Pular para o conteúdo principal

Estudo usa amostra de sangue para detectar autismo em crianças

Um estudo confimou o sucesso em detectar com precisão se uma criança tem transtorno do espectro autista (TEA) usando uma amostra de sangue.

Realizado pelo Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, o estudo foi publicado na edição de junho da revista científica "Bioengineering & Translational Medicine". O estudo foi feito um ano depois de os pesquisadores publicarem seu trabalho em um estudo similar anterior.

Em entrevista ao G1, Juergen Hahn, principal autor do estudo, professor e chefe do Departamento de Engenharia Biomédica do Instituto Politécnico de Rensselaer disse que o sucesso desta nova tentativa é um passo muito importante e necessário para o desenvolvimento de um exame de sangue que possa apoiar o diagnóstico do transtorno de espectro autista.

"Claramente, mais trabalho precisa ser feito antes que um teste comercial esteja disponível, mas esse trabalho é um marco importante", disse.

Atualmente, o diagnóstico de crianças com autismo não é uma tarefa simples, já que depende apenas de observações clínicas.

É geralmente reconhecido por médicos e pesquisadores que o diagnóstico precoce leva a melhores resultados à medida que as crianças se envolvem em atividades de desenvolvimento precocemente, e um diagnóstico é possível aos 18-24 meses de idade. No entanto, sem exames que possam apontar com precisão o diagnóstico, a maioria das crianças não é diagnosticada até os 4 anos de idade nos EUA.

O estudo

O primeiro estudo desenvolveu um algoritmo que faz uso de concentrações de componentes no sangue para prever se ele veio de uma criança com transtorno do espectro austista (TEA) ou de uma criança em desenvolvimento típico.

Já o segundo usou este algoritmo em 154 crianças com autismo. O objetivo era verificar se o que foi desenvolvido no primeiro estudo funcionaria com outras crianças.

O próximo passo é a realização de novos teste clínicos e levar um teste ao mercado, mas para que um exame de sangue esteja disponível para os pacientes ainda leva tempo: "É difícil estimar quanto tempo isso levaria, mas meu melhor palpite é que isso poderia acontecer em cinco anos".


Cautela

Para Alysson Muotri, pesquisador brasileiro da Universidade da Califórnia, ainda é preciso cautela em relação a este novo estudo. Alysson acredita que o número de crianças testadas ainda não é suficiente. "O maior problema está no número de pessoas testadas. Para atingir um poder estatístico nesse caso, o estudo teria que ser feito com mais de 100 mil crianças e não com pouco mais de uma centena como no artigo".

Ele, que também estuda o autismo, acha que o desenvolvimento de um exame de sangue para o diagnóstico do autismo seria um grande avanço. "O impacto seria enorme, pois um tratamento precoce para o TEA está associado a uma melhor trajetória clínica. Quanto mais cedo a intervenção, melhor a independência do autista", avalia.

Em seu laboratório, Muotri e sua equipe buscam entender as causas do autismo e buscar formas de reverter as alterações causadas pelo TEA, sejam genéticas ou neuronais. Para isso, um dos estudos realizados por eles envolve o desenvolvimento de minicérebros autistas para o teste de possíveis tratamentos.

Os minicérebros são estruturas celulares miniaturizadas criadas a partir de células-tronco que reproduzem, em parte, a estrutura e funcionalidade do cérebro humano em desenvolvimento.

Em seu trabalho mais recente, Muotri desenvolveu minicérebros contendo material genético de Neandertais. A ideia é tentar descobrir como surgiu a capacidade de raciocínio de nossa espécie. O novo estudo também pode contribuir para os estudos sobre autismo.

Uma das linhas de pesquisa de Muotri busca entender as origens evolucionárias do cérebro social humano, que são as redes nervosas responsáveis pela socialização, fala, etc. Áreas que apresentam alterações em crianças dentro do espectro autista.

"Ao estudar o cérebro neandertal, queremos saber quais foram as forças seletivas que modificaram o DNA do homem moderno para que se tornasse mais social. Esse tipo de pesquisa busca entender quais as vias moleculares que atuam no cérebro social, podendo eventualmente ser útil para o desenvolvimento de medicamentos que auxiliam os autistas nessa parte", explica.

