Pular para o conteúdo principal

Taxa de incidência de diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos


Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 16 milhões de brasileiros sofrem de diabetes. Ainda de acordo com o estudo, a taxa de incidência da doença cresceu 61,8% nos últimos dez anos. O Rio de Janeiro aparece como a capital brasileira com maior prevalência de diagnóstico médico da doença, com 10.4 casos a cada 100 mil habitantes. O diabetes é uma epidemia global e o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking dos países com o maior número de casos, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Vários fatores desempenham papel importante para este crescimento em países em desenvolvimento: obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada. Além disso, as complicações (retinopatia, doença renal do diabetes, amputações, infartos e derrames) ainda são frequentes embora dados de mortalidade tenham apresentado discreta queda.

De acordo com a pesquisadora Hermelinda Cordeiro Pedrosa, é preciso retomar uma política preventiva efetiva, que seja de estado e não de governo, pois doenças crônicas requerem planejamento e ações no médio e longo prazo, com educação de profissionais de saúde na atenção básica e implantação de equipes especializadas nos centros de média e alta complexidade, e certamente, educação de pacientes e familiares. Ela assumiu, em 2017, o desafio de presidir a Sociedade Brasileira de Diabetes. Formada pela Faculdade de Medicina de Campina Grande, a especialista deixou a região nordeste para fazer internato na Fundação Hospitalar do Distrito Federal (FHDF) que, na época, era ícone da saúde pública no país. Ao longo da residência médica, ela conciliou os estudos com assistência, ensino e pesquisa, sendo preceptora na Residência em Clínica Médica do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e atuando fortemente na criação da Residência em Endocrinologia (2004) e Unidade de Endocrinologia do HRT (UENDO, 2012), além da Coordenação do Programa de Educação de Controle do Diabetes (PECD-DF) juntamente com José Bernardo Peniche e Maria Stela Dias (1997 a 2001). Participou também da implantação do Centro de Pé Diabético, da criação da Residência em Endocrinologia (2004) e da Unidade de Endocrinologia do HRT (UENDO, 2012).

Parceria

Hoje, a pesquisadora atua em parceria com a Fiocruz em um projeto iniciado de forma pioneira pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) do Distrito Federal, o Salvando o Pé Diabético, implementado na década de 90 e que contribuiu para a redução de 78% nas amputações no HRT. O projeto se estendeu a vários estados brasileiros, resultou em grande visibilidade internacional e recebeu apoio do Ministério da Saúde até 2004.

A médica conta que o pé diabético é uma das mazelas que provoca grande impacto nos custos e na qualidade de vida dos pacientes diabéticos. Ela lembra que a Fiocruz se interessou por um produto desenvolvido em Cuba, o Fator de Crescimento Epidérmico Humano Recombinante, Heberprot®, que apresentou resultados bastante promissores.

Prevenção e ação

O lema da gestão 2018-2019 da Sociedade Brasileira de Diabetes é educar, apoiar e transformar. A presença de membros da diretoria e departamentos ligados à docência, saúde pública e pesquisa, acredita Hermelinda, fará com que as ações sejam conduzidas nesse sentido. "Pretendemos dar continuidade aos projetos implantados e aperfeiçoar aqueles que requeiram ajustes, reforçar a integração entre os Departamentos da SBD e os ativos de comunicação da sociedade, visando estender conhecimento às áreas mais desfavorecidas do nosso país. Também vem sido feitas uma série de parcerias com projetos internacionais, como as ações do Step by Step(Neuropatia e Pé Diabético), atividades em maior escala com a Worldwide e a World Diabetes Foundation e o Projeto Prevenção de Hipoglicemia, adaptado de um modelo do Reino Unido e conduzido pelo colega e amigo Dr. Simon Heller.

Outra ação que merece destaque é a realização de projeto das regionais nacionais, que contribuirão na capacitação de professores para o Diabetes nas Escolas, além de avanços no Diabetes sem Fronteiras.

