
Descobrir as causas específicas do lábio leporino é objetivo de um trabalho que está sendo realizado pelo Projeto Genoma — Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), do Instituto de Biociências da USP, em parceria com a Operação Sorriso. Até o momento, 700 amostras de DNA a partir da saliva de pacientes atendidos pela ONG foram coletadas.
A partir da análise dessas coletas, o estudo concluiu que as fissuras lábio palatinas são um grupo complexo de malformações que no Brasil dependem de fatores genéticos e ambientais (como problemas ocorridos na gestação).
— Nos estudos, achamos algumas alterações. Como os pacientes têm marcas e genomas diferentes, conseguimos ver que existe uma contribuição genética, mutações específicas e que o ambiente pode deixar marcas que vão fazer o gene funcionar de maneira diferente — explica Lucas Alvizi, voluntário da Operação Sorriso e geneticista da USP.
Comparação entre materiais genéticos
Os pesquisadores começaram coletando informações com famílias nas quais a ocorrência de fissuras lábio palatinas é alta.
— Nós precisávamos achar algum indício de que a genética tinha papel importante e se a ocorrência das fissuras em alguém da família aumentaria a chance de outros parentes terem também — disse Luciano Brito, voluntário da Operação Sorriso e geneticista do Centro de Pesquisa do Genoma Humano da USP.
O material genético de quem foi afetado pela deformidade era comparado com o de parentes que não sofriam com o mal. Nos casos em que foram identificadas as alterações genéticas causadoras do lábio leporino, uma segunda etapa do estudo foi iniciada: a busca do entendimento do efeito de genes e suas alterações no desenvolvimento facial humano.
Como é a 2ª etapa
Coleta de sangue
Quando a família concorda em participar desta parte do estudo, uma coleta de sangue desses pacientes é realizadas. As células sanguíneas são transformadas, em laboratório, em células capazes de chegar próximo ao modelo do embrião (estágio inicial do desenvolvimento humano). Assim, os pesquisadores analisam as mudanças pelas quais os tecidos que formam o rosto passaram no decorrer do crescimento do feto.
Futuro
A expectativa dos pesquisadores é que até o fim de 2019 seja possível identificar como os fatores genéticos e ambientais se combinam na formação da fissura, para traçar estratégias ou terapias para diminuir a ocorrência da deformidade.
Fonte: Jornal Extra
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