Pular para o conteúdo principal

Campanha de vacinação contra a gripe termina nesta sexta (22/6)

A campanha nacional de vacinação contra a gripe termina na próxima sexta-feira, 22/06. A estratégia é parte fundamental do enfrentamento sazonal da doença causada pelo vírus Influenza. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 9,5 milhões de pessoas que fazem parte do público-alvo ainda não se vacinaram. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) explicam como funciona a produção do imunizante e enfatizam a importância da vacinação para evitar o aumento no número de casos e mortes no país.
A vacina contra gripe tem uma nova campanha a cada ano, mobilizando postos de saúde de todo o país. Isso acontece porque o vírus causador da doença tem uma taxa expressiva de mutações genéticas, exigindo que as vacinas tenham sua composição revisada periodicamente para que sua eficácia esteja mantida. Definir a composição do imunizante não é nada simples: em todo o mundo, uma centena de Centros Nacionais de Influenza (NICs, na sigla em inglês) atuam no acompanhamento permanente das mudanças genéticas do vírus, a partir da análise de amostras de pacientes, e abastecem os dados do Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC cumpre esse papel, enquanto referência nacional para influenza junto ao Ministério da Saúde, num trabalho permanente de investigação do perfil genético do vírus articulado junto ao Instituto Adolfo Lutz (SP) e do Instituto Evandro Chagas (PA).
No IOC, a equipe liderada pela virologista Marilda Siqueira – que tem quase 40 anos de experiência em vírus respiratórios – analisa amostras enviadas por unidades sentinelas espalhadas por todas as regiões do país. Além de acompanhar a evolução dos distintos grupos de Influenza, por meio de análises filogenéticas, os pesquisadores atuam na identificação de cepas variantes dos vírus que circulam durante as epidemias sazonais – aquelas que acontecem a cada ano, principalmente no inverno.
Apenas no ano de 2017, os Centros Nacionais de Influenza coletaram e testaram mais de três milhões de amostras clínicas de pacientes. Estas informações são compartilhadas com os Centros Colaboradores sobre o tema da OMS. “Nos Centros Colaboradores, que são laboratórios internacionais de alta complexidade, presentes nos Estados Unidos, Inglaterra, China, Japão e Austrália, cientistas realizam análises genéticas avançadas buscando compreender a dinâmica de circulação dos vírus Influenza”, explica Siqueira. “Todos os países com Centros Nacionais de Influenza são parte dessa engrenagem altamente complexa, que nos permite proteger a população mais vulnerável ao vírus a partir da formulação de composições da vacina atualizadas com o perfil genético do vírus que está em circulação”, completa o pesquisador Fernando Motta, que atua no mesmo Laboratório.
A receita da vacina
Para definir a composição das vacinas que serão aplicadas nas próximas temporadas de influenza, a OMS realiza reuniões com um grupo consultivo de especialistas duas vezes por ano. Os encontros acontecem entre os meses de fevereiro e março para deliberar as recomendações voltadas para o hemisfério norte e, em setembro, para o hemisfério sul.
Durante as reuniões, os especialistas analisam dados de vigilância produzidos pelos Centros Nacionais de Influenza, além de informações sobre a caracterização genética dos vírus e estudos de sorologia em humanos com vacinas de vírus inativado. O grupo avalia, ainda, dados de resistência aos medicamentos antivirais e resultados da eficácia da vacina utilizada na temporada atual e nas anteriores. Com base no conjunto de análises, a OMS emite, ao término dos encontros, a recomendação das cepas que devem compor o imunizante. O documento é usado por agências nacionais de regulamentação de vacinas e empresas farmacêuticas para desenvolver, produzir e licenciar vacinas contra o vírus.
As epidemias sazonais são causadas principalmente por variações de três vírus Influenza: dois do tipo A (os subtipos H1N1 e H3N2) e um subtipo de influenza B (que, por sua vez, se divide entre as linhagens Yagamata e Victoria). As vacinas trivalentes contra gripe são construídas para recobrir essas três variações, considerando sempre o perfil genético dos vírus predominantes na temporada anterior. Já as vacinas quadrivalentes possuem formulação idêntica, com o acréscimo da linhagem de influenza B restante.
Fonte: Fiocruz

