Pular para o conteúdo principal

Métodos contraceptivos: antes de escolher é preciso conhecê-los




Apesar de parecer contraditório, nem sempre as mulheres escolhem seu método contraceptivo levando em consideração quando e se querem engravidar. Esse é o resultado de um estudo global realizado pela Bayer, com apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e do Tanco — Think about Needs in Contraception (Pensando nas Necessidades em Contracepção, em português).
A maioria das entrevistadas, com a idades entre 18 e 29 anos, não planeja ter filhos nos próximos três a cinco anos ou não pretende ser mãe, enquanto a maior parte das que têm entre 40 e 49 anos já consideram seu planejamento familiar completo, ou seja, não desejam ter mais filhos. Para esses grupos, há grande indicação de contraceptivos de longa duração. Mas a pesquisa — que envolveu 7.140 pacientes — observou que o uso desses métodos ainda é baixo. No Brasil, por exemplo, apenas 10% das entrevistadas utilizam os anticoncepcionais de longa duração, que incluem implante hormonal, DIU de cobre ou DIU hormonal.
Em paralelo, uma em cada dez mulheres utiliza apenas preservativo para evitar a gravidez, enquanto três em cada dez estão tomando pílulas combinadas.
— Estamos diante de uma época na qual temos tecnologias contraceptivas excelentes que não são aproveitadas por causa de falta de informação — afirma Ilza Monteiro, ginecologista da Unicamp, membro da diretoria da Febrasgo, e uma das autoras do estudo.
Segundo a pesquisa, 70% das participantes afirmaram que considerariam o contraceptivo de longa duração se recebessem mais informações de seus médicos. O estudo mostra que 33% das brasileiras usam pílulas anticoncepcionais como método para evitar uma gravidez não planejada.
Para a ginecologista e obstetra Renata Palombo são vários os motivos que fazem das pílulas a principal maneira de contracepção: a fácil administração, a compra facilitada, o custo acessível e o tempo de mercado.
— Esse é um método que passou de mãe para filha. A falta de informação sobre os novas formas de contracepção influencia na escolha das mulheres — analisa.
Todos os métodos contraceptivos — sejam os de curta ou longa duração — têm indicações específicas para cada caso. Por isso, paciente e ginecologista devem conversar sobre o melhor método levando em consideração o ciclo e fluxo menstrual, que na maioria das vezes recebe interferência do método escolhido.
Escolha seu método
Pílula
A pílula é um comprimido contraceptivo que contém hormônios e que deve ser tomada uma vez ao dia. Existem diferentes tipos de pílula: a pílula combinada e a chamada minipílula. A pílula combinada contém estrogênio e progestina, que impedem que os ovários liberem óvulos. Eles também deixam o muco cervical mais espesso, o que impede que o espermatozoide alcance o óvulo. A "minipílula" contém apenas o hormônio progestina, que é uma alternativa para mulheres que são afetadas negativamente pelo estrogênio. Você deve tomar a pílula todos os dias no mesmo horário, independentemente de ter ou não relações sexuais. A pílula deixa a menstruação ainda mais regular e pode reduzir fluxos intensos e dolorosos.
DIU de cobre
É um dispositivo em forma de T que contém um fio de cobre. O DIU de cobre, em vez de hormônios, libera íons de cobre que imobilizam os espermatozoides e impedem que eles fertilizem o óvulo. Caso um espermatozoide consiga passar, o cobre impede que o óvulo fertilizado seja implantado no revestimento do útero. Mulheres com DIU de cobre podem apresentar cólicas e menstruação mais longa e intensa. Ele tem duração de até 10 anos. O método está disponível no SUS
DIU hormonal