Fonte: Fiocruz

Comentários

Populares

UFF Responde: Hanseníase

  A hanseníase carrega um histórico marcado por preconceito e exclusão. Por décadas, pacientes foram afastados do convívio social, confinados em colônias devido ao estigma em torno da doença. Hoje, embora os avanços no diagnóstico e no tratamento tenham transformado essa realidade, o combate ao preconceito ainda é um desafio. No Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, neste ano celebrado em 26 de janeiro, a campanha do “Janeiro Roxo” reforça a importância da conscientização, do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento gratuito oferecido pelo SUS, que ajuda a desconstruir mitos e ampliar o acesso à saúde. Em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados 22.773 novos casos da doença no Brasil. Por isso, a Estratégia Nacional para Enfrentamento à Hanseníase, estabelecida para o período 2024-2030, trouxe metas importantes, como a capacitação de profissionais de saúde e a ampliação do exame de contatos, que visam à eliminação da hanseníase como problema de...

Morte de turista no Cristo Redentor: cardiologista explica como um desfibrilador poderia ter evitado a tragédia

  A morte do turista gaúcho Jorge Alex Duarte, de 54 anos, no Cristo Redentor, no último domingo, trouxe à tona a falta de estrutura para atendimentos de emergência em um dos principais cartões-postais do Brasil. Jorge sofreu um infarto fulminante logo após subir parte da escadaria do monumento, mas não havia socorristas nem um desfibrilador disponível no local. Para o cardiologista e professor do Curso de Medicina da Unig, Jorge Ferreira, o uso rápido do equipamento poderia ter feito toda a diferença no desfecho da tragédia. "O desfibrilador é o principal aparelho que precisa estar disponível em casos de parada cardíaca. Ele funciona como um relógio da sobrevida: a cada minuto sem atendimento, as chances de sobrevivência diminuem. Se o paciente tiver um ritmo chocável (quando é necessário um choque elétrico para voltar à normalidade), o desfibrilador pode aumentar significativamente as chances de salvá-lo", explica o médico, que também é coordenador do Laboratório de Habili...

Anvisa aprova 1ª insulina semanal do país para o tratamento de diabetes tipo 1 e 2

  A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta sexta-feira (7) a primeira insulina semanal do mundo para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 1 e 2. O medicamento insulina basal icodeca é comercializado como Awiqli e produzido pela farmacêutica Novo Nordisk, a mesma que produz Ozempic. A aprovação foi baseada nos resultados de testes clínicos que mostraram que o fármaco é eficaz no controle dos níveis de glicose em pacientes com diabetes tipo 1, alcançando controle glicêmico comparável ao da insulina basal de aplicação diária. Os pacientes que utilizarama insulina basal icodeca mantiveram níveis adequados de glicemia ao longo da semana com uma única injeção. O medicamento também demonstrou segurança e controle glicêmico eficaz, comparável ao das insulinas basais diárias, em pacientes com diabetes tipo 2. A insulina icodeca permitiu um controle estável da glicemia ao longo da semana com uma única injeção semanal, sendo eficaz em pacientes com diferentes ...

Vacina brasileira contra dengue estará no SUS em 2026, diz governo

  O governo anunciou, nesta terça-feira, a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) da primeira vacina brasileira contra a dengue de dose única, produzida pelo Instituto Butantan. Isso vai valer a partir de 2026. O imunizante será destinado para toda a faixa etária de 2 a 59 anos e será produzido em larga escala, de acordo com o governo. O anúncio foi feito em cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Saúde, Nísia Trindade. Segundo o governo, a partir do próximo ano, serão ofertadas 60 milhões de doses anuais, com possibilidade de ampliação do quantitativo conforme a demanda e a capacidade produtiva. Fonte: Jornal Extra

Destaque UFF

  Mais um projeto da UFF que vem para somar na cidade de Niterói. Com foco no turismo responsável, o Observatório do Turismo de Niterói (ObservaTur Niterói) busca monitorar a atividade turística da região visando à geração de empregos, implementação de políticas públicas e outros investimentos no setor.  O projeto, elaborado pela nossa Universidade em parceria com a Prefeitura Municipal de Niterói e a Fundação Euclides da Cunha (FEC), envolve docentes e estudantes de graduação e pós.  Como destaca o reitor da UFF, professor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, a cidade sorriso tem um grande potencial turístico. ""A UFF está atuando junto ao município para cooperar neste processo de recuperação dos efeitos da pandemia, para que Niterói avance e se torne referência para todo o estado"". Leia a matéria completa do #DestaquesUFF  no link https://bit.ly/3FaRxBT