Pular para o conteúdo principal

Há 140 anos, nascia Oswaldo Cruz. Relembre a história do médico e sanitarista

No último domingo (5/8) completaram-se 140 do nascimento daquele que é considerado um pioneiro na medicina experimental e idealizador de um novo modelo de gestão em saúde pública no Brasil, o médico e sanitarista Oswaldo Cruz. Nascido em 1872, em São Luiz do Paraitinga (SP), sua memorável trajetória de dedicação à ciência e à saúde começou quando ingressou na faculdade de medicina, aos 15 anos, no Rio de Janeiro. Seu interesse pela microbiologia o levou a montar um pequeno laboratório no porão de sua casa e a publicar artigos antes de terminar o curso.

Após concluir o curso de graduação em 1892, Oswaldo Cruz conseguiu realizar um de seus sonhos: ingressou no Instituto Pasteur de Paris, na França, para especializar-se em bacteriologia, em 1896. Ao retornar da Europa, encontrou o porto de Santos assolado por uma epidemia de peste bubônica que ameaçava atingir também a cidade do Rio de Janeiro, já contagiada pela febre amarela, à malária e a varíola. Logo se empenhou no combate à doença e ingressou no Instituto Soroterápico Federal, criado em 1900 para fabricar o soro antipestoso e que mais tarde daria origem ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), localizado na antiga Fazenda de Manguinhos. Em seguida, em 1902, assumiu a direção geral do instituto e decidiu ampliar suas atividades, dedicando-se também à pesquisa básica aplicada e à formação de recursos humanos. Foi nomeado, em 1903, diretor-geral de Saúde Pública, cargo correspondente atualmente ao de Ministro da Saúde.

Durante esse período, Oswaldo Cruz conseguiu controlar o surto destas doenças reformando o Código Sanitário e remodelando os órgãos de saúde pública. Realizou campanhas de saneamentos e utilizou o Instituto Soroterápico Federal como base de apoio técnico-científico. Convicto da eficiência de suas ações, tomou algumas medidas polêmicas, gerando revolta na população que criticava a imunização obrigatória e a reforma urbana que derrubou cortiços e favelas. Duramente criticado pela imprensa, em 1904 a oposição chegou ao ápice, eclodindo na Revolta da Vacina.

Expedições científicas

Mais tarde, Oswaldo Cruz provou estar certo e obteve reconhecimento, erradicando a febre amarela do Rio de Janeiro, em 1907. No cenário internacional seu prestígio tornou-se incontestável e em 1908 levou a população a formar filas nos postos de vacinação, após uma epidemia de varíola. Ainda nesse ano, o governo rebatizou o Instituto Soroterápico Federal como Instituto Oswaldo Cruz. No ano seguinte, abandonou o cargo público e dedicou-se exclusivamente ao instituto. Na época, fez importantes expedições científicas e campanhas sanitárias que possibilitaram a ocupação do interior do país.

Em 1913, o cientista foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Por motivo de saúde, deixou a direção do instituto e mudou-se para Petrópolis, onde assumiu a prefeitura, mas não conseguiu ficar por muito tempo. Faleceu aos 44 anos de insuficiência renal, em 11 de fevereiro de 1917, mas deixou para a história o Instituto de Manguinhos e sua trajetória de dedicação à saúde pública e à ciência.

Fonte : Fiocruz

Comentários

Populares

UFF Responde: Hanseníase

  A hanseníase carrega um histórico marcado por preconceito e exclusão. Por décadas, pacientes foram afastados do convívio social, confinados em colônias devido ao estigma em torno da doença. Hoje, embora os avanços no diagnóstico e no tratamento tenham transformado essa realidade, o combate ao preconceito ainda é um desafio. No Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, neste ano celebrado em 26 de janeiro, a campanha do “Janeiro Roxo” reforça a importância da conscientização, do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento gratuito oferecido pelo SUS, que ajuda a desconstruir mitos e ampliar o acesso à saúde. Em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados 22.773 novos casos da doença no Brasil. Por isso, a Estratégia Nacional para Enfrentamento à Hanseníase, estabelecida para o período 2024-2030, trouxe metas importantes, como a capacitação de profissionais de saúde e a ampliação do exame de contatos, que visam à eliminação da hanseníase como problema de...