Comentários

Populares

Outubro Rosa

  Outubro chegou! Durante este mês, o Ministério da Saúde traz conteúdos educativos e histórias inspiradoras relacionadas à detecção e ao tratamento do câncer de mama, com o objetivo de levar informações confiáveis à população. Incentive outras mulheres a adotarem práticas saudáveis e buscarem assistência médica em caso de alterações suspeitas. Informar para proteger. Cuidar para viver. Fonte: Ministério da Saúde

Ataques cardíacos são mais fatais em meses mais frios, aponta estudo

De acordo com um novo estudo realizado por médicos cardiologistas do hospital britânico Leeds General Infirmary, os ataques cardíacos são mais fatais em meses mais frios. O estudo foi apresentado nesta terça-feira, 5, na Conferência da Sociedade Cardiovascular Britânica em Manchester, Inglaterra. O estudo comparou os dados de mais de quatro mil pacientes que receberam tratamento para ataque cardíaco em quatro anos separados, e descobriram que os ataques cardíacos mais graves foram mais fatais nos seis meses mais frios, em comparação com os mais quentes. O número total de ataques cardíacos foi aproximadamente o mesmo na metade mais fria do ano, em comparação com os meses mais quentes, com os mais sérios ataques cardíacos levando à parada cardíaca e choque cardiogênico. Porém, o risco de morrer nos 30 dias depois de ter de um ataque cardíaco grave foi quase 50% maior nos seis meses mais frios, em comparação com os seis meses mais quentes. A parada cardíaca é quando o c...

UFF Responde: Tuberculose

  No dia 17 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Combate à Tuberculose, data que reforça a importância da conscientização sobre uma das doenças infecciosas mais antigas e ainda presentes no mundo. Segundo dados do  Ministério da Saúde , o Brasil registrou cerca de 84 mil novos casos em 2025, o maior número das últimas duas décadas. Fatores como a desigualdade social, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e   o abandono do tratamento contribuem para o avanço da doença. O problema também é agravado pela disseminação de desinformação sobre vacinas e doenças infecciosas, o que dificulta o enfrentamento da tuberculose e retarda o diagnóstico precoce — essencial para interromper a cadeia de transmissão. Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a enfermidade afeta principalmente os pulmões e pode ser transmitida pelo ar, por meio da tosse, fala ou espirro de pessoas infectadas. Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tube...

Quais sinais indicam a perda do bebê na gravidez? Casos de Tati Machado e outras famosas acendem alerta para gestantes

  Nos últimos meses, algumas celebridades enfrentaram a dor de perder um bebê durante a gestação. Nesta semana, a jornalista Tati Machado e a atriz Micheli Machado contaram que passaram por isso para seus seguidores. Ambas estavam na reta final da gravidez. Meses antes, a influenciadora Maíra Cardi e a apresentadora Sabrina Sato também falaram que passaram por abortos espontâneos. Ainda que a gestante faça um bom pré-natal e tome todos os cuidados, estes casos podem acontecer. E nesse momento, o apoio emocional é o mais importante para as mulheres. — Mesmo na ausência de doenças ou fatores de risco, a perda gestacional pode ser inevitável e nem sempre terá uma causa determinada, o que gera ainda mais angústia para quem passa por esse luto. Mesmo com todos os cuidados, algumas perdas simplesmente acontecem, e não devem ser motivo de culpa. O mais importante é que as mulheres que vivenciam esse processo sejam acolhidas com empatia, escuta e apoio profissional — ressalta a obstetra ...

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras Com a recomendação do uso de álcool 70% para limpar superfícies e higienizar as mãos em razão da pandemia de coronavírus, acende-se um novo alerta: o risco de acidentes com queimaduras. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) tem buscado conscientizar a população sobre os cuidados no manuseio e estoque deste produto.“É extremamente necessário redobrar o cuidado com a presença do álcool em casa, especialmente com crianças. Guardar em local que elas não acessem e não utilizar o álcool perto de chamas, como fogão e velas”, frisa o presidente da SBQ, José Adorno.Diante da baixa nos estoques de álcool em gel, a Câmara dos Deputados aprovou a liberação da venda do álcool líquido 70% para o consumidor individual. A proposta segue para votação no Senado. Porém, há uma previsão de que a Anvisa publique uma nova portaria, estabelecendo a venda em embalagens de até 50...