
Na semana passada, a Secretária Estadual do Pará anunciou que estava investigando um caso suspeito de poliomielite em um menino de 3 anos. Não se tem vestígio da doença no país desde 1989. Pouco tempo antes, a cidade de São Paulo anunciou um surto de meningite com cerca de cinco casos em uma região específica da cidade e duas mortes pela enfermidade — uma mulher de 42 anos e um jovem de 22.
A meningite também avança no país com mais de quatro estados com crescimento no número de casos e mortes. Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais apresentaram elevação nos casos até setembro. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de cobertura vacinal está em torno de 52,08%. A meta era vacinar 95%.
Muitas pessoas têm dúvidas sobre as vacinas e a caderneta de vacinação. Caso você não lembre se já tomou um determinado imunizante, pode receber uma segunda dose? E se não tiver com a caderneta em mãos? Como saber se minha caderneta está completa e atualizada? Existe uma caderneta digital?
Para tirar essas dúvidas, o EXTRA conversou com o infectologista da Fiocruz José Cerbino e a especialista m genética Humana da Fiocruz Patrícia Vanderborght, para tirar algumas das principais dúvidas que costumam surgir neste momento (veja abaixo).
1 - Onde e quais documentos são necessários para tirar a caderneta de vacinação?
Segundo José Cerbino, por norma do Ministério da Saúde, “toda maternidade é obrigada a oferecer a caderneta oficial do Ministério da Saúde para os recém-nascidos”. Não é necessária nenhuma documentação, neste caso. Toda unidade de saúde (posto, UBS e clínicas privadas) e todo local que aplica vacina também fornecem cartões e cadernetas de vacinação. “Além disso, qualquer pessoa que vá se vacinar e que eventualmente não tenha uma caderneta à mão para que a dose seja registrada vai ganhar um novo cartão com o registro daquela dose aplicada”. Já Patrícia Vanderborght explica que os documentos solicitados são identidade e CPF. Porém, em alguns casos específicos pode ser solicitado o pedido médico. Isso acontece, por exemplo, para pacientes especiais (oncológicos, transplantados e imunodeprimidos, entre outros) e dependendo da vacina a ser utilizada.
2 - Uma caderneta completa, da infância à vida adulta tem quantas vacinas?
São 20 vacinas oferecidas, hoje, no Programa Nacional de Imunização (PNI) , e mais duas que são oferecidas exclusivamente em clínicas privadas, que são a Meningite B e a do Herpes Zoster, diz Cerbino.
3 - Quais são elas?
Patrícia Vanderborght listou as vacinas que a pessoa pode tomar ao longo da vida: BCG, que protege contra a tuberculose e hepatite B; Hexavalente*, que atua na prevenção de doenças com muita gravidade, como difteria, tétano, coqueluche, meningite tipo b, hepatite B e poliomielite; Pentavalente e Tríplice Bacteriana, que protege contra difteria, tétano e coqueluche; Tetra Bacteriana*, que imuniza contra as três doenças citadas acima mais a meningite tipo B; Pneumo-13, cuja função é proteger as pessoas contra meningite, otite e pneumonia; Rotavírus, Meningite B*, Meningite ACWY e Influenza, contra os vírus da gripe e febre amarela; Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola; Varicela, que imuniza as pessoas contra a catapora; Hepatite A, HPV, Pneumo-23*, Herpes Zóster* e Febre Tifoide*, que protege contra infecção generalizada causada pela Salmonella. Todas com o asterisco são disponibilizadas exclusivamente na rede privada.
4 - Se eu perder a minha caderneta, preciso tomar as vacinas novamente?
Quem perde a caderneta não precisa e nem deve tomar todas as vacinas novamente, mas essa informação será perdida, explica Cerbino: “Hoje, ainda não temos como recuperar um registro antigo de vacinação. Por isso é importante guardar bem sua caderneta e eventualmente tirar uma cópia, para você ter esse registro e não correr o risco de perder essa informação.
5 - Como adultos que não têm mais a caderneta da infância podem saber se estão com a vacinação em dia?
Patrícia Vanderborght afirma que a pessoa que estiver na dúvida deve ir a uma unidade de saúde pública ou clínica privada e conversar com um profissional de saúde (médico ou enfermeiro) que conheça o calendário vacinal do adulto/idoso e possa indicar o melhor esquema para cada situação.
6 - Existe caderneta digital? Como consegui-la?
A Caderneta de Vacinação Digital foi implantada recentemente, através do aplicativo Conecte SUS, do Ministério da Saúde. Por enquanto, apenas as doses da vacina contra Covid-19 estão sendo visualizadas pelos usuários. “Hoje, toda vacina aplicada, tanto em unidades públicas como privadas, já é registrada no sistema interno do Ministério da Saúde, chamado SI-PNI (Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações)”, diz Vanderborght: “A proposta é que haja essa integração total com o Conecte SUS, e aí então todas as vacinas que tiverem sido registradas no seu nome no SI-PNI vão aparecer no ConectSUS, que seria a caderneta digital. Além disso, existem outras cadernetas e aplicativos que oferecem esse tipo de serviço de registro, mas é preciso que a própria pessoa preencha com o nome da vacina e a data”.
7 - Há riscos de tomar uma vacina repetida?
Em geral, prossegue Vanderborght, as vacinas são extremamente seguras e não existe “overdose”. Mas é preciso avaliar caso a caso o risco epidemiológico e específico daquele paciente.
8 - Como funciona a vacinação para o viajante? Hoje é preciso se vacinar para ir para alguma região específica no Brasil? E no caso de quem trabalha viajando para outros continentes?
Cerbino afirma que, durante alguns anos, a vacina da febre amarela não era aplicada em todo o país, assim, quando a pessoa viajava para áreas de maior risco, como as regiões Norte e Centro-Oeste, era necessário tomá-la. Hoje, ela já está no calendário básico do país. Mas existe um atendimento médico que faz a profilaxia específica para determinadas viagens. Quando falamos em viajar para outros locais, com outros riscos epidemiológicos, a gente avalia as condições da pessoa que vai viajar, os riscos que ela estará submetida, a situação epidemiológica do local de destino e, dependendo dessa avaliação, pode ser necessário fazer alguma outra vacina que a gente não utilize de rotina. Mas isso precisa ser individualizado, pois depende do risco para cada paciente, cada viagem e cada condição epidemiológica.
Fonte: Jornal Extra
Comentários
Postar um comentário