Morte de turista no Cristo Redentor: cardiologista explica como um desfibrilador poderia ter evitado a tragédia

  A morte do turista gaúcho Jorge Alex Duarte, de 54 anos, no Cristo Redentor, no último domingo, trouxe à tona a falta de estrutura para atendimentos de emergência em um dos principais cartões-postais do Brasil. Jorge sofreu um infarto fulminante logo após subir parte da escadaria do monumento, mas não havia socorristas nem um desfibrilador disponível no local. Para o cardiologista e professor do Curso de Medicina da Unig, Jorge Ferreira, o uso rápido do equipamento poderia ter feito toda a diferença no desfecho da tragédia. "O desfibrilador é o principal aparelho que precisa estar disponível em casos de parada cardíaca. Ele funciona como um relógio da sobrevida: a cada minuto sem atendimento, as chances de sobrevivência diminuem. Se o paciente tiver um ritmo chocável (quando é necessário um choque elétrico para voltar à normalidade), o desfibrilador pode aumentar significativamente as chances de salvá-lo", explica o médico, que também é coordenador do Laboratório de Habili...

Anvisa aprova 1ª insulina semanal do país para o tratamento de diabetes tipo 1 e 2

  A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta sexta-feira (7) a primeira insulina semanal do mundo para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 1 e 2. O medicamento insulina basal icodeca é comercializado como Awiqli e produzido pela farmacêutica Novo Nordisk, a mesma que produz Ozempic. A aprovação foi baseada nos resultados de testes clínicos que mostraram que o fármaco é eficaz no controle dos níveis de glicose em pacientes com diabetes tipo 1, alcançando controle glicêmico comparável ao da insulina basal de aplicação diária. Os pacientes que utilizarama insulina basal icodeca mantiveram níveis adequados de glicemia ao longo da semana com uma única injeção. O medicamento também demonstrou segurança e controle glicêmico eficaz, comparável ao das insulinas basais diárias, em pacientes com diabetes tipo 2. A insulina icodeca permitiu um controle estável da glicemia ao longo da semana com uma única injeção semanal, sendo eficaz em pacientes com diferentes ...

Vacina brasileira contra dengue estará no SUS em 2026, diz governo

  O governo anunciou, nesta terça-feira, a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) da primeira vacina brasileira contra a dengue de dose única, produzida pelo Instituto Butantan. Isso vai valer a partir de 2026. O imunizante será destinado para toda a faixa etária de 2 a 59 anos e será produzido em larga escala, de acordo com o governo. O anúncio foi feito em cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Saúde, Nísia Trindade. Segundo o governo, a partir do próximo ano, serão ofertadas 60 milhões de doses anuais, com possibilidade de ampliação do quantitativo conforme a demanda e a capacidade produtiva. Fonte: Jornal Extra

Destaque UFF

  Mais um projeto da UFF que vem para somar na cidade de Niterói. Com foco no turismo responsável, o Observatório do Turismo de Niterói (ObservaTur Niterói) busca monitorar a atividade turística da região visando à geração de empregos, implementação de políticas públicas e outros investimentos no setor.  O projeto, elaborado pela nossa Universidade em parceria com a Prefeitura Municipal de Niterói e a Fundação Euclides da Cunha (FEC), envolve docentes e estudantes de graduação e pós.  Como destaca o reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a cidade sorriso tem um grande potencial turístico. ""A UFF está atuando junto ao município para cooperar neste processo de recuperação dos efeitos da pandemia, para que Niterói avance e se torne referência para todo o estado"". Leia a matéria completa do #DestaquesUFF  no link https://bit.ly/3FaRxBT