Pular para o conteúdo principal

Estudo analisa documentos sobre a tuberculose no Brasil para indicar cenários futuros


Com uma média anual de 73 mil casos novos no Brasil, a tuberculose vem sendo combatida por ações e investimentos do Ministério da Saúde (MS) e demais instâncias do Sistema Único de Saúde. Apesar da taxa de incidência da doença ter caído 15,9% na última década, a enfermidade ainda é a quarta causa de morte por doenças infecciosas no país e a primeira entre os indivíduos com HIV/Aids. Com a proximidade do Dia Mundial de Combate à Tuberculose (24/3) e o alerta para o aumento do número de casos de tuberculose multirresistente feito pela Organização Mundial da Saúde e a organização Médicos Sem Fronteiras, a reflexão sobre a temática se intensifica, assim como a necessidade da realização de mais pesquisas voltadas para o enfrentamento da doença. Com o objetivo de contribuir para essa reflexão, a bióloga Francelina Silva, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), defendeu no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz) tese de doutorado intitulada Cenários futuros da tuberculose: reflexões e análises sobre a trajetória e percalços da biossegurança, riscos e sociedade. Ouça aqui uma entrevista sobre a enfermidade com a pesquisadora Margareth Dalcolmo.
Francelina, a primeira doutora formada pelo Programa de Pós-Graduação em Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas na subárea de Biossegurança, analisou 28 manuais, diretrizes e planos em tuberculose do Ministério da Saúde e 12 documentos gerados a partir das Conferências Nacionais de Saúde e de Ciência e Tecnologia em Saúde publicados nas últimas quatro décadas, com o objetivo de verificar como a doença e a questão da biossegurança têm sido tratadas e o que isso acarreta em projeções futuras. De acordo com Francelina, do início da década de 1970 até meados da década de 2000, as citações sobre ambos os temas foram escassas. “Os manuais só começam a abordar a necessidade de proteção à saúde do trabalhador que combate a tuberculose na década de 1990 e, nos anos 2000, o assunto ganhou mais visibilidade com a capacitação nacional em biossegurança proposta pelo MS em parceria com a Fiocruz”, esclareceu a estudiosa. “No entanto, nos últimos anos, houve uma queda do número de citações da temática: em 2011 encontramos menor número de referências do que em 2008”.
Capacitação para reduzir incidência da doença
Segundo Francelina, essa tendência decrescente verificada na análise dos dados oficiais pode ser um indicativo de que o tema tem sido menos debatido do que o necessário no âmbito da saúde. “O receio é que a temática entre no esquecimento ou se torne invisível, situação comum quando se trata de doenças negligenciadas”, afirma a pesquisadora. “É preciso que esses temas voltem à tona com força para garantirmos um impacto positivo no combate à doença nos próximos anos”. Para a estudiosa, além da intensificação de ações e políticas de prevenção da doença, a capacitação contínua em técnicas laboratoriais, atendimento em biossegurança dos trabalhadores em saúde, garantiriam uma redução da incidência da doença entre esses profissionais. “Para o combate à tuberculose, é imprescindível que exista integração entre as esferas governamentais e, para que mais ações sejam implantadas com sucesso, é necessário o desenvolvimento institucional e de recursos humanos”, destacou.
Além disso, ela também indicou que o aumento de estudos sobre novas drogas e vacinas poderia ser um fator positivo em um cenário futuro da tuberculose. “Como é uma doença que atinge, sobretudo, os indivíduos desfavorecidos, não há interesse por parte de empresas privadas, em investir em novos medicamentos ou vacinas: há mais de 30 anos uma nova droga voltada para o combate a tuberculose não é lançada. Mas há esperança: atualmente, existem cinco novas drogas sendo pesquisadas e 30 vacinas em desenvolvimento”, explicou a pesquisadora.
O estudo de Francelina, que foi orientado pelos professores Mauro Marzochi, do Ipec/Fiocruz, e Marli Navarro, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), ainda apontou que a análise histórica do passado direciona uma projeção para o futuro que poderá auxiliar a melhor compreensão do quadro em que se encontra a manifestação da tuberculose nos dias de hoje e a formulação de novas perspectivas de combate à doença. “No passado, verificamos a presença de um cenário indesejado, no qual a tuberculose e as diretrizes de biossegurança em torno da enfermidade apresentavam um descontrole; hoje, temos um cenário intermediário no qual o debate em torno do controle da doença e da biossegurança ainda necessitam de ações pontuais; podemos caminhar para um cenário desejado de redução significativa da doença nos próximos 20 anos com programas efetivos e abrangentes para a enfermidade e biossegurança, desenvolvimento de inovações biotecnológicas, qualidade de vida e informação voltada para os atores sociais. Para que esse cenário ideal se materialize será necessário uma série de investimentos públicos, privados e a participação ativa da sociedade”, concluiu a pesquisadora.
Fonte : Fiocruz