É um dispositivo pequeno, em formato de T, que é colocado pelo médico no útero. Ele libera lentamente o hormônio progestina, que afina o revestimento do útero e deixa o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides. Ele tem a duração até 5 anos. Menstruações mais intensas podem se tornar mais leves e menos dolorosas; em geral, as menstruações também podem ficar menos frequentes. Podem acontecer escapes nos primeiros seis meses. O preço varia de R$ 800 a R$ 1.000. Alguns planos de saúde cobrem o procedimento, inclusive o dispositivo. Não está disponível no SUS
Implante hormonal
É um pequeno bastão de plástico flexível que contém um reservatório do hormônio progestina, que é liberado de maneira constante por todo o corpo. O hormônio impede que os ovários liberem óvulos e deixa o muco cervical mais espesso, dificultando a movimentação dos espermatozoides. Uma anestesia local eliminará a dor do procedimento, o implante é colocado por baixo da sua pele, na parte interna do seu braço. Ele dura até 3 anos. O implante pode causar fluxos menstruais irregulares e menos intensos e pode reduzir a cólica menstrual
Injeções mensais ou trimestrais
Este método contém uma injeção de hormônios, seja progestina isoladamente ou progestina e estrogênio, que impede que os ovários liberem óvulos e faz com que o muco cervical fique mais espesso, dificultando a movimentação dos espermatozoides. A injeção funciona da mesma forma que outros métodos contraceptivos hormonais, como a pílula, exceto pelo fato de ter um efeito de um a três meses, dependendo do tipo. Isso significa, portanto, que seus efeitos depois da aplicação não são reversíveis durante aquele período. A injeção pode causar sangramento irregular. Em alguns casos, ela pode causar fluxos mais curtos e mais leves ou ausência de menstruação
Adesivo
Adere à pele e libera os hormônios progestina e estrogênio, que entram na corrente sanguínea pela pele. Os hormônios impedem que os ovários liberem óvulos e deixam o muco cervical mais espesso, dificultando a movimentação dos espermatozoides. Você remove a proteção atrás do adesivo e o aplica diretamente na sua pele, seja na parte de baixo do abdome, nas nádegas, no braço ou mesmo nas suas costas. Você usa o adesivo por uma semana e depois o substitui por um novo. Depois de três semanas, você faz uma pausa de sete dias e, durante essa semana em que você não usar o adesivo, sua menstruação deverá iniciar. O adesivo pode causar fluxos menstruais descontínuos, seja na forma de sangramento irregular ou menstruações regulares mais leves
Camisinha masculina
O preservativo masculino é feito de um revestimento fino feito de látex ou poliuretano que é colocado sobre o pênis ereto do homem antes da relação sexual. Na ponta do preservativo, um reservatório coleta o sêmen, para evitar que os espermatozoides cheguem ao útero e fertilizem um óvulo. Isso evita a ocorrência de gravidez e também protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Assim como o preservativo feminino, não contém hormônios e não precisa de outros contraceptivos para funcionar. No entanto, será importante usar um novo preservativo cada vez que tiver uma relação sexual. O preservativo masculino não tem nenhum efeito sobre a menstruação. É distribuído gratuitamente nos postos de saúde
Camisinha feminina
O preservativo feminino age de maneira semelhante ao preservativo masculino. Enquanto o preservativo masculino é colocado no pênis ereto, o preservativo feminino é colocado na vagina, criando uma barreira de poliuretano fina, mas lubrificada, que impede que os espermatozoides cheguem ao colo do útero. Ele também protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e não precisa de nenhum hormônio ou método anticoncepcional adicional para agir. Você precisa usar um novo cada vez que tem relação sexual. O preservativo feminino não tem nenhum efeito sobre a menstruação. É distribuído gratuitamente nos postos de saúde
*A repórter viajou a convite da Bayer
Fonte: Jornal Extra

