Pular para o conteúdo principal

Doação de sangue: métodos de coleta e testagem garantem segurança ao doador

4

A medicina não para de avançar. Com o passar dos anos são descobertas novidades para o tratamento de doenças, e até mesmo a cura delas. Mas mesmo com este avanço, nunca se descobriu uma forma de substituir o sangue humano. Quem, por algum motivo, precisa de uma transfusão, está completamente dependente de doações. E, infelizmente, o Brasil ainda não conseguiu incorporar a cultura da doação de repetição. “Pra gente é importante que a pessoa não venha uma única vez, mas que ela adquira o hábito. Que ela internalize essa cultura de doação, que ainda está incipiente no Brasil. A gente avançou muito, mas frente a outros países que tiveram histórico de guerra, por exemplo, a gente ainda está um pouco aquém”, lamenta a responsável pela captação de doadores do Hemocentro de Brasília, Kelly Baibi.
Um dos objetivos da Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados (CGSH) do Ministério da Saúde é disseminar a informação de que doar sangue não faz mal para o doador e que é seguro. Não há qualquer risco de contaminação. A tecnologia hoje utilizada e os procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, de acordo com as boas práticas de produção, garantem essa segurança. O Brasil é, inclusive, referência mundial pelos métodos adotados.
Todo o material utilizado para colher o sangue doado é esterilizado e descartável. Antes de chegar até a sala de doação, todos os candidatos passam por uma entrevista realizada por profissional de saúde de nível superior, qualificado, capacitado e sob supervisão médica. Isso tudo para averiguar se aquela pessoa pode mesmo doar, sem prejudicar a ela ou quem vai receber esse sangue. Por isto a honestidade das respostas do doador é tão relevante. Pessoas com quaisquer problemas de saúde ou por outros motivos que impossibilitem a doação, como uma extração dentária, por exemplo, são informadas sobre o impedimento no momento e convidadas a voltar dentro de um período de tempo.
 Confira mais sobre doação de sangue: saude.gov.br/doacaodesangue
Reações no corpo do doador

O estudante Vitor Gomes de Brito já é um doador frequente. Já é a terceira vez que ele retorna ao Hemocentro para doação. A primeira foi motivada por um grupo da igreja para ajudar um amigo. Depois, ao ver como era fácil e seguro doar, ele voltou outras vezes, sem motivo específico. “Num dói nada. É tranquilo. E eu resolvi vir. Eu sou doador para ajudar outras vidas”.

Para aqueles que sentem medo de passar mal ou acreditam que o sangue doado pode fazer falta no organismo, podem ficar despreocupadas. “Depois da doação, o plasma do sangue já começa a ser reposto depois de em algumas horas. No caso das plaquetas a recomposição leva alguns dias. Só as hemácias é que levam mais tempo, cerca de dois meses”, explica Kelly Baibi. Então a saúde do doador não será comprometida. É recomendado apenas que ele se alimente bem e repouse no dia da doação. Em um período de tempo, a pessoa já pode voltar a doar. O intervalo é de 60 dias para os homens e 90 dias para as mulheres (por conta da menstruação).
Métodos de doação e teste no sangue doado

Um dos primeiros métodos de doação de sangue era feito direto do braço do doador para o paciente receptor. Com o avanço da medicina foi possível o processamento do sangue, possibilitando que o paciente receba somente o hemocomponente de que necessita. Além disso, com o uso de bolsas plásticas e anticoagulantes é possível a estocagem, por prazo determinado, desses hemocomponentes.

Outro importante avanço é na testagem do sangue doado. Antes de chegar até quem precisa, o sangue passa por testes imuno-hematológicos, como a tipagem sanguínea, por exemplo, e por testes sorológicos capazes de identificar as seguintes infecções: HIV, HTLV I e II, hepatite B (HBV), hepatite C (HCV), sífilis e Chagas. Também é feito o Teste de Ácido Nucleico (NAT) para detectar HIV, HCV e HBV. Um detalhe muito importante neste processo de testes é a janela imunológica, que é o período em que o vírus pode estar presente no sangue sem ter se manifestado. É ai que o NAT ganha ainda mais relevância, pois ele diminuiu, em média, de 22 para 10 dias a janela imunológica nos casos de HIV e de 35 a 12 dias nos casos de hepatite C.
Portanto, não há como sangue contaminado seguir para transfusões. Estes testes são realizados com alta tecnologia. E no caso de algum resultado positivo para infecções, o doador será informado pelo Hemocentro para que ele procure atendimento médico e faça novos exames.
Como o sangue chega a quem precisa?

