seres humanos. 

“É preciso constatar se o que funcionou no rato pode servir ao homem. Possivelmente sim, baseado naquele conhecimento empírico acumulado de mais de 2.500 anos. Mas, por enquanto, acho que não é prudente recomendar a acupuntura com base nesta indicação, até porque todo mundo teria que fazê-la, pois todos estão sujeitos a ter um AVC. Trata-se de um trabalho científico bem feito, publicado em um jornal importante, e que traz uma possível explicação para o que na prática já se percebe. Porém, são necessários mais estudos para afirmar, sem sombras de dúvidas, este aspecto preventivo”, diz. 

Ele recomenda, no entanto, a acupuntura imediatamente após o acidente vascular cerebral, pois, como se tira de lição do próprio estudo, a “isquemia cerebral focal evoca uma resposta inflamatória que começa dentro de poucas horas após o ‘acidente’”. 

“Sabe-se que levam algumas horas para ocorrer a inflamação. Assim, a acupuntura no período de 24 horas após o acidente, pode preveni-la e reduzir os malefícios em relação a quem não faz o procedimento. Volto a dizer que este é um conhecimento empírico, não há, do meu conhecimento, estudo clínico a respeito. Mas como as pessoas ainda desconhecem essa indicação, nem sempre ela é seguida. A acupuntura, entretanto, também ajuda de outra forma, quando feita no chamado período de recuperação, que vai dos primeiros seis meses a um ano após o acidente”, afirma. 

Ele lembra que a acupuntura em si proporciona o equilíbrio homeostático, que os chineses chamam de yin e yang, capaz de prevenir e tratar uma série de doenças em virtude do seu efeito neuromodular. Cabe ressaltar, contudo, que a técnica oferece uma oportunidade de tratamento, mas deve ser aplicada paralelamente à medicina convencional e não substituí-la.

Fonte : O Fluminense

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