
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta sobre o consumo de álcool na gravidez. Essa prática perigosa é um fator de risco para o desenvolvimento da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que pode levar a deficiências físicas e distúrbios de neurodesenvolvimento. As informações são da Agência Brasil.
A médica Conceição Segre, coordenadora da Campanha de Prevenção à SAF da SBP, afirma que, hoje, não há tratamento que leve à cura da síndrome, que pode levar a danos irreversíveis, como retardo mental e anomalias congênitas. Por isso, é importante que se reforce as ações de conscientização para a prevenção.
— O que se recomenda é que, durante a gestação, a mulher não ingira nenhuma, zero quantidade de álcool, porque a gente não sabe, até hoje a ciência ainda não descobriu, se tem alguma quantidade segura (de ingestão). O que se sabe é que qualquer quantidade de álcool em qualquer momento da gestação pode atingir o feto e causar a Síndrome Alcoólica Fetal, completa ou parcial — disse.
Conceição explica ainda que o álcool passa facilmente pela placenta e atinge o feto, podendo causar várias lesões, principalmente, no sistema nervoso central.
— A síndrome pode ser completa ou parcial. Quando é completa, ela se manifesta em defeitos na face, então o bebê tem uma característica facial bastante peculiar, ele tem lábios finos, pálpebras pequenas, a face dele pode ser reconhecida já no nascimento.

Se o bebê não apresenta essas características já ao nascer, ele pode manifestar sintomas que aparecem, em geral, na idade escolar. Ou seja, a criança não vai bem na escola, tem problema no aprendizado ou ainda apresenta distúrbios de comportamento.
Tratamento não cura e custa caro
A médica Conceição Segre explica que a SAF é uma “doença que não tem cura ou tratamento curativo. O que existe é tratamento de apoio, com psicólogos, equipe multiprofissional, terapeutas ocupacionais, psiquiatras, enfim, é um tratamento complicado e caro, ainda segundo Segre.
A Sociedade Brasileira de Pediatria tem uma plataforma com o objetivo de ampliar a conscientização das mães e profissionais da saúde sobre os danos da ingestão de álcool durante a gravidez para os bebês.
O Ministério da Saúde informou que há equipes que investigam o consumo de álcool das gestantes durante o pré-natal e, se necessário, recomendam tratamento ou a interrupção do consumo de álcool durante a gestação. No período de 2017 a 2021, foram registradas 39 internações de bebês diagnosticados com a SAF, segundo dados da pasta.
Fonte: Jornal Extra
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