Fonte: G1

Comentários

Populares

Outubro Rosa

  Outubro chegou! Durante este mês, o Ministério da Saúde traz conteúdos educativos e histórias inspiradoras relacionadas à detecção e ao tratamento do câncer de mama, com o objetivo de levar informações confiáveis à população. Incentive outras mulheres a adotarem práticas saudáveis e buscarem assistência médica em caso de alterações suspeitas. Informar para proteger. Cuidar para viver. Fonte: Ministério da Saúde

Ataques cardíacos são mais fatais em meses mais frios, aponta estudo

De acordo com um novo estudo realizado por médicos cardiologistas do hospital britânico Leeds General Infirmary, os ataques cardíacos são mais fatais em meses mais frios. O estudo foi apresentado nesta terça-feira, 5, na Conferência da Sociedade Cardiovascular Britânica em Manchester, Inglaterra. O estudo comparou os dados de mais de quatro mil pacientes que receberam tratamento para ataque cardíaco em quatro anos separados, e descobriram que os ataques cardíacos mais graves foram mais fatais nos seis meses mais frios, em comparação com os mais quentes. O número total de ataques cardíacos foi aproximadamente o mesmo na metade mais fria do ano, em comparação com os meses mais quentes, com os mais sérios ataques cardíacos levando à parada cardíaca e choque cardiogênico. Porém, o risco de morrer nos 30 dias depois de ter de um ataque cardíaco grave foi quase 50% maior nos seis meses mais frios, em comparação com os seis meses mais quentes. A parada cardíaca é quando o c...

UFF Responde: Tuberculose

  No dia 17 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Combate à Tuberculose, data que reforça a importância da conscientização sobre uma das doenças infecciosas mais antigas e ainda presentes no mundo. Segundo dados do  Ministério da Saúde , o Brasil registrou cerca de 84 mil novos casos em 2025, o maior número das últimas duas décadas. Fatores como a desigualdade social, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e   o abandono do tratamento contribuem para o avanço da doença. O problema também é agravado pela disseminação de desinformação sobre vacinas e doenças infecciosas, o que dificulta o enfrentamento da tuberculose e retarda o diagnóstico precoce — essencial para interromper a cadeia de transmissão. Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a enfermidade afeta principalmente os pulmões e pode ser transmitida pelo ar, por meio da tosse, fala ou espirro de pessoas infectadas. Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tube...

Quais sinais indicam a perda do bebê na gravidez? Casos de Tati Machado e outras famosas acendem alerta para gestantes

  Nos últimos meses, algumas celebridades enfrentaram a dor de perder um bebê durante a gestação. Nesta semana, a jornalista Tati Machado e a atriz Micheli Machado contaram que passaram por isso para seus seguidores. Ambas estavam na reta final da gravidez. Meses antes, a influenciadora Maíra Cardi e a apresentadora Sabrina Sato também falaram que passaram por abortos espontâneos. Ainda que a gestante faça um bom pré-natal e tome todos os cuidados, estes casos podem acontecer. E nesse momento, o apoio emocional é o mais importante para as mulheres. — Mesmo na ausência de doenças ou fatores de risco, a perda gestacional pode ser inevitável e nem sempre terá uma causa determinada, o que gera ainda mais angústia para quem passa por esse luto. Mesmo com todos os cuidados, algumas perdas simplesmente acontecem, e não devem ser motivo de culpa. O mais importante é que as mulheres que vivenciam esse processo sejam acolhidas com empatia, escuta e apoio profissional — ressalta a obstetra ...

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras

SBQ.Covid19 - Uso indiscriminado de álcool contra o coronavírus aumenta riscos de queimaduras Com a recomendação do uso de álcool 70% para limpar superfícies e higienizar as mãos em razão da pandemia de coronavírus, acende-se um novo alerta: o risco de acidentes com queimaduras. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) tem buscado conscientizar a população sobre os cuidados no manuseio e estoque deste produto.“É extremamente necessário redobrar o cuidado com a presença do álcool em casa, especialmente com crianças. Guardar em local que elas não acessem e não utilizar o álcool perto de chamas, como fogão e velas”, frisa o presidente da SBQ, José Adorno.Diante da baixa nos estoques de álcool em gel, a Câmara dos Deputados aprovou a liberação da venda do álcool líquido 70% para o consumidor individual. A proposta segue para votação no Senado. Porém, há uma previsão de que a Anvisa publique uma nova portaria, estabelecendo a venda em embalagens de até 50...