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Pela conscientização e maior esclarecimento sobre o autismo


No próximo dia 02 de abril, o mundo se debruçará novamente sobre a síndrome que atinge mais de 70 milhões de pessoas. O “Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo” foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007. Seu objetivo é trazer informações sobre a patologia e a importância do diagnóstico e intervenção precoce, além de mostrar que a essência das pessoas é a mesma, independente de suas aparências físicas ou questões psicológicas.
“Os autistas não trazem estampado no rosto a sua condição especial e, por isso, sofrem com a desinformação da sociedade que, muitas vezes, classifica as crianças como mal-educadas e nós, pais, como permissivos. O preconceito é, sem sombra de dúvidas, fruto da falta de informação, pois, se a maioria das pessoas souber do sofrimento, da luta e das dificuldades que nós, pais de autistas, temos que enfrentar diariamente, certamente mudaria a postura preconceituosa por um olhar de solidariedade”, diz José Carlos Pitangueira, diretor do Instituto Priorit.
O autismo é uma síndrome que afeta o desenvolvimento de três importantes áreas: a comunicação, a socialização e o comportamento. Ele pode variar do mais severo ao mais leve e influi na forma de sentir, perceber e se relacionar com as demais pessoas.
“Na área de comunicação e linguagem pode haver ausência ou atraso na aquisição da fala, e/ou dos gestos comunicativos (como dar tchau, apontar etc). Em outra direção, uma fala muito rebuscada, com palavras e expressões inapropriadas para a idade também poderia ser um sintoma”, explica a fonoaudióloga Aline Kabarite.
Não olhar quando chamado pelo nome, apesar da certeza de que ele escuta bem, não olhar nos olhos evitando muitas vezes o contato direto com a expressão do outro, agitação e dificuldade em permanecer quieto e concentrado são características muito comuns que não devem ser confundidas com apenas uma agitação motora ou falta de maturidade. “Por outro lado, podemos também encontrar crianças muito quietas, que não reclamam de nada, apáticas e sem expressão para as sensações e sentimentos mais básicos”, explica a Aline.
Ao perceber tais comportamentos, Aline indica que um médico, podendo ser um psiquiatra ou neurologista especializado, seja procurado.
“O diagnóstico de qualquer doença tem que ser feito obrigatoriamente por um médico”. 
No Brasil, mais de 1 milhão e meio de autistas buscam soluções e ajuda, onde menos de 5% recebem assistência adequada, mesmo sabendo-se que se somarmos o índice de incidência de diabetes infantil, de câncer infantil e de AIDS infantil, este número ainda será menor do que a porcentagem infantil de portadores de autismo.

Sobre os tratamentos
O tratamento auxilia na construção da linguagem, no desenvolvimento da fala, na melhora dos comportamentos inadequados e na possibilidade de inclusão da criança nos ambientes sociais e de interação com os iguais. As intervenções clínicas serão direcionadas, inicialmente, para as áreas mais afetadas do desenvolvimento, porém, o profissional deve ter sempre um olhar preventivo, antecipando e prevenindo dificuldades futuras.
O Instituto Priorit realiza um tratamento pioneiro no Brasil, que engloba diversas atividades lúdicas, motoras, culturais e esportivas realizadas em grupo — como judô, capoeira, artes, dança, teatro e psicomotricidade — que visam estimular o desenvolvimento da linguagem e comunicação, das habilidades e regras sociais, da aprendizagem e da consciência corporal e motricidade.
Segundo o psiquiatra e diretor clínico do Instituto, Caio Abujadi, que é também colaborador do ambulatório de autismo do Instituto de Psiquiatria (IpQ) da Universidade de São Paulo (USP), há um futuro promissor para o autismo devido aos mais variados estudos científicos que vêm sendo publicados sobre o transtorno.
“As principais linhas de pesquisa estão relacionadas com o entendimento da fisiopatologia do autismo, ou seja, a relação entre genética e epigenética, quando há influência dos fatores ambientais. Outras linhas de pesquisa importantes estão nos fatores que previnem o surgimento do transtorno. Uma vez que a incidência vem aumentando em proporções importantes, entender como prevenir ou diminuir a probabilidade da ocorrência torna-se de vital importância”, explica o psiquiatra.

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