Comentários

Populares

UFF Responde: Hanseníase

  A hanseníase carrega um histórico marcado por preconceito e exclusão. Por décadas, pacientes foram afastados do convívio social, confinados em colônias devido ao estigma em torno da doença. Hoje, embora os avanços no diagnóstico e no tratamento tenham transformado essa realidade, o combate ao preconceito ainda é um desafio. No Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, neste ano celebrado em 26 de janeiro, a campanha do “Janeiro Roxo” reforça a importância da conscientização, do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento gratuito oferecido pelo SUS, que ajuda a desconstruir mitos e ampliar o acesso à saúde. Em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados 22.773 novos casos da doença no Brasil. Por isso, a Estratégia Nacional para Enfrentamento à Hanseníase, estabelecida para o período 2024-2030, trouxe metas importantes, como a capacitação de profissionais de saúde e a ampliação do exame de contatos, que visam à eliminação da hanseníase como problema de...

Morte de turista no Cristo Redentor: cardiologista explica como um desfibrilador poderia ter evitado a tragédia

  A morte do turista gaúcho Jorge Alex Duarte, de 54 anos, no Cristo Redentor, no último domingo, trouxe à tona a falta de estrutura para atendimentos de emergência em um dos principais cartões-postais do Brasil. Jorge sofreu um infarto fulminante logo após subir parte da escadaria do monumento, mas não havia socorristas nem um desfibrilador disponível no local. Para o cardiologista e professor do Curso de Medicina da Unig, Jorge Ferreira, o uso rápido do equipamento poderia ter feito toda a diferença no desfecho da tragédia. "O desfibrilador é o principal aparelho que precisa estar disponível em casos de parada cardíaca. Ele funciona como um relógio da sobrevida: a cada minuto sem atendimento, as chances de sobrevivência diminuem. Se o paciente tiver um ritmo chocável (quando é necessário um choque elétrico para voltar à normalidade), o desfibrilador pode aumentar significativamente as chances de salvá-lo", explica o médico, que também é coordenador do Laboratório de Habili...

Anvisa aprova 1ª insulina semanal do país para o tratamento de diabetes tipo 1 e 2

  A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta sexta-feira (7) a primeira insulina semanal do mundo para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 1 e 2. O medicamento insulina basal icodeca é comercializado como Awiqli e produzido pela farmacêutica Novo Nordisk, a mesma que produz Ozempic. A aprovação foi baseada nos resultados de testes clínicos que mostraram que o fármaco é eficaz no controle dos níveis de glicose em pacientes com diabetes tipo 1, alcançando controle glicêmico comparável ao da insulina basal de aplicação diária. Os pacientes que utilizarama insulina basal icodeca mantiveram níveis adequados de glicemia ao longo da semana com uma única injeção. O medicamento também demonstrou segurança e controle glicêmico eficaz, comparável ao das insulinas basais diárias, em pacientes com diabetes tipo 2. A insulina icodeca permitiu um controle estável da glicemia ao longo da semana com uma única injeção semanal, sendo eficaz em pacientes com diferentes ...

Vacina brasileira contra dengue estará no SUS em 2026, diz governo

  O governo anunciou, nesta terça-feira, a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) da primeira vacina brasileira contra a dengue de dose única, produzida pelo Instituto Butantan. Isso vai valer a partir de 2026. O imunizante será destinado para toda a faixa etária de 2 a 59 anos e será produzido em larga escala, de acordo com o governo. O anúncio foi feito em cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Saúde, Nísia Trindade. Segundo o governo, a partir do próximo ano, serão ofertadas 60 milhões de doses anuais, com possibilidade de ampliação do quantitativo conforme a demanda e a capacidade produtiva. Fonte: Jornal Extra

UFF responde: Alzheimer

  Doença de causa desconhecida e incurável, o Alzheimer é a forma mais comum de demência e afeta, principalmente, idosos com mais de 65 anos. Identificada inicialmente pela perda de memória, pessoas acometidas pela doença têm, a partir do diagnóstico, uma sobrevida média que oscila entre 8 e 10 anos, segundo o  Ministério da Saúde  .  Em um  Relatório sobre Demência , a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que mais de 55 milhões de pessoas no mundo possuem algum tipo dessa doença, sendo mais de 60% dessas pessoas habitantes de países de baixa e média renda. A previsão é de que esse número ultrapasse mais de 130 milhões no ano de 2050. Outros dados apresentados na publicação indicam que a demência é a sétima maior causa de morte no mundo e que, em 2019, representou um custo global superior a 1 trilhão de dólares. Com o intuito de criar ações para o tratamento e a conscientização sobre a Doença de Alzheimer e de demências, em junho de 2024, foi instituída a...