Comentários

Populares

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras Com a recomendação do uso de álcool 70% para limpar superfícies e higienizar as mãos em razão da pandemia de coronavírus, acende-se um novo alerta: o risco de acidentes com queimaduras. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) tem buscado conscientizar a população sobre os cuidados no manuseio e estoque deste produto.“É extremamente necessário redobrar o cuidado com a presença do álcool em casa, especialmente com crianças. Guardar em local que elas não acessem e não utilizar o álcool perto de chamas, como fogão e velas”, frisa o presidente da SBQ, José Adorno.Diante da baixa nos estoques de álcool em gel, a Câmara dos Deputados aprovou a liberação da venda do álcool líquido 70% para o consumidor individual. A proposta segue para votação no Senado. Porém, há uma previsão de que a Anvisa publique uma nova portaria, estabelecendo a venda em embalagens de até 50...

Outubro Rosa

  Outubro chegou! Durante este mês, o Ministério da Saúde traz conteúdos educativos e histórias inspiradoras relacionadas à detecção e ao tratamento do câncer de mama, com o objetivo de levar informações confiáveis à população. Incentive outras mulheres a adotarem práticas saudáveis e buscarem assistência médica em caso de alterações suspeitas. Informar para proteger. Cuidar para viver. Fonte: Ministério da Saúde

Prefeitura de Niterói prepara plano de transição gradual para uma nova normalidadePrefeitura de Niterói prepara plano de transição gradual para uma nova normalidade

Prefeitura de Niterói prepara plano de transição gradual para uma nova normalidade Fonte: Site da Prefeitura de Niterói                                                                                                                                                18/5/2020 A Prefeitura de Niterói inicia na próxima quinta-feira (21) uma transição gradual para uma nova normalidade. O anúncio foi feito neste domingo (17) pelo prefeito Rodrigo Neves, em pronunciamento nas redes sociais. O plano, que está sendo desenvolvido por técnicos da prefeitura, especialistas da Fiocruz, UFF, UFRJ e representantes de entidades empresariais ser...

Fale com a Biblioteca

📝 Olá! Queremos saber como tem sido a sua experiência com as bibliotecas da UFF até agora.  . 👨‍💻Estamos empenhados em melhorar nossos serviços virtuais. Para isso, a Coordenação de Bibliotecas da Superintendência de Documentação da Universidade Federal Fluminense desenvolveu um formulário on-line para mapear as necessidades da nossa comunidade acadêmica. . 📝Preencha o formulário e nos ajude a oferecer serviços melhores para vocês. São apenas 15 perguntas rápidas. Vamos lá? . 🔎Onde responder? Em https://forms.gle/jmMv854ZrikiyRs29 (link clicável na Bio) . 🔺Quem deve responder? Alunos, técnicos-administrativos e professores da UFF, ex-aluno da UFF, alunos, professores e técnicos de outras instituições que utilizam as bibliotecas da UFF. . 👩‍💻Apesar de estarmos fechados para os serviços presenciais, estamos atendendo on-line pelo DM ou e-mail. . #UFF #SDC #BFM #gtmidiassociaisuff #bibliotecasuff #uffoficial  

Você sabia?