Quando recebe a certificação para ser usado em transfusões, o sangue é armazenado em câmaras semelhantes a uma geladeira e dali segue para quem precisa, como pacientes que tratam doenças do sangue, ou outras patologias como cânceres. Há também pacientes que precisam do sangue por conta da realização de cirurgias ou de graves acidentes.

O Hemocentro recebe o pedido do sangue prescrito por um médico com as informações dos pacientes. A bolsa armazenada segue para o destino geralmente em ambulâncias e dentro de caixas térmicas que mantém a temperatura necessária durante o percurso até o hospital. Depois de checar a rotulagem, os profissionais de saúde responsáveis pela transfusão iniciam o procedimento, que é o resultado final das doações.
Conheça no vídeo todo o caminho que o sangue percorre até chegar a quem precisa

Conheça os caminhos do sangue: da doação à transfusão

A TV Saúde acompanhou o processo de doação, desde a chegada do doador ao Hemocentro até a transfusão do sangue doado. Conheça todas as etapas



Com a palavra quem doa sangue e quem precisa da doação

Adriana Germano fala sobre a satisfação de ser doadora há 17 anos; e Ângela Núbia, sobre a importância disso. Com doença falciforme, ela precisará fazer troca de sangue por toda vida.


Comentários

Populares

Campanha Hanseníase 2018

Fonte: Portal da Saúde

UFF Responde: Menopausa

  A data 18 de outubro é marcada pelo Dia Mundial da Menopausa, criado na intenção de promover a conscientização e o apoio para a melhora da saúde e bem-estar da mulher diante das mudanças fisiológicas. A menopausa é um processo natural que indica o fim do período reprodutivo, definida respectivamente pela ausência da menstruação por 12 meses consecutivos, sem causas secundárias, como gravidez ou uso de medicamentos. Trata-se de uma transição biológica que costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos, com idade média no Brasil em torno de 48 anos. Durante a menopausa, ocorre a queda progressiva dos níveis de estrogênio e de progesterona, hormônios produzidos pelos ovários. Essa diminuição hormonal provoca alterações físicas, metabólicas e emocionais. Entre os sintomas mais comuns estão os fogachos (ondas de calor), sudorese noturna, alterações do sono e humor, ressecamento vaginal e redução da libido. Além disso, é possível que haja o surgimento de condições mais graves, como impacto na s...

UFF Responde: Tuberculose

  No dia 17 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Combate à Tuberculose, data que reforça a importância da conscientização sobre uma das doenças infecciosas mais antigas e ainda presentes no mundo. Segundo dados do  Ministério da Saúde , o Brasil registrou cerca de 84 mil novos casos em 2025, o maior número das últimas duas décadas. Fatores como a desigualdade social, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e   o abandono do tratamento contribuem para o avanço da doença. O problema também é agravado pela disseminação de desinformação sobre vacinas e doenças infecciosas, o que dificulta o enfrentamento da tuberculose e retarda o diagnóstico precoce — essencial para interromper a cadeia de transmissão. Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a enfermidade afeta principalmente os pulmões e pode ser transmitida pelo ar, por meio da tosse, fala ou espirro de pessoas infectadas. Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tube...

Getulinho reabre a pediatria

Sem emergência há 1 ano e 2 meses e após o fim da UTI pediátrica por determinação da Vigilância Sanitária Estadual em dezembro, o Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, no Fonseca, Niterói, retomou  nesta quinta-feira os atendimentos à população, só que no estacionamento. O hospital de campanha montado, com capacidade para atender 300 crianças por dia, foi alívio para a população e deverá durar o tempo das obras de reforma da unidade. “Esperamos atender 150 por dia na primeira semana”, declarou o coordenador-geral da Força Estadual de Saúde, Manoel Moreira. Foram disponibilizados também ambulância e CTI. Ao assumir, o prefeito Rodrigo Neves decretou situação de emergência no atendimento de urgência pediátrica no município e assinou termo de compromisso para a instalação do hospital de campanha com a Força Estadual. Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia   Nesta quinta-feira, a auxiliar ...

Médicos importados

O governo federal decidiu importar médicos para suprir a falta de profissionais em programas de atenção básica, como o Saúde da Família, e em cidades do interior do País. A medida, que será anunciada pela presidenta Dilma Rousseff, inclui a flexibilização das normas de validação de diplomas obtidos em faculdades estrangeiras. A decisão, que deverá ser anunciada até o fim de fevereiro, prevê a contratação de milhares de médicos . O governo acredita que muitos cubanos serão atraídos pelos novos empregos. Efeito sanfona Por falar em saúde: a pressão arterial de Pezão voltou a subir no fim da manhã de ontem. Pessoas próximas dizem que o problema está relacionado às bruscas variações no peso do governador em exercício. Ele acaba de terminar outra temporada em um SPA.  Fonte : O Dia