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Terapia-alvo, metástase, carcinogênese: o significado dos termos mais usados no tratamento do câncer

 



Muitas são as palavras que passam a fazer parte da rotina do paciente oncológico (e de sua família) tão logo ele recebe o diagnóstico para a doença. Entendê-las é fundamental, explicam os especialistas, para que a conversa no consultório e no dia a dia dos cuidados se torne fluida e propositiva para o avanço dos cuidados.

Em geral, as principais dúvidas dizem respeito ao aparecimento dos tumores, e como eles funcionam no organismo, além dos sofisticados mecanismos de cada tipo de tratamento conhecido para os pacientes. EXTRA preparou um "glossário" com diversos termos muito utilizados na rotina oncológica e que são úteis para empoderar o paciente. Confira:

Carcinogênese

É o nome que se dá ao processo no qual as células regulares se tornam em versões cancerígenas.

– Essa transformação envolve uma série de alterações genéticas que levam ao crescimento e divisão celular descontrolados. O processo pode ser influenciado por vários fatores, como mutações, fatores ambientais, estilo de vida, inflamação e evasão do sistema imunológico — explica André Berger, uro-Oncologista e Cirurgião Robótico — Compreender este processo é crucial para o desenvolvimento de estratégias preventivas e tratamentos para o câncer.

De acordo com o Ministério da Saúde esse processo normalmente acontece lentamente, “podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa se prolifere e dê origem a um tumor visível”.

Cuidados paliativos

São estratégias de cuidado feitas para melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças graves, que apresentam riscos mais severos. De acordo com o Ministério da Saúde são 625 mil pessoas que necessitam desse tipo de cuidado atualmente no país.

— Estas ações estão relacionadas principalmente ao controle da dor, mas também a problemas físicos, psicossociais e espirituais — afirma Erivelto Volpi, médico cirurgião de cabeça e pescoço, especialista em doenças da tireoide e da paratireoide. — Não necessariamente estes cuidados são exclusivos para pacientes terminais. Pessoas com doenças graves, mas não necessariamente com risco de vida, também podem se beneficiar de cuidados paliativos.

Os cuidados paliativos, determina a Organização Mundial de Saúde (OMS) também fornecem alívio para os familiares dos pacientes.

Estágio terminal

Há quem costume citar também como paciente terminal. São pessoas que estão diante de um quadro grave, progressivo e irreversível.

— São casos em que não há, para a situação atual do paciente, nenhum tratamento comprovado que possa mudar a evolução da doença — afirma Erivelto Volpi.

Essa condição de saúde, explica o especialista, pode se dar diante de outras doenças e não só do câncer. Também é comum que, nesse tipo de diagnóstico, reconheça-se que a pessoa tenha um prognóstico fatal para um tempo relativamente breve.

Tumor

Um tumor é uma massa onde há crescimento anormal e desordenado de células. E que, segundo André Berger, pode se desenvolver em praticamente qualquer parte do corpo humano.

— Ele pode ter uma variedade de causas, incluindo fatores genéticos, exposição a substâncias cancerígenas, infecções, e estilo de vida — afirma o especialista.

Os tumores se dividem em dois grupos. Os benignos, que de acordo com Berger, não são cancerígenos e nem se espalham para outras áreas do organismo e os malignos, cancerígenos e com a capacidade de “invadir tecidos adjacentes e se espalhar para outras partes do corpo, um processo conhecido como metástase”, conforme explica o especialista. Os tratamentos são mais intensos para esse tipo de quadro.

Tratamentos

CAR-T Cells

Um dos mais modernos tipos de terapia existentes, esse tipo de tratamento retira as próprias células de defesa do paciente (os linfócitos) e as “turbina” em laboratório para reconhecer e atacar as células tumorais.

— Essas células de defesa modificadas e ativadas são novamente infundidas na corrente sanguínea do paciente para combater o tumor — afirma o oncologista Victor Araújo, Complexo Hospitalar de Niterói (CHN). — Cada paciente deve ser tratado de forma individualizada e de acordo com os protocolos e estudos científicos mais atualizados.

Em geral, esse tipo de tratamento, bastante inovador, é usado em pacientes que já esgotaram outras alternativas de tratamento.

Imunoterapia

É uma forma de induzir que o sistema imunológico do paciente combata, controle ou impeça o avanço do câncer. Pode envolver diversos tipos de droga, mas o mais conhecido deles é um tipo de medicamento que “consegue desligar o sistema de camuflagem das células tumorais permitindo que o sistema imunológico identifique essas células anormais e a ataquem”.

— Isso leva à redução do número de células cancerígenas e redução do tumor. Algumas vezes, esse tratamento é tão eficaz que tumores que mal respondiam à quimioterapia podem ser curados — pontua Victor Araújo.

Quimioterapia

Trata-se de um dos mais antigos tratamentos conhecidos para o câncer e ainda é muito utilizado nas estratégias de cuidado. O trunfo desse tipo de terapia é agir na capacidade das células crescerem e se multiplicarem. De acordo com o Ministério da Saúde, esse tipo de droga se mistura com o sangue e é levada a todas as partes do corpo. Desse modo, ela destrói as células que estão “doentes” e, por muitas vezes, inibem que o problema se espalhe por outras partes do organismo.

— A quimioterapia pode ser aplicada no paciente pelas mais diversas formas, entre elas via venosa, via oral, tópica, intramuscular ou subcutânea — explica o oncologista Victor Araújo. — Cada medicamento utilizado na quimioterapia tem sua forma mais adequada de aplicação. A quimioterapia afeta principalmente as células cancerosas, mas também pode danificar células saudáveis, o que produz os efeitos colaterais.

Radioterapia

Consiste no uso da radiação para causar uma lesão no DNA das células cancerígenas. Sua principal função é destruir as células do tumor ou impedir que elas se multipliquem.

— Geralmente a fonte de radiação é um aparelho de grande porte que produz a radiação e a direciona com a intensidade adequada para a região onde se localiza o tumor, atravessando o corpo do paciente — diz Araújo.

De acordo com o especialista, a aparelhagem mais moderna para esse tipo de cuidado consegue ser muito precisa. O que diminui os efeitos colaterais causados pela irradiação dos órgãos saudáveis ao redor do tumor.

Há um tipo específico do tratamento chamado de braquiterapia, em que pequenas fontes de radiação são introduzidas no paciente próximo ao tumor. Essas fontes (de funcionamento seguro e controlado) são chamadas de “sementes”.

Terapia-alvo

É o nome que se dá a um conjunto de medicamentos que podem atuar de maneira bastante específica nas células tumorais, como por exemplo em genes e proteínas que permitem a sobrevivência das células cancerosas. Mais moderno, esse tipo de cuidado pode envolver anticorpos monoclonais (operados em laboratório) e que são aplicados diretamente na corrente sanguínea — e capazes de afetar especificamente o tumor.

Há ainda uma classe desse tipo de medicamento que pode ser aplicado de maneira oral — o que facilita a aceitação do paciente.

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