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Programa de combate ao tabagismo é sucesso no Huap

Parar de fumar pode parecer, para muitos, impossível. Quem conhece o Programa de Controle e Tratamento de Tabagismo do Huap, no entanto, fica com uma visão diferente. Há mais de 14 anos atendendo pessoas que procuram ajuda para deixar de fumar, o programa - que conta com uma equipe multidisciplinar formada por sete professores, três técnicos administrativos e dez estudantes - já acompanhou mais de mil casos de transformação nos hábitos de vida de pacientes do hospital, estudantes, professores e funcionários da UFF. Segundo a professora Titular de Pneumologia da Faculdade de Medicina, Angela Santos Ferreira Nani, idealizadora e coordenadora do projeto, o paciente que passa por essa transformação recupera muito de sua capacidade física e – não menos importante – também sua autoestima.
São muitas e diferentes as motivações que levam uma pessoa a procurar ajuda: “Eu vim porque meu marido disse que parece estar beijando um cinzeiro”; “meu neto vai nascer e não vou poder cuidar dele”; “estou me sentindo um E.T., não posso fumar mais em lugar nenhum”; “meu médico falou que já estou com enfisema”. De acordo com a professora, é com base nessas motivações que todo o tratamento é feito: “é preciso ter tempo para ouvir o paciente e não simplesmente informá-lo sobre os prejuízos que o consumo do tabaco ocasiona no organismo”.
A triagem inicial dos pacientes para o programa é feita pela assistente social Regina Célia Silva. Uma vez inscritos, eles passam por uma avaliação clínica e são acompanhados por meio de terapia em grupo e da administração de medicamentos, por cerca de três meses. Os encontros acontecem uma vez por semana, durante duas horas. Cada integrante narra um pouco de como está sendo a experiência de parar de fumar, suas angústias, dificuldades e também avanços. Os relatos são entrecortados pela fala de Angela e de Regina, que vão costurando as narrativas com informações e proposições de estratégias para lidar com as “pedras no meio do caminho”. As pequenas e grandes conquistas de cada um são comemoradas pelo grupo, que aplaude os esforços com empolgação. Outra parte importante da dinâmica dos encontros é reservada aos depoimentos de pessoas que passaram pelo programa anteriormente e tiveram sucesso com o tratamento. Trata-se, segundo a professora, de uma motivação a mais.
Depois desse período inicial de três meses, os participantes deixam de frequentar semanalmente o hospital e passam a ser assistidos pelos estudantes por meio de contato telefônico, até completarem 12 meses de tratamento. Essa é uma das razões, de acordo com a coordenadora, que explicam o êxito do programa. “Temos um alto índice de sucesso imediato. De vinte pessoas que entram, cerca de 18 param de fumar nesses primeiros meses. O grande problema é que se trata de uma doença crônica e 75% das recaídas acontecem durante o primeiro ano”. O acompanhamento por telefone, nesse sentido, reduz em muito as chances de o paciente voltar a fumar e tem um impacto direto nas taxas de recaída, que, segundo a professora, estão abaixo da média. “De acordo com a literatura mundial, depois de um período de um ano de abstinência inicial, somente 20% das pessoas permanecem sem fumar. No programa, essa taxa está em torno de 50%, o que possivelmente se deve à atuação da equipe multidisciplinar e ao envolvimento dos estudantes”, ressalta.
Para o estudante do 11° período de medicina Eduardo Moreno, participante do projeto e monitor do Departamento de Pneumologia do Huap, é preciso ter sensibilidade no momento de contato com o paciente. Alguns continuam sem fumar e outros voltam, por motivos variados. Em algumas ligações, eles precisam de uma atenção especial. “Uma vez, falei com um fumante que disse ter perdido tudo em uma enchente e só tinha sobrado um maço de cigarros. Foi então que disse a ele: ‘volta que a gente tenta de novo’”, relata. Além de Eduardo, participam do projeto dois bolsistas de extensão, três alunos de iniciação científica e quatro do trabalho de campo supervisionado.
Outro diferencial é o conhecimento que se tem do perfil do paciente. Além de uma avaliação clínica e realização de exames para checar seu estado de saúde física, é feito um tratamento com base no motivo principal que ele apresenta para deixar de fumar e não somente nos prejuízos relacionados ao seu consumo. “Enquanto a indústria pôde esconder, ela escondeu. Hoje todo mundo sabe dos malefícios causados pelo cigarro. O tabagismo reduz a expectativa de vida de 10 a 15 anos, causa mais de cinquenta enfermidades já descritas, dentre as quais se destacam as cardiovasculares, as do aparelho respiratório e vários tipos de câncer. São mais de cinco mil substâncias tóxicas catalogadas na fumaça do cigarro e passam de 200 mil as mortes por ano devido às doenças relacionadas ao seu consumo, mas não é isso o que faz uma pessoa parar de fumar”, afirma Angela.
A pneumologista ressalta que o programa não para de crescer: os esforços agora estão voltados para a extensão desse tratamento a pacientes fumantes internados, que fazem uma abstinência de forma compulsória. Trata-se de uma estratégia ainda pouco comum na maioria dos hospitais do país, mesmo sabendo-se que esse é um momento oportuno para a interrupção do consumo. Contente com as estatísticas relativas à eficácia do projeto e ao seu contínuo avanço no tempo, ela revelou a “motivação principal” para ajudar tantas pessoas: “trabalhei durante vinte anos fazendo endoscopia respiratória e me deparava, com muita frequência, com a enfermidade mais temida por quem consome tabaco: o câncer de pulmão. Eu me perguntava o que é que estava fazendo para ajudar as pessoas a evitar essa doença. Sentia que precisava contribuir”.
Às vésperas do Dia Mundial de Luta contra o Tabaco, celebrado no dia 31 de maio, a coordenadora fala em prevenção com naturalidade, numa perspectiva nem sempre comum em nossa cultura médica, e comenta sobre as atividades realizadas na ocasião: “vamos distribuir panfletos e prender cartazes de combate ao tabagismo no hospital e na sala de aula, e também divulgar o programa”. O tema desse ano são as doenças cardiovasculares, cuja incidência é significativamente maior em consumidores de tabaco. Para os interessados em deixar de consumir cigarros, boas razões não faltam. Com tantos recursos disponíveis, como os oferecidos pelo Programa de Controle e Tratamento de Tabagismo no Huap, pode ser muito menos difícil do que se imagina.

Serviço:

Hospital Universitário Antonio Pedro
Av. Marquês do Paraná, 303 - Centro, Niterói - RJ, 24033-900
Ambulatório Novo, Sala 6
Telefone: (21) 2629-9000
Segunda a sexta, de 8 às 12h
Fonte: UFF 

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