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Teste do pezinho é capaz de diagnosticar doenças graves em recém-nascidos

Nesta quarta é comemorado o Dia Nacional do Teste do Pezinho, que visa mostrar a importância da realização do exame em crianças recém-nascidas. Por meio da coleta de gotinhas de sangue retiradas do calcanhar do bebê, é possível diagnosticar e tratar doenças — muitas vezes assintomáticas nos primeiros meses de vida — que comprometem o desenvolvimento mental e físico da criança e que podem levar à morte.
— O exame possibilita o diagnóstico precoce e o tratamento específico dessas doenças. Com isso, é possível diminuir as chances de lesões que podem ser irreversíveis, como retardo mental e deficiências físicas — afirma Amanda Martins, pediatra da Perinatal.
O exame deve ser realizado, de preferência, entre o terceiro e o quinto dia de vida do bebê. Caso não seja possível respeitar este prazo, o teste precisa ser feito em até um mês.
— É preciso esperar este tempo, pois o ideal é que já tenha sido iniciada a alimentação do bebê através de leite, seja o materno ou a fórmula. Em algumas doenças investigadas, é preciso que o metabolismo da criança já esteja ativo para investigar se já alguma alteração — explica Amanda.
A escolha da coleta de sangue por meio de um furinho no calcanhar do bebê tem motivo, como conta João Gabriel Daher, médico coordenador do setor de genética do laboratório Lafe.
— Esta é uma área vascularizadas (com muitos vasos sanguíneos) e extremamente segura para a criança e para a realização do exame — explica.
Realização gratuita na rede pública
O Teste do Pezinho faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), que inclui os testes da Orelhinha, do Olhinho, da Linguinha e do Coraçãozinho — por meio dos quais são diagnosticados problemas de audição, visão, língua presa e cardiopatias congênitas nos recém-nascidos. Nos hospitais da rede pública, o Teste do Pezinho é gratuito e capaz de diagnosticar seis doenças.
— Na rede privada, conseguimos fazer a triagem de até 50 doenças — diz Daher.
Dentre elas, estão a sífilis congênita e a rubéola congênita, por exemplo.
Em caso de alterações nos resultados, os pais devem procurar o pediatra da criança.
— É preciso ter a orientação de um profissional para a realização de exames complementares. Isso irá confirmar ou afastar a possibilidade da doença. Algumas crianças podem apresentar o resultado alterado, mas não estarem doentes — diz Amanda.
Fenilcetonúria
Defeito metabólico que causa atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência mental, comportamento agitado ou padrão autista, convulsões, alterações eletroencefalográficas e odor característico na urina
Hipotireoidismo congênito
Incapacidade da glândula tireoide do recém-nascido em produzir quantidades adequadas de hormônios tireoideanos. Sem o diagnóstico e tratamento precoce, a criança terá o crescimento e desenvolvimento mental seriamente comprometidos
Doença falciforme
As hemácias assumem forma de lua minguante o que leva o paciente afetado a apresentar: anemia hemolítica, crises vaso-oclusivas, crises de dor, insuficiência renal progressiva, acidente vascular cerebral e maior susceptibilidade a infecções
Fibrose cística
Afeta os pulmões (provoca infecções crônicas) e o pâncreas (possibilita a má nutrição), num processo obstrutivo causado pelo aumento da viscosidade do muco
Hiperplasia adrenal congênita
Conjunto de síndromes transmitidas geneticamente que limitam a produção de hormônios nas glândulas adrenais (localizadas acima dos rins), o que prejudica o crescimento
Deficiência de biotinidase
É uma doença metabólica hereditária. Manifesta-se a partir da sétima semana de vida com distúrbios neurológicos e cutâneos tais como crises epiléticas, hipotonia, microcefalia, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, alopecia e dermatite eczematóide.
Fonte: Jornal